Eu já expressei minha admiração pelo atual cenário sueco vez ou outra por aqui antes, de maneira um tanto quanto discreta. E a pedidos de um irmão aniversariante e que é tão apaixonado quanto eu nesse pessoal.
O fato é que se você for muito a fundo, descobrir-se-á que há uma certa monotonia, uma semelhança chata com os grandes expoentes. Isso é natural de acontecer em qualquer grande cena, principalmente as de qualidade.
O primeiro estigma que quero tirar é que lá só existe banda de death metal retardado e o ABBA. E não necessariamente o pop é besta ou apenas músicas "pra dançar", este termo está muito mais vinculado com a complexidade harmônica, aceitação do grande público e mais um monte de filosofias que não vale tanto a pena explicar por agora.
Isso tudo para dizer que isso que será apresentado é uma dessas facetas do pop.
Hoje são três recomendações, começando com o mais genial de todos: Jens Lekman.
O cara escreve de maneira simples, sem deixar a veia poética de lado, utiliza hora de um arranjo simples, hora de instrumentação orquestrada. O mais importante é entender a flexibilidade e a amplitude do trabalho dele. O álbum "When I said that I wanted to be your dog" é maravilhoso.
Presta atenção na letra!
Uma dupla que faz um som bem bacana também é o "Suburban Kids with Biblical Names". Sim, o nome da banda é esse mesmo. E já é uma prévia do que está por vir, uma sonoridade descontraída, com letras que remete indiretamente ao mundo geek (em ascendente moda no mundo inteiro, vide o sucesso de "Big Bang Theory") e riffs que te acompanharão durante o dia e na hora de dormir. Eles têm alguns EP's lançados na internet, vale a pena procurar o #3.
Reparem na cara de nerd entediado que eles fazem...
Mudando um pouco de estilo, partindo para um pessoal mais baladeiro, temos dois grandes nomes que valem a pena serem citados. O primeiro fez um sucesso absurdo com single "Young Folks". Se você não se lembra, busque no google que rapidinho se recordará. Uma pena o reconhecimento deles ficar apenas nisso, vale conhecer o álbum "Writer's Block" de 2009.
O segundo vem criando o seu espaço nas melhores pistas de dança do mundo e nas melhores trilhas sonoras de filmes e jogos por aí. Desde o lançamento do álbum epônimo, Miike Snow têm conquistado a crítica de gente muito chata, tipo BBC e The Guardian, este dizendo que é a mistura de "A-Ha com Animal Collective". A grande característica das bandas suecas também aparece aqui, letras e arranjos simples, e algo que ecoe na sua cabeça durante um tempo considerável.
Clipe muito maneiro.
Espero ter instigado você, caro amigo e leitor, a curiosidade por essas bandas.
Abraços, e até o próximo post!
sábado, 27 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Ontem eu vi um mito

Não, não é exagero o título. Dentre vários shows, dos mais variados estilos e formas, inclusive de artistas internacionais de renome em que já tive o prazer de presenciar, no dia 18 de novembro eu vi, de fato, um mito. E não é mero fanatismo escrevendo aqui, conheço relativamente muito pouco do trabalho de Pepeu Gomes, apesar da minha admiração já existir.
Considerado um dos melhores guitarristas do mundo pela revista Guitar World, Pepeu me mostrou (e mais cerca de 300 ou 400 pessoas) o por que de tal posto.
Logo no início da apresentação, o rock domina as duas primeiras músicas. Essa introdução já te alertava o que ainda estava por vir, uma técnica incontestável, passeando pelo braço inteiro da guitarra, usando da velocidade na hora certa, de pausas, harmônicos e efeitos de pedais de forma tão natural que arrancava urros de reverência.
Mas isso, como ele mesmo diz, qualquer gringo faz. Eles (a banda era simplesmente fenomenal) estavam apenas aquecendo nesse começo rockeiro. Aí começa a genialidade:
Um choro com guitarra distorcida toma conta do Clube do Choro. As feições das pessoas ali presentes eram de não estarem acreditando no que estavam vendo, inclusive a minha. Era inacreditável a sonoridade que se passava, os timbres tão únicos - devido, entre outros fatores, àquela guitarra feita por um luthier que desconheço, mas que com certeza é muito bom no que faz - tornavam cada nota mais intensa e mais profunda que a anterior.
Logo antes do break, Pepeu e sua trupe puxam um pout-pourri do chorinho, um tributo à música brasileira; e nessa hora o show chega ao ápice. Carregando uma guitarra baiana, o cara conduz a platéia a reviver clássicos como "Lamentos", "Carinhoso", "Noites Cariocas", "Brasileirinho". Ok, o que tão genial tem nisso? Afinal, muitos já fizeram isso, certo? Errado, mudou-se o "como".
Partindo da maneira tradicional do chorinho, em uma progressão perfeita, ele mantém a estrutura principal e transforma num rock pautado numa cozinha (baixo e bateria) de baião! Vale salientar que se eu - e talvez todos os outros guitarristas do mundo - tentasse fazer isso o resultado seria desastroso. E isso tudo sem ficar com aquele gosto horrível de muitos artistas metidos a "brazucas" demais, caindo no clichè de um Brasil amazônico e somente possuidor de zambumba e samba.
Os aplausos duraram minutos, era o mínimo que poderíamos devolver a alguém que deixou em nossas memórias um dos sentimentos mais incríveis já sentidos, sentimento esse que apenas a música de alta qualidade pode proporcionar, e que só tendo presenciado alguma vez na vida para entender o que escrevo aqui - admito ainda estar um pouco atordoado com o que me aconteceu.
