Há quem diga que são feitos apenas para mascarar a péssima qualidade do artista e que isso facilita o trash pop. Ainda culpam emissoras como a MTv por exibirem - pelo menos há um tempo atrás - videoclipes e, com isso, acabando com o gosto jovem. Acho uma visão muito extrema.
Sou daqueles que reconhece como uma poderosa arma de divulgação e, como qualquer merchandise, apela para diversos recursos para conseguir vender um produto, podendo inclusive te prender ao máximo a "historinha" do clipe e te fazer esquecer da música. Mas não vejo isso como via de regra.
Os primeiros a pensarem de forma diferente a relação câmera/música/artistas foram os grandes vanguardistas The Beatles. É bom diferenciar aqui, primeiro, que o mero fato de registrar a banda tocando não significa como um videoclipe mesmo; o que quero dizer aqui é: existem gravações do Bo Didley tocando nos anos 50, mas o primeiros a usarem isso como nova forma de divulgação e começar a pensar nisso como arte também foi o quarteto inglês. Eles começaram de forma tímida, botando Ringo Starr para correr numa bicicleta ergométrica enquanto o restante tocava e, fizeram uma versão alternativa deles comendo o tradicional Fish & Chips ao som de I Feel Fine.
Nos anos 70 os clipes ainda eram muito pouco utilizados e porcamente produzidos. Basicamente gravação da banda tocando em algum lugar esquisito ou com um plano saturado de tão colorido. Só em meados dos anos 80 com uma certa "evolução" tecnológica que veríamos algum progresso.
Era o boom da MTv e dos grandes investimentos nos videoclipes. Apesar de hoje quase todos parecerem muito brega, foram muito importante. Alguns ainda valiam a pena, tipo Take on Me do A-Ha - com aquele desenho em P&B riscado, interagindo o quadrinho (ficção) com a moça (realidade) - e Boys Don't Cry do The Cure - naquela brilhante ideia de botar crianças representando os membros originais, apenas sombras agora - mas era em sua maioria deprimente. O auge dessa época vem obviamente com Thriller do Michael Jackson. Alavancou a carreira dele ainda mais, fez com que os artistas começassem a pensar no que mais tarde também seria chamado de PromoVid - videos promocionais. Trocando em miúdos, um verdadeiro sucesso.
Desde então a qualidade dá um salto incrível e, nos anos 90 as coisas começam a ficar realmente interessante. Tudo bem que aquele frisson que rolava numa estreia do Dire Straits acabou, mas a importância ainda se mantinha. Os produtores viram também que as vezes não era necessário tanto investimento para fazer dar certo um videoclipe e que não era regra os o clipes terem muito a ver com a letra em si. Vimos então R.E.M com produções super bacanas, Radiohead idem. Foi no final nessa década também que vimos um certo declínio do interesse do público, infelizmente.
Em meio esfriamento dos ânimos, o gênio Damon Albarn cria um projeto que apostava muito no poder da imagem e da divulgação de clipes: Gorillaz. E por incrível que pareça, deu certo. Apostou na divulgação virtual, na banda imaginária totalmente bizarra e, obviamente, não deixou o lado musical - o mais importante, no final das contas - de lado. Ainda mais com o aparecimento do Youtube, outras bandas voltaram a investir pesado nessa ferramenta, caso do OK Go, conhecidos por webhits inusitados (como o clipe da esteira).
Ainda mais recentemente, temos o Maroon 5 e a parceria de Lady Gaga com Beyoncé produzindo verdadeiras obras hollywoodianas, bem ao estilo Michael Jackson com os clipes dele, dentro de cada tempo, obviamente. Gosto de ver esse talvez ressurgimento dos videoclipes, nada mais é que uma outra forma de arte e por isso merecem um certo espaço.
Colocarei aqui alguns clipes que eu curto bastante, talvez nem sejam os melhores de todos os tempos segundo especialistas de algum site ou revista importante, mas valem conferir.
Abraços!
Estilo comercial do VH1, hehe. Você consegue reconhecer todos os artistas?
Um nacional para entrar no post.
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