terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Década de A-Z (parte dois)

Over and Over é o trabalho mais recente da banda sueca The Legends. Representa a consolidação do som da banda e aponta o que provavelmente a próxima década nos reserva: a volta do shoegaze e do post-punk que vigorou - principalmente no Reino Unido - no final dos anos 70. É o melhor dessa leva de bandas como "The Pains of being pure at heart" e "Enginneers" que seguem o mesmo gênero.

Pete Doherety hoje produz muito pouco e muito mal, devido aos seus abusos de todos os tipos de droga, mas isso não tira sua relevância como líder e compositor de dois projetos muito influentes: The Libertines e Babyshambles. Vale a pena devorar tudo que ele produziu com esse pessoal.

Quentin Tarantino, mesmo sendo diretor de cinema, posiciona a música como peça fundamental de seus filmes. A relevância com que é tratada a música deveria ser exemplo não só para os diretores, mas produtores musicas, ouvintes. Prestem atenção na trilha sonora da série Kill Bill e Bastardos Inglórios.

Return to Cookie Mountain é o segundo álbum do grupo novaiorquino Tv on the Radio e é uma das descobertas mais interessantes que tive na internet. Dançante, psicodélico, rockeiro, inovador: genial.

Sound of Silver é o ápice de James Murphy e sua trupe, LCD Soundsystem. Recomendo à todos que não curtem "música eletrônica", e para os macacos velhos das batidas, esse é tipo do cd que deve estar no automático do seu iPod. Músicas belíssimas como "All my Friends" e "Someone Great" exemplificam o que quero dizer sobre eles; até os clipes ficaram ótimos.

The Rip é o resultado de uma espera de onze anos por material novo que não foi em vão do Portishead. Essa música em especial me encantou desde a primeira vez que a escutei. A progressão, a maneira como cada instrumento é introduzido na canção, a poesia e o clipe.

Ultimo Romance talvez não seja a mais ouvida dos cariocas Los Hermanos (segunda mais executada no site "Last.fm"), mas todos os fãs a sabem de cor. E Rodrigo Amarante é mais um caso de "ame-o ou deixe-o", e qualquer que seja o motivo do desgosto, é inegável que foi o melhor nacional e o mais influente dos últimos dez anos. Essa música mostra muito bem que eles são muito mais que "Anna Júlia".

The Virgins ficou famoso depois de aparecer na série "Gossip Girl", e ainda tinham um álbum inteiro de músicas tão boas quanto para mostrar. Usaram da fama para divulgar o restante do trabalho e não fizeram feio: emplacaram na internet e na crítica com o um som funkeado único.

Whatever People Say I am, that's what I'm not é um ótimo exemplo de como estourar nos dias de hoje, de como usar as redes sociais a seu favor e como um "home-made cd" pode fazer milagres. Ah, é claro que as músicas são tão boas quanto o espírito empreendedor dos meninos de Sheffield.

The xx ainda tem muito o que mostrar. Logo no primeiro lançamento esse pessoal nos proporcionou uma capa extraodinária, uma tendência minimalista muito bacana. Obviamente que com apenas um álbum é difícil dizer muito sobre eles; fica a aposta.

Year Zero, da banda Nine Inch Nails, tem músicas muito boas, acima da média, de fato. O que merece meu apontamento por aqui, entretanto, é a trama que eles causaram para lançá-lo. Inventaram um "jogo", que teria sua história contada atravéz de cartazes, e-mails, MP3 e mais um monte de outras mídias que levariam a uns pen drives que tinham as músicas restantes desse cd para que os fãs circulassem os arquivos via internet. E ainda tem gente insistindo nas gravadoras usuais...

The Zookeeper's Boy é a melhor música do álbum "And the Glass Handed Kite", da banda norueguesa Mew. Quem disse que o rock progressivo morreu nos anos 80 e, o que temos agora é um bando de exibicionistas - o que é verdade na maioria dos caso -, deveria escutar esses caras. Diversas linhas de vocal, uma guitarra bem elaborada e uma bateria virtuosíssima. Essa música é estupenda.

(acho justo colocar os números no final)

19-2000 foi o primeiro hit do Gorillaz, banda de desenho animado encabeçada pelo Damon Albarn. O clipe promocional é épico e a música é simples e, ao mesmo tempo, cheia de detalhes. Parou em video-games, comerciais e teve remixes conhecidos nas pistas de dança.

Ufa, é isso! Faltou um monte de coisa de muito interessante e importante nessa década. Nem falei do Lucy and the Popsonics, do explosão de bandas como The Nationals, Phoenix e Justice só pela internet, do Mombojó e mais um monte de evento. No espaço para comentários, deixe aqui o que te marcou.

Abraços!

E ah, Feliz 2011... e 2012.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Década de A-Z (parte um)

Enquanto caminhamos para o fim da primeira década completa do terceiro milênio do calendário cristão, um bocado de gente elabora listas de "melhores e piores", um monte de desmiolados dizem que pouco aconteceu nesse período e, não rara as vezes, dizem que o que aconteceu foi horrível.

