Os seres humanos são, por essência, apegados demais com tudo aquilo que é bom e tendem a não admitir que tudo o que começa um dia acaba (Renato Russo ainda tinha pena de 'vocês'). A diferença de grandes projetos é saber quando e como terminar. Isso abrange também para o quesito drogas, comum no meio artístico como um todo.
Bandas que não aceitam que envelheceram além de se tornar enjoativas, tornam-se também pedra no caminho da molecada que têm muito a mostrar ainda. A questão não é terminar mero e simplesmente por que chegaram aos 30 anos de carreira, mas sacar que não há mais progresso. Pessoal que esqueceu de fazer isso mesmo com com a saída/morte de uma pancada de integrantes foi o Titãs. A carreira dos caras é brilhante, mas num dá mais! Arnaldo, Nando, Charles deram no pé, Marcelo morreu...e eles continuam rastejando por palcos e estúdios, fazendo trabalhos apenas de comemoração de 500² anos de estrada e músicas novas sem tempero algum.
Outros que já deveriam ter aposentado são os candangos do Capital Inicial. Os dois principais compositores deles não os acompanham mais, Kiko e Renato, Loro Jones pulou fora quando viu que o fim trágico era inevitável. Sei que é politicamente errado brincar com isso, mas aquele acidente com o Dinho Ouro-Preto no início do ano foi um pedido de Deus para parar. Virou apenas mais uma história de superação. Da mesma cidade temos Plebe Rude, que só conseguiu gravar um disco meia-boca e nunca mais, e ainda continuam ensebando o cenário regional.
Esse apego não é só nacional, vimos recentemente com outra banda que adoro, os Stones Temple Pilots, tentando continuar e pagando vexame. O temperamento bipolar devido às imensas quantidades de drogas do vocalista Scott Weiland tornam as apresentações um lixo. Semana passada ele despenca do palco e sua voz continua cantando perfeitamente, corroborando com uma suspeita de playback. Outro que também se afunda em drogas e não larga de torrar nossa paciência é o ex-líder do The Libertines, Pete Doherty.
Esse segundo exemplo agora se apresenta sozinho com seu violão (por ninguém mais tolera-lo), em aparições raras e toscas. Clínicas de reabilitação do mundo inteiro já tiveram entrada dele, mas não adianta. Não querendo fazer um discurso moralista, mas drogas misturadas com profissionalismo não dão certo. As pessoas não conhecem seus limites e acabam arruinando carreiras (com perdão do trocadilho) não só delas próprias, mas às vezes de amigos e companheiros idem. São vários exemplos que após esse envolvimento fatal destruíram ótimos trabalhos, não necessariamente com overdose e morte:
Amy Winehouse - seus últimos shows foram horríveis, atualmente tenta produzir um novo álbum que, de tanta complicação, está fadado ao fracasso;
Os Mutantes - com tanto ácido na cabeça, era inevitável uma briga que renderia na saída da Rita Lee, na mudança de sonoridade e em um final de gravações péssimas;
Aerosmith - Steven Tyler e Joe Perry estão velhos, não aguentam mais meia dose de whiskey, mas continuam no maior clichè "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" e estão para se matar. Coisa nova deles nem pensar...turnê com pontapés e trocas de gentilezas no palco.
New Order - implacaram ainda na áurea do Ian Curtis, gravaram um segundo álbum excelente, depois se perderam nos egos e drogas. Não foram tão mais brilhantes desde então.
Barão Vermelho - sustentaram-se por um tempo ainda nos ventos de Cazuza (outro que não soube parar no final) e hoje estão no clube dos DVD's 'especiais'. Qual música deles é no mínimo perto das músicas do disco 'Maior Abandonado'?
Green Day - apenas escute as músicas novas e comparem com as da época do 'Dookie'. A diferença é absurda. A tentativa de falar de política e sociedade falhou para eles. Ou voltam para o que era antes ou podiam aposentar também.
Isso sem contar com os fins trágicos de John Bonham, Keith Moon, Jimi Hendrix, Cássia Eller, Kurt Cobain...
Contra-exemplos para confirmar como o fim pode não ser tão ruim assim, e mais, pode ser o bom início de belos projetos:
Beatles - o fim era inevitável, mas daí gravar 'Abbey Road' e 'Let it be', com direito a gig surpresa é saber acabar. Todos os integrantes fizeram trabalhos ótimos depois da implosão;
Damon Albarn - toda vez que sentia que era melhor parar, ele começava algo novo. Nunca vi um projeto dele ruim;
The Strokes - a situação estava meio complicada com Julian Casablancas e seu alcoolismo. Separaram por um tempo...cada um gravou seus 'solos', diminuíram, assim, o ego usual de bandas muito boas...trataram de suas patologias...e estão de volta firme e forte;
Radiohead - mesmo com vinte e tantos anos de chão continuam a produzir coisas inovadoras. Cada um tem seu projeto solo para maiores pretensões, os fãs ficam felizes e os integrantes também.
Poderia citar bilhões de outros artistas nas duas categorias, mas o que realmente quero passar aqui é: Você ainda vai continuar dando grana para artistas antiquados? Vai continuar aplaudindo canções de trinta anos? A situação só está desse jeito porque tem alguém sustentando. Ou vamos clamar por inovações? Que tal conhecer também o que está acontecendo na juventude? Ou até mesmo produzir algo novo? Pense nisso na hora de consumir música.
Artistas do mundo, saibam o quanto seus corpos aguentam! E saibam quando o som não está legal e parem. Pelo menos mudem de nome, endereço, parceiros, profissão...
Abraços!
Nenhum comentário:
Postar um comentário