Então ele volta da pausa com duas bossas e um bolero em versão semi-acústica, reafirmando a diversidade brasileira e como saber explora-la. Organiza um coro improvisado do público em "Menino do Rio" antes de voltar para a guitarra. E quando volta, mostra uma nova faceta à apresentação, tocando duas salsas tão alegres e dançantes que foi dificílimo ficar parado, sentado num cadeira. A vontade de todos era de levantar e correr, dançar...tamanha sinceridade que estava sendo passada naqueles momentos.
O show termina com um rock funkeado, e uma sensação de "quero mais" eterno.
Não é ufanismo dizer que esse sujeito está entre os melhores guitarristas da história. O grande diferencial se encontra na versatilidade do repertório e da sabedoria de como usar o virtuosismo no momento certo e quando deixar uma nota soar, qualidades quase que esquecidas na maioria dos grandes nomes usuais.
Viva o rock! Viva o chorinho! Viva o Brasil! Viva o nosso mito: Pepeu Gomes!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Post Extraodinário
Bom, admito minha admiração pela voz e pelas canções da única grande "rockeira" da atualidade (no conceito do Slash de Sexo, Drogas e Música): Amy Winehouse. Por isso o post extraodinário de hoje.
E é deprimente ver o estado em que ela chegou, mas como não estou aqui para expressar juízo de valor, somente apresento uma música nova dela. Provavelmente estará em seu próximo álbum, com data prevista para 2011 apenas.
Eu gostei bastante...
Abraços!
E é deprimente ver o estado em que ela chegou, mas como não estou aqui para expressar juízo de valor, somente apresento uma música nova dela. Provavelmente estará em seu próximo álbum, com data prevista para 2011 apenas.
Eu gostei bastante...
Abraços!
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
PS: Halloween
Desde já peço desculpas por um lapso de atenção no último post: nada falei dos mortos-vivos! Criaturas mais que presentes no Halloween, presentes no limiar entre o nosso mundo e a pós-vida, e que a história já dá sua importância a eles.
A primeira a ser lembrada aqui é a Joni Mitchell. De volta ao movimento hippie, com uma voz suave e ao mesmo tempo poderosa, de lirismo simples e arranjos idem, a canadense encantava a todos que a dessem ouvidos por alguns segundos. É com certeza a precursora dessa leva - um tanto quanto enjoativa - de compositoras como Florence and The Machine, She & Him, Fiona Apple, Kate Nash e afins. Mesmo gostando da maioria delas, admito que a originalidade não é o forte desse pessoal. Hoje em dia ela não tem grandes projetos ou aparições (zumbi). Para quem não conhece, vale a pena começar com Blue (1971). O vídeo é auto-explicativo:
Muito bonito.
Há quem diga que ele não é de fato um zumbi, mas um imortal. Não entrando no mérito da dúvida de como ele ainda respira, Iggy Pop é uma figura memorável não só para o rock, mas também para a cultura pop (se é que a diferença é tanta assim). E por ele ser uma figura muito conhecida, pouca gente o conhece de fato.
Pode parecer um pensamento confuso, mas faz sentido. Muitas coisas caem no senso comum; e por mais óbvio que isso possa ser, começamos a conhecer cada vez menos desse objeto. Exemplo dessa "teoria" é Iggy Pop. São poucos que nunca ouviram falar dele, sabem uma ou outra música dele, mas seus trabalhos mesmo não são tão explorados quanto merecem - pelo menos hoje em dia. É impossível falar de punk e tudo o que veio com isso sem citá-lo. Na internet é fácil de achar os melhores álbuns do Iggy, tanto com os Stooges quanto solo (fujam do mais recente dele, fica a dica).
Excêntrico, perfomático, doido, drogado...chame do que quiser:
Já viram "Trainspotting"?
Agora que já vimos os zumbis, acho justo terminar esses posts de Dia das Bruxas.
Até a próxima!
A primeira a ser lembrada aqui é a Joni Mitchell. De volta ao movimento hippie, com uma voz suave e ao mesmo tempo poderosa, de lirismo simples e arranjos idem, a canadense encantava a todos que a dessem ouvidos por alguns segundos. É com certeza a precursora dessa leva - um tanto quanto enjoativa - de compositoras como Florence and The Machine, She & Him, Fiona Apple, Kate Nash e afins. Mesmo gostando da maioria delas, admito que a originalidade não é o forte desse pessoal. Hoje em dia ela não tem grandes projetos ou aparições (zumbi). Para quem não conhece, vale a pena começar com Blue (1971). O vídeo é auto-explicativo:
Muito bonito.
Há quem diga que ele não é de fato um zumbi, mas um imortal. Não entrando no mérito da dúvida de como ele ainda respira, Iggy Pop é uma figura memorável não só para o rock, mas também para a cultura pop (se é que a diferença é tanta assim). E por ele ser uma figura muito conhecida, pouca gente o conhece de fato.
Pode parecer um pensamento confuso, mas faz sentido. Muitas coisas caem no senso comum; e por mais óbvio que isso possa ser, começamos a conhecer cada vez menos desse objeto. Exemplo dessa "teoria" é Iggy Pop. São poucos que nunca ouviram falar dele, sabem uma ou outra música dele, mas seus trabalhos mesmo não são tão explorados quanto merecem - pelo menos hoje em dia. É impossível falar de punk e tudo o que veio com isso sem citá-lo. Na internet é fácil de achar os melhores álbuns do Iggy, tanto com os Stooges quanto solo (fujam do mais recente dele, fica a dica).
Excêntrico, perfomático, doido, drogado...chame do que quiser:
Já viram "Trainspotting"?
Agora que já vimos os zumbis, acho justo terminar esses posts de Dia das Bruxas.
Até a próxima!
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