Na recomendação dessa semana falarei de uma mistura implacável: Jazz + Trompete. Sei que soarei tendencioso agora, mas não vejo instrumento de sopro tão expressivo quanto o trompete, principalmente para o jazz. Talvez por causa de minha criação onde Dizzy Gillespie e Miles Davis eram ouvidos incessavelmente.
Recomendarei dois artistas sensacionais e não tão óbvios assim, mais por inconveniência da história do que por incompetência