quinta-feira, 7 de abril de 2011

Arctic Monkeys e seus EPs.



Sheffield, uma cidade interiorana na Inglaterra, é lar de vários músicos. Entre eles estão os Arctic Monkeys. Aos poucos eles saíram de sua terra natal e conquistaram o mundo. A banda possui três álbuns lançados e o quarto já com data provável de lançamento (junho).

O grupo revolucionou o mundo da música ao conseguir fazer sucesso por meios não convencionais, gravando mixtapes caseiras que seriam distribuídas nos shows, nas ruas, para amigos, conhecidos e desconhecidos.

É natural, pelo menos com as suas bandas prediletas, escolher um álbum favorito. No caso dos Arctic Monkeys os queridinhos costumam ser os dois primeiros: Whatever people say I am that’s what I’m not e o Favourite Worst Nightmare. Já o terceiro álbum, Humbug, costuma ser o grande vilão. Isso por terem deixado a sua sonoridade antiga, e assumido uma postura mais sombria (com um toque do produtor Josh Homme). Este álbum assustou muitos fãs da banda. Eu acho o Humbug excelente. Mostra que a banda já não é mais uma banda de indie rock, e vai se consagrando com uma das principais bandas do terceiro milênio.

Faz alguns dias, eu montei uma playlist do Arctic Monkeys pra ouvir durante o trajeto de ônibus até a faculdade. Enquanto escutava notei uma coisa: mais ou menos 80% das músicas que estavam na playlist não haviam sido lançadas em nenhum álbum. Foi então que percebi o quanto os EPs dos Arctic Monkeys são sensacionais. Dezenas de músicas incríveis estão ‘perdidas’ fora dos álbuns. A grande maioria das pessoas não procura os EPs das bandas, e o no caso do Arctic, estão perdendo muitas coisas. Por isso separei algumas faixas que não foram lançadas em nenhum álbum, mas que são muito boas e mostram ainda mais a qualidade musical do grupo, e as compactei em uma mixtape que está disponível para download aqui:

http://www.4shared.com/file/ncTVIgtG/Mixtape_Arctic_Monkeys_e_Seus_.html

1 – Cigarette Smoker Fiona:

A primeira eu imagino que seja a mais conhecida das músicas lançadas apenas em EPs. Cigarette Smoker Fiona está contida no EP Who The Fuck Are Arctic Monkeys?

2 – Who The Fuck Are Arctic Monkeys?:

Essa dá o título ao EP da música anterior. Na minha opinião, se encaixaria perfeitamente no segundo álbum.

3 – Baby I’m Yours:

Esse cover da Barbara Lewis é uma boa opção para você cantar pra sua namorada. Está no EP Leave Before The Lights Come On.

4 – Nettles:

Rápida, intensa, viradas malucas. Nettles. Teddy Picker EP.

5 – Plastic Tramp:

Plastic Tramp eu descobri assistindo a um show deles pela internet. Gosto bastante. Está no EP do single Fluorescent Adolescent.

6 – Chun Li’s Spinning Bird Kick:

Acho esta muito legal porque me dá a impressão de um banda de rock que se reuniu pra uma jam de Jazz. A banda brinca encima do tema da Chun Li do Street Fighter. EP I Bet You Look Good On The Dance Floor.

7 – No Buses:

Uma música na pegada de Mardy Bum. Who The Fuck Are Arctic Monkeys? EP.

8 – Brick By Brick:

E saindo um pouco do propósito do post, mas não de menos qualidade, a nova música apresentada pela banda e que estará no novo álbum. Eu curti demais.