Apontarei, portanto, alguns dos destaques (a maioria positivos) dessa década que está prestes a acabar em ordem alfabética. Pelo sistema que adotarei, algumas injustiças ocorrerão. Peço desculpas desde já se aquele artista que você adora não for citado aqui, nem os meus consiguirão seu espaço neste post.

Isto são lembranças das minhas experiências, algumas mais conhecidas, outras mais underground mesmo; algumas que emocionaram a todos, e outros momentos totalmente particulares. Espero que gostem:

Amy Winehouse foi uma das artistas mais comentadas, mais ouvidas e mais inovadoras desses últimos tempos. Retomou o estilo old school de "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" (ou seria R&B) e trouxe um monte de gente para copiá-la.

Blue Orchid é uma das músicas mais legais da dupla The White Stripes. Assim como a maior parte do trabalho deles, essa música possui uma letra irônica, uma distorção crua, um tempo quebrado. Representa muito bem uma das melhores bandas dessa safra.

Coachella Festival é um dos roteiros obrigatórios para a consagração das bandas de peso internacional. Anual desde 2001, o evento já teve milhões de espectadores, rendeu bilhões e foi palco de quase todo meu iTunes. Sem contar com aquele papo sustentável super importante.

Danger Mouse é o produtor da década. E digo isso sem medo algum. Ele assinou trabalhos importantes, não em termos de venda, mas de qualidade: The Good, The Bad and The Queen, o álbum Dark Side of the Soul, Gnarls Barkley...todos trabalhos excepcionais.

Encore (álbum), do rapper Eminem, é um daqueles casos "Ame-o ou Deixe-o". Estou mais para admirador. Não cai na rotineira gangsta life que se tornou comum no hip-hop, nem se prendeu ao tradicionalismo repetitivo. Para quem conhece apenas o lado polêmico dele, vale a pena conferir.

Fuck You, expressão chula em inglês, foi cantada e poetizada diversas vezes, por novos "porra-loucas" em mensagem nas entrelinhas como Britney Spears, por gente reconhecidamente doidona como Lily Allen, por gente respeitada pela alta crítica como Cee-lo Green, até nos tribunais americanos - vide caso Metallica. Isso só mostra como todos eles conseguiram, atravéz da música, chamar atenção de todo mundo. Que tal não deixar mais isso acontecer na próxima década?

Game Theory é o sétimo trabalho de estúdio da banda de hip-hop The Roots. Apesar de não conhecer tanto do gênero, nunca ouvi algo que me agradasse tanto. Os arranjos são de um cuidado único, as letras abordam dezenas de temas, isso tudo buscando referência do rap do final dos anos 80 e início dos 90. Muito bom!

Hamilton de Holanda já estava nos palcos candangos desde meados dos anos 90, mas foi nessa primeira década dos 2000 que ele se consagrou não só como expoente brasileiro, mas também como ícone internacional, lançou seu melhor álbum, prêmios mais expressivos e ainda criou o bandolim de 10 cordas. Se tem alguém que representou bem a nova música feita por brasileiros, essa pessoa é Hamilton de Holanda.

Is this it é o álbum da década. Lançado em 2001, Strokes foram um dos pioneiros da pegada indie rocker que seria predominante na gênese das bandas de qualidade. A primeira capa também foi sensacional, sucesso de público e primeiro colocado em diversos rankings especializados.

Jools Holland conseguiu chegar ao programa 250 de sua série, sempre revelando novos artistas, trazendo nomes já reconhecidos e artistas de todos os lugares do mundo. Mesmo estando no ar desde 1992, merece um destaque por aqui pela sua persistente renovação e pelo permanecimento na Tv britânica mesmo após vários cortes de gastos.

Keen on Boys é fruto de uma banda sueca incrível e que recomendo uma busca por toda discografia, The Radio Dept., e está em um dos melhores soundtracks de todos os tempos: Marie Antoinette (2006, Sofia Coppola). Quem não conhece nem a banda nem o filme, vale a pena começar por essa música.

Lady Gaga, sim. A mulher explodiu nas pistas de dança, na internet, nos prêmios; criou polêmica para aparecer, cria as próprias músicas, recriou as megaproduções de clipes. Quer você (ou eu) goste ou não, por mais brega que ela seja, é um fenômeno. Há muito não tinhamos alguém tão interessante para comentar.

The Mummers é, na verdade, uma recomendação. Com pouca visibilidade até no público virtual, essa banda busca timbres inusitados, composições variadas e uma vocalista um tanto quanto diferente. Mostra quão plural foi a produção dessa década.

Napster teve sua ideia original interrompida em setembro de 2001, mas as consequências da troca de músicas virtualmente, de graça, mudou para sempre a história do comércio de qualquer propriedade cultural. Ao ponto de bandas lançarem primeiro em seus sites e depois em formato tradicional.

(continua no próximo post)

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