segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Genética ou nepotismo mesmo?

Enfim o primeiro post de 2011! Espero que todos tenham passado um ótimo Natal e uma virada sensacional.

Começo o ano com um resultado (como a maioria dos meus textos) de conversas entre familiares e amigos, boa parte deles exímios degustadores de música, acerca das crias famosas, isto é, a prole dos artistas que dão continuidade aos talentos (ou a falta deles) dos pais.

É notável que há uma diferença qualitativa dos filhos brasileiros se comparados aos filhos do pessoal gringo. Talvez isso seja uma herança ainda do coronelismo lá do século XIX, ou até mesmo da carência brasileira de nunca ter tido uma monarquia essencialmente com a cara brasileira. Esse segundo aspecto resulta na criação intensa de "codinomes reais" aos ídolos brasileiros: "O Rei do Baião", o "Rei", "Rainha da Bateria"; além da eventual passagem de títulos, como forma de se ter uma eterna e contínua representação.

E diferente do que acontece lá fora, também, é a ligação da mídia aos pais desses novos artistas, procurando, na verdade, sua qualidade ou até mesmo sua exploração comercial. Por aqui, o argumento da genética insiste em ser mais forte. Comparemos alguns casos.

Trato primeiramente do Albert Hammond, indicado ao Songwriters Hall of Fame, ao Oscar, Grammy, Globo de Ouro e vencedor de Emmy por suas composições e trilhas sonoras, muitas músicas chicletes de filmes e hits beneficentes têm dedo dele. Tudo bem que ele não é um cara lá muito famoso do público, mas Elton John, Whitney Houston, Tina Turner e outros nomes de calibre já correram aos dons musicais dele.


Você que viveu nos anos 80 lembra que eu sei!

O filhinho desse senhor gravou o primeiro cd da banda dele num cafofo em Nova Iorque, distribuiu entre amigos e apresentações e, por óbvio talento, emplacou uma das mais importantes bandas do rock atual. Falo de Albert Hammond Jr., guitarrista e compositor dos The Strokes.

Voltando ao Brasil, temos a história se iniciando em 1960, quando Franco Scornavacca era baixista de sua banda Jovem Guarda "Os Brasas". Fizeram algum burburinho hora aqui, hora acolá, o que não impediu que se consolidassem contatos e alguns dos integrantes se tornassem agentes e produtores musicais, oportunidades essas que surgiram em meio a uma estrutura ainda crescente por aqui.

Alguns anos se passam e somos obrigados a escutar em tudo quanto era canto aquela porcaria que chamavam de banda "KLB". Por melhores músicos que eles sejam (e isso não há de tirar méritos, os caras são músicos extraodinários em seus projetos paralelos), a quadrilha nunca emplacaria se não fosse um empurrãozinho de alguém dentro da Sony Music. Lamentável esse tipo de acontecimento!

Até agora abordei estilos distintos. Acontece frenquentemente do filho seguir as influências paternas, tanto no quesito instrumento quanto gênero musical.

Um dos caras que mais vendeu jazz nos últimos tempos foi o guitarrista norte-americano John Pizzarelli, muito conhecido pelo público mais jovem e pelo pessoal que gosta de um jazz menos complexo, algo que se escute com mais facilidade. Característica essa que não o exclui do hall de grandes e geniais músicos da atualidade.

O que poucos sabem, entretanto, é que o pai desse sujeito, Bucky Pizzarelli, foi uma das influências para nomes como Django Reinhardt e colaborador de nada menos que Les Paul e Benny Goodman, sem contar do papel na NBC na época das grandes revelações de artistas nos programas de auditório.

O caso mais recente no Brasil, talvez seja Diogo Nogueira. Encanta as menininhas com seus olhos claros e pinta de bonitão, fazendo um sambinha agradável e bem produzido. Aos mais curiosos e aos maiores de 30 anos, traz um sentimento incrivelmente nostálgico por sua semelhança vocal com seu pai, João Nogueira. Sentimento esse acentuado pelo fato dele ter seu repertório quase que todo em clássicos de autoria paterna.

A sorte do Diogo é que a genética foi extremamente camarada, o pai dele não era do esteriótipo comum de gente bonita e mesmo assim ele nasceu desse jeito; dando-lhe a voz e os caminhos já atingidos por João Nogueira.

O último caso que queria retratar aqui é o líder jamaicano Bob Marley. Esse grande do reggae era praticamente um coelho, e quase que toda sua cria quis tentar a vida como músico. Já partem do estigma que farão um som parecido com o pai, e quando tentam realmente fazer, o resultado fica um lixo. Dentre todos os trabalhos da família Marley, sugiro apenas um álbum do Stephen "Mind Control".

Ele é um dos mais jovens dos onze filhos oficiais de Bob, e provavelmente o mais promissor na carreira musical. Já trabalha como produtor e seu álbum de estréia merece atenção, ainda mais por não ser carregado no reggae, mas beber de diversas influências. Aposto somente nele, de tantos, para compor músicas de sucesso.

Isso tudo me faz refletir sobre a qualidade e a origem do que escutamos. Isso sem falar dos casos "clássicos" como Sandy & Junior e Fiuk, e casos não muito mainstream, como a banda/família de apoio do Djavan e o filho da Rita Lee, Beto.

O importante é que a educação de casa prime pelos méritos e não pela fama, caso este que pode gerar trabalhos horrendos e que empaca o aparecimentos de bandas de qualidade.

2 comentários:

  1. Caique!, onde nós podemos encontrar essas músicas desconhecidas e boas dos integrantes do KLB? Já procurei no google e é impossível de achar... Abraço

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  2. Tinha esquecido que vc tinha blog, Caique!
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    E não me surpreende nada essa coisa de brazuca querer fazer dinastia na música. Putz, tem gente ganhando indenização de ser descendente do tiradentes ainda hoje. Fid'alguismo na música também, oras ;)

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