PS.: Como ficaria muito pesado postar todos os vídeos aqui no blog, a mixtape contem um arquivo do bloco de notas com link para vídeos no youtube da banda tocando algumas das músicas. E também estão inclusas as capas dos EPs que contém as músicas selecionadas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Funk Soul Brother

Uma das maneiras de conhecer mais profundamente o cenário musical é ficar antenado nas colunas e blogs dos críticos musicais, principalmente daqueles que você sabe que possui gosto semelhante ao seu. Eu, obviamente, sigo alguns blogs – em especial o do Régis Tadeu no Yahoo e do Zeca Camargo na globo.com -, e tenho observado que há um burburinho acerca de uma volta do soul e do funk.

Mas antes de falar disso especificamente, lembro a você corajoso (a) leitor (a) desse blog, que por diversas vezes os críticos comentaram absurdos, deram apoio a bandas medíocres, e entraram em contradição – ainda mais quando preparam rankings de artistas. Lembro do caso Nirvana e seu aclamado álbum “Nervermind”, que apesar da maioria das resenhas serem positivas, não o colocava no topo do gosto especializado. Anos depois, na hora de analisar o bom e ruim da década, o segundo trabalho do trio aparecia quase como uma unanimidade como último brigadeiro da padaria, inclusive em revistas que deram apenas três estrelas de cinco em 1991.

Ainda nessa linha de pensamento, as grandes evidências de uma volta de qualidade e inovadora do soul e do funk seria o trabalho do Sharon Jones and the Dap-kings, da Janelle Monáe e do Mayer Hawthorne, sem contar com o líder Cee-lo Green. São todos músicos excepcionais, mas desses, somente o último realmente traz algo novo e excitante. Sharon Jones tem uma voz poderosíssima e uma banda de apoio que ainda vale escutar, mesmo a influência com Marvin Gaye nas sutilezas ser escancarada.

Janelle Monáe e Mayer Hawthorne são duas figuras que me impressionam serem tão comentados; um som sem muito tempero e uma crítica que cheira a um hypismo enjoativo. O que não os torna ruins; entretanto, o status é muito ‘over’ do fato. Talvez a breve passagem deles pelo Brasil durante a turnê da Amy Winehouse tenha feito com que os blogueiros se animassem com esses dois... Vai entender!

-Poxa Caique, hoje você tá que reclama hein?!

Calma, indico aqui alguns nomes de gente da linha funk e soul que quase não vejo comentários, mas que não só trazem o ritmo setentista no DNA, mas também o inovam sem prejudicar a essência. O primeiro deles é Trombone Shorty, que traz um som instrumental de qualidade indiscutível e que ainda solta uma pitada de punk rock, de rap e jazz em uma ou outra faixa.


Ele não tem muitos clipes, mas fica esse audioclip. Que groove!

Outro cara que já conquistou a simpatia de gente de peso, como Stevie Wonder, parece-me meio esquecido por muita gente: Raphael Saadiq. Mesmo as raízes no funk Motown transparecerem na música dele, o cara tem algo de diferente, faz um soul leve, de letra romântica e vez ou outra arranja parceria com algum rapper. Vale conferir:


Só esse estilo retrô demais que atrapalha...

Não tem como falar de inovação sem conhecer a base. Sem contar os nomes básicos para conhecer o funk e o soul como Stevie Wonder, James Brown, Michael Jackson (sim, ele mesmo), Al Green, Marvin Gaye, Aretha Franklin e todos da gravadora Motown, se nos aprofundarmos nesse gênero, há de se encontrar artistas fenomenais nos EUA. Bem parecido com o samba por aqui, um monte de gente fera e algumas referências. Uma que eu acho indispensável para ser iniciado no assunto é o grupo Tower of Power. Não falarei muito deles não, vou deixar que você sinta a energia que os caras passam.


Foi difícil escolher apenas uma deles

É isso gente, nada de escutar ficar ouvindo funk carioca depois desse post! Hehe.
Abraços.

