segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Silêncio!!

(Peço desculpas pela frequência de postagens ter abaixado. O ano letivo começou com certo vigor e meu empenho por aqui acabou sendo prejudicado. Mas como quem é vivo sempre aparece...cá estou!)

Hoje eu me apoiarei na filosofia, mais especificamente na cartesiana. Pode parecer meio abstrato, mas vale a pena a reflexão.

Renè Descartes, de volta à 1600 e alguma coisa, em cartas para a rainha Elizabeth, disserta sobre os níveis de conhecimento, racionalidade e como atingir tais patamares intelectuais. Trocando em miúdos, diz que é benéfico ao bom "pensador" que passe um tempo sem pensar, vez ou outra. Isso mesmo, o descanso faz parte do crescimento, segundo ele.

Esse pensamento já é utilizado em manuais para pré-vestibulandos, para atletas, tanto de ponta, quanto de finais de semana e agora proponho aqui para apreciadores de música. Morando numa cidade grande, é usual nos acostumarmos como um monte de ruídos - ar condicionado, o seu PC com o cooler sujo, o carro passando lá fora, a TV ligada em outro cômodo, etc - até chegar num ponto que pouco interferem no nosso campo auditivo. Adicionado a isso, vem o nosso iTunes para encrementar a farra sonora.

O resultado disso é quase a equivalência do que escutamos com ruídos usuais. Está ali tocando, contudo, é como se fizesse parte da poluição que te cerca. Isso acontece sempre? Não. O importante aqui é termos consciência desse fenômeno e simplesmente tentar minimizar a ocorrência desse efeito - que é mais fácil de acontecer do que imaginamos. Não abrir seu iTunes por um dia, ou não ligar o rádio do carro ou até mesmo não falar podem mudar o valor atribuído a cada acorde depois.

Um exemplo dos resultados desse "break" está na história do artista americano Bob McFerrin. A fim de aprimorar seu ouvido e das habilidades com os sons corporais, o cara se isolou num quarto e passou um ano sem escutar mais nada. Não apoio atitudes extremistas, mas essa foi genial. E se passássemos 10 minutos por dia tentando escutar os sons que nos rondam? O importante é dar mais valor àquilo que escutamos.

Outro exemplo extremista da relação silêncio/música seria as "loucuras" - se é que podemos assim chamar - de John Cage e seu recital 4'33'' . Ele simplesmente fez uma peça do silêncio. Fica mais abstrato do que já é se eu continuar falando. Fica aqui uma mostra muito bem representada:



Genial? Não é música? O silêncio te incomodou?

Eita Descartes...

Abraços!

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