Feliz Dia das Bruxas!
As recomendações de hoje seguirão o clima de Halloween, com dois artistas que já morreram mas que a presença deles está mais viva que nunca - digo musicalmente, ok?!
Muitas das bandas veneradas dos dias de hoje puxam inspiração de Ian Curtis, líder do Joy Division. Não se assuste se descobrir por aqui que Interpol não é tão original assim, que "Shadowplay" não é do Killers, e essa voz desleixada e grave já era usada nos anos 70. Principalmente nas bandas inglesas, os ouvidos mais atentos percebem a bateria marcial aqui, o baixo retilínio acolá e os riffs grudentos de teclado e guitarra em quase todas as bandas mais pedidas. Quem não conhece está atrasado. Mas não se preocupe caso a carapuça tenha servido, antes tarde do que nunca e fico feliz em te apresentar. Para os que conhecem, se já não perceberam, tente reconhecer as semelhanças com Editors, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, The Nationals, The Strokes...
o audio está meio ruim...
Agora assita isso:
Reciclagem, a gente se vê por aqui.
Outra perda para a música, essa mais recente, é Elliot Smith. O americano fazia com brilhantismo esse folk rock que tenta se reerguer no grande público, sem cair na melancolia barata ou no experimentalismo típico de gente que quer ser artista demais. A influência dele ainda não aparece com tanta força - numa análise macro do que acontece-, mas não demorará e teremos artistas se consagrando com um arranjo disfarçado de Smith. Para quem não conhece, inicie com o álbum "Either/Or" de 1997.
So, Trick or Treat? Tem gente que gosta mesmo é de se fantasiar.
domingo, 31 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Silêncio!!
(Peço desculpas pela frequência de postagens ter abaixado. O ano letivo começou com certo vigor e meu empenho por aqui acabou sendo prejudicado. Mas como quem é vivo sempre aparece...cá estou!)
Hoje eu me apoiarei na filosofia, mais especificamente na cartesiana. Pode parecer meio abstrato, mas vale a pena a reflexão.
Renè Descartes, de volta à 1600 e alguma coisa, em cartas para a rainha Elizabeth, disserta sobre os níveis de conhecimento, racionalidade e como atingir tais patamares intelectuais. Trocando em miúdos, diz que é benéfico ao bom "pensador" que passe um tempo sem pensar, vez ou outra. Isso mesmo, o descanso faz parte do crescimento, segundo ele.
Esse pensamento já é utilizado em manuais para pré-vestibulandos, para atletas, tanto de ponta, quanto de finais de semana e agora proponho aqui para apreciadores de música. Morando numa cidade grande, é usual nos acostumarmos como um monte de ruídos - ar condicionado, o seu PC com o cooler sujo, o carro passando lá fora, a TV ligada em outro cômodo, etc - até chegar num ponto que pouco interferem no nosso campo auditivo. Adicionado a isso, vem o nosso iTunes para encrementar a farra sonora.
O resultado disso é quase a equivalência do que escutamos com ruídos usuais. Está ali tocando, contudo, é como se fizesse parte da poluição que te cerca. Isso acontece sempre? Não. O importante aqui é termos consciência desse fenômeno e simplesmente tentar minimizar a ocorrência desse efeito - que é mais fácil de acontecer do que imaginamos. Não abrir seu iTunes por um dia, ou não ligar o rádio do carro ou até mesmo não falar podem mudar o valor atribuído a cada acorde depois.
Um exemplo dos resultados desse "break" está na história do artista americano Bob McFerrin. A fim de aprimorar seu ouvido e das habilidades com os sons corporais, o cara se isolou num quarto e passou um ano sem escutar mais nada. Não apoio atitudes extremistas, mas essa foi genial. E se passássemos 10 minutos por dia tentando escutar os sons que nos rondam? O importante é dar mais valor àquilo que escutamos.
Outro exemplo extremista da relação silêncio/música seria as "loucuras" - se é que podemos assim chamar - de John Cage e seu recital 4'33'' . Ele simplesmente fez uma peça do silêncio. Fica mais abstrato do que já é se eu continuar falando. Fica aqui uma mostra muito bem representada:
Genial? Não é música? O silêncio te incomodou?
Eita Descartes...
Abraços!
Hoje eu me apoiarei na filosofia, mais especificamente na cartesiana. Pode parecer meio abstrato, mas vale a pena a reflexão.
Renè Descartes, de volta à 1600 e alguma coisa, em cartas para a rainha Elizabeth, disserta sobre os níveis de conhecimento, racionalidade e como atingir tais patamares intelectuais. Trocando em miúdos, diz que é benéfico ao bom "pensador" que passe um tempo sem pensar, vez ou outra. Isso mesmo, o descanso faz parte do crescimento, segundo ele.
Esse pensamento já é utilizado em manuais para pré-vestibulandos, para atletas, tanto de ponta, quanto de finais de semana e agora proponho aqui para apreciadores de música. Morando numa cidade grande, é usual nos acostumarmos como um monte de ruídos - ar condicionado, o seu PC com o cooler sujo, o carro passando lá fora, a TV ligada em outro cômodo, etc - até chegar num ponto que pouco interferem no nosso campo auditivo. Adicionado a isso, vem o nosso iTunes para encrementar a farra sonora.
O resultado disso é quase a equivalência do que escutamos com ruídos usuais. Está ali tocando, contudo, é como se fizesse parte da poluição que te cerca. Isso acontece sempre? Não. O importante aqui é termos consciência desse fenômeno e simplesmente tentar minimizar a ocorrência desse efeito - que é mais fácil de acontecer do que imaginamos. Não abrir seu iTunes por um dia, ou não ligar o rádio do carro ou até mesmo não falar podem mudar o valor atribuído a cada acorde depois.