PS: quer ajudar a promover o blog? Se 25 pessoas "curtirem" no Facebook esse link, disponibilizarei para download uma mixtape com 12 canções que eu gostaria que mais pessoas tivessem escutado; com o título "Do fundo do meu iPod". E se der certo essa primeira tentativa, os próximos prêmios serão melhores, eu juro.

terça-feira, 1 de março de 2011

Recomendações 06/03

O carnaval chegou, o que pode significar um stress musical tremendo para rockeiros mais assíduos ou ápice do ano baladeiro aos mais interessados na farra do que na música em si.

O fato é que, infelizmente, esse período é extremamente injustiçado e discriminado por causa de um longo processo histórico que resultou num samba vergonhoso apresentado nas avenidas e, o que antes era uma festa muito agradável, tornou-se um idiota bacanal. Pelo menos em termos gerais.

Desabafos à parte, as recomendações de hoje são convites para as raízes do samba e uma nova roupagem para o frevo. Meu objetivo aqui é lembrar que esses gêneros não se resumem as suas aparições carnavalescas e mostrar àqueles que não curtem que existem vertentes de muito bom gosto.

Assim como o rock, o samba tem origem negra, de difícil definição de quando exatamente houve sua gênese e que criou uma "árvore genealógica" muito ramificada. Os próximos dois videos são as duas partes de um documentário (cerca de 20 minutos) que mostra bem os diversos ramos do samba e de como os sambas enredos eram de uma qualidade tremenda. E não é um lado saudosista e pessimista falando não, simplesmente analítico da situação. Ontem assisti ao desfile das escolas de samba de São Paulo - implicações e preferências minhas às escolas cariocas à parte -, senti apenas sono e um pouco de vergonha.


E

Gostei bastante!

Saindo do Rio de Janeiro e indo à outro tradicional carnaval, temos em Olinda um dos principais celeiros do frevo. Admito não ser conhecedor mor desse estilo, mas sei reconhecer no Spok Frevo Orquestra algo diferente. A começar pela mistura não tão inusitada assim com o jazz, e sem deixar as principais características do bom e dançante frevo esquecidas. Se você acha esse tipo de música enjoativa e impossível de se escutar a noite inteira, aposto que com esses caras a tolerância aumenta pelo menos um pouco.


Procure também as outras músicas interpretadas por eles.

Bom, por hoje é isso, afinal é carnaval e não é legal passar tanto tempo no computador, certo?! Espero ter ajudado um pouco no repertório do seu carnaval.

Até o próximo post.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Genética ou nepotismo mesmo?

Enfim o primeiro post de 2011! Espero que todos tenham passado um ótimo Natal e uma virada sensacional.

Começo o ano com um resultado (como a maioria dos meus textos) de conversas entre familiares e amigos, boa parte deles exímios degustadores de música, acerca das crias famosas, isto é, a prole dos artistas que dão continuidade aos talentos (ou a falta deles) dos pais.

É notável que há uma diferença qualitativa dos filhos brasileiros se comparados aos filhos do pessoal gringo. Talvez isso seja uma herança ainda do coronelismo lá do século XIX, ou até mesmo da carência brasileira de nunca ter tido uma monarquia essencialmente com a cara brasileira. Esse segundo aspecto resulta na criação intensa de "codinomes reais" aos ídolos brasileiros: "O Rei do Baião", o "Rei", "Rainha da Bateria"; além da eventual passagem de títulos, como forma de se ter uma eterna e contínua representação.

E diferente do que acontece lá fora, também, é a ligação da mídia aos pais desses novos artistas, procurando, na verdade, sua qualidade ou até mesmo sua exploração comercial. Por aqui, o argumento da genética insiste em ser mais forte. Comparemos alguns casos.

Trato primeiramente do Albert Hammond, indicado ao Songwriters Hall of Fame, ao Oscar, Grammy, Globo de Ouro e vencedor de Emmy por suas composições e trilhas sonoras, muitas músicas chicletes de filmes e hits beneficentes têm dedo dele. Tudo bem que ele não é um cara lá muito famoso do público, mas Elton John, Whitney Houston, Tina Turner e outros nomes de calibre já correram aos dons musicais dele.


Você que viveu nos anos 80 lembra que eu sei!

O filhinho desse senhor gravou o primeiro cd da banda dele num cafofo em Nova Iorque, distribuiu entre amigos e apresentações e, por óbvio talento, emplacou uma das mais importantes bandas do rock atual. Falo de Albert Hammond Jr., guitarrista e compositor dos The Strokes.

Voltando ao Brasil, temos a história se iniciando em 1960, quando Franco Scornavacca era baixista de sua banda Jovem Guarda "Os Brasas". Fizeram algum burburinho hora aqui, hora acolá, o que não impediu que se consolidassem contatos e alguns dos integrantes se tornassem agentes e produtores musicais, oportunidades essas que surgiram em meio a uma estrutura ainda crescente por aqui.

Alguns anos se passam e somos obrigados a escutar em tudo quanto era canto aquela porcaria que chamavam de banda "KLB". Por melhores músicos que eles sejam (e isso não há de tirar méritos, os caras são músicos extraodinários em seus projetos paralelos), a quadrilha nunca emplacaria se não fosse um empurrãozinho de alguém dentro da Sony Music. Lamentável esse tipo de acontecimento!

Até agora abordei estilos distintos. Acontece frenquentemente do filho seguir as influências paternas, tanto no quesito instrumento quanto gênero musical.

Um dos caras que mais vendeu jazz nos últimos tempos foi o guitarrista norte-americano John Pizzarelli, muito conhecido pelo público mais jovem e pelo pessoal que gosta de um jazz menos complexo, algo que se escute com mais facilidade. Característica essa que não o exclui do hall de grandes e geniais músicos da atualidade.

O que poucos sabem, entretanto, é que o pai desse sujeito, Bucky Pizzarelli, foi uma das influências para nomes como Django Reinhardt e colaborador de nada menos que Les Paul e Benny Goodman, sem contar do papel na NBC na época das grandes revelações de artistas nos programas de auditório.

O caso mais recente no Brasil, talvez seja Diogo Nogueira. Encanta as menininhas com seus olhos claros e pinta de bonitão, fazendo um sambinha agradável e bem produzido. Aos mais curiosos e aos maiores de 30 anos, traz um sentimento incrivelmente nostálgico por sua semelhança vocal com seu pai, João Nogueira. Sentimento esse acentuado pelo fato dele ter seu repertório quase que todo em clássicos de autoria paterna.

A sorte do Diogo é que a genética foi extremamente camarada, o pai dele não era do esteriótipo comum de gente bonita e mesmo assim ele nasceu desse jeito; dando-lhe a voz e os caminhos já atingidos por João Nogueira.

O último caso que queria retratar aqui é o líder jamaicano Bob Marley. Esse grande do reggae era praticamente um coelho, e quase que toda sua cria quis tentar a vida como músico. Já partem do estigma que farão um som parecido com o pai, e quando tentam realmente fazer, o resultado fica um lixo. Dentre todos os trabalhos da família Marley, sugiro apenas um álbum do Stephen "Mind Control".

Ele é um dos mais jovens dos onze filhos oficiais de Bob, e provavelmente o mais promissor na carreira musical. Já trabalha como produtor e seu álbum de estréia merece atenção, ainda mais por não ser carregado no reggae, mas beber de diversas influências. Aposto somente nele, de tantos, para compor músicas de sucesso.

Isso tudo me faz refletir sobre a qualidade e a origem do que escutamos. Isso sem falar dos casos "clássicos" como Sandy & Junior e Fiuk, e casos não muito mainstream, como a banda/família de apoio do Djavan e o filho da Rita Lee, Beto.

O importante é que a educação de casa prime pelos méritos e não pela fama, caso este que pode gerar trabalhos horrendos e que empaca o aparecimentos de bandas de qualidade.