Um exemplo dos resultados desse "break" está na história do artista americano Bob McFerrin. A fim de aprimorar seu ouvido e das habilidades com os sons corporais, o cara se isolou num quarto e passou um ano sem escutar mais nada. Não apoio atitudes extremistas, mas essa foi genial. E se passássemos 10 minutos por dia tentando escutar os sons que nos rondam? O importante é dar mais valor àquilo que escutamos.
Outro exemplo extremista da relação silêncio/música seria as "loucuras" - se é que podemos assim chamar - de John Cage e seu recital 4'33'' . Ele simplesmente fez uma peça do silêncio. Fica mais abstrato do que já é se eu continuar falando. Fica aqui uma mostra muito bem representada:
Genial? Não é música? O silêncio te incomodou?
Eita Descartes...
Abraços!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Músicas que marcam
A música talvez seja a arte que marque mais facilmente e mais rapidamente os momentos da vida de uma pessoa. Inclusive abrangendo em outras artes, como no cinema. Muitas cenas não seriam tão empolgantes assim sem aquela brilhante trilha sonora; só para exemplificar: cena do esfaqueamento de Psicose, cena das escadas em Rocky "algum número" ou até mesmo a falta de fundo musical.
O mais impressionante dessa conversa é que as vezes o motivo para registrar na sua memória são os mais banais, não necessariamente gostando da música, querer escutar tal faixa naquele momento e até mesmo tanto fazer o que estar a tocar, mas o artista a interpretá-la.
Outro aspecto muito curioso deste tópico é o fato das barreiras do preconceito ou da discriminação não influenciarem tanto. Digo isso porque se não for de agrado do ouvinte, a situação fica ainda mais memorável (experiência própria). Nesse caso esdrúxulo, lembro-me claramente o meu primeiro contato com a Lacraia. Sim, querido leitor, isso marcou minha vida. Era minha chegada numa pacata praia no Espírito Santo, Meaípe, após algumas horas de viagem e me deparo com aquele apanhado de sons (recuso-me a chamar de música), e aquela visão de praia lotada, na hora foi deprimente, hoje é cômico. Inclusive me faz lembrar com riqueza de detalhes tal experiência.
Minha mãe é um dos exemplos mais incríveis desse fenômeno. No final do delicado parto de meu irmão, "Canção da América" do Milton Nascimento preenche a sala de parto, dando um monte de significação para a trilha e mais beleza ao início de mais uma vida.
Um último caso que gostaria de narrar aqui teve começo na minha reprovação no vestibular 1º/2010 da UnB. No exato instante que vi o resultado, tocava "Smells Like a Teen Spirit". E aquilo acompanhou o meu choro e a depressão que tomou minha casa. Após um semestre de pré-vestibular, muito esforço, um blog (http://51diasparaunb.blogspot.com), a recompensa veio. Com a aprovação, veio também trote. O mais impressionante acontece agora: enquanto voltava para casa depois de terem me sujado todo, o shuffle do iPod decide tocar "Smells Like a Teen Spirit" novamente, como se desse fim a um ciclo.
Todos nós temos diversas histórias para contar, e reparem, muitas delas tem música como parte significante. Vale até primeiro beijo, entrada no casamento, aquela de todo mundo reunido em alguma formatura...
Abraços!
PS: meu número de posts realmente reduziram, as férias acabaram né?!
O mais impressionante dessa conversa é que as vezes o motivo para registrar na sua memória são os mais banais, não necessariamente gostando da música, querer escutar tal faixa naquele momento e até mesmo tanto fazer o que estar a tocar, mas o artista a interpretá-la.
Outro aspecto muito curioso deste tópico é o fato das barreiras do preconceito ou da discriminação não influenciarem tanto. Digo isso porque se não for de agrado do ouvinte, a situação fica ainda mais memorável (experiência própria). Nesse caso esdrúxulo, lembro-me claramente o meu primeiro contato com a Lacraia. Sim, querido leitor, isso marcou minha vida. Era minha chegada numa pacata praia no Espírito Santo, Meaípe, após algumas horas de viagem e me deparo com aquele apanhado de sons (recuso-me a chamar de música), e aquela visão de praia lotada, na hora foi deprimente, hoje é cômico. Inclusive me faz lembrar com riqueza de detalhes tal experiência.
Minha mãe é um dos exemplos mais incríveis desse fenômeno. No final do delicado parto de meu irmão, "Canção da América" do Milton Nascimento preenche a sala de parto, dando um monte de significação para a trilha e mais beleza ao início de mais uma vida.
Um último caso que gostaria de narrar aqui teve começo na minha reprovação no vestibular 1º/2010 da UnB. No exato instante que vi o resultado, tocava "Smells Like a Teen Spirit". E aquilo acompanhou o meu choro e a depressão que tomou minha casa. Após um semestre de pré-vestibular, muito esforço, um blog (http://51diasparaunb.blogspot.com), a recompensa veio. Com a aprovação, veio também trote. O mais impressionante acontece agora: enquanto voltava para casa depois de terem me sujado todo, o shuffle do iPod decide tocar "Smells Like a Teen Spirit" novamente, como se desse fim a um ciclo.
Todos nós temos diversas histórias para contar, e reparem, muitas delas tem música como parte significante. Vale até primeiro beijo, entrada no casamento, aquela de todo mundo reunido em alguma formatura...
Abraços!
PS: meu número de posts realmente reduziram, as férias acabaram né?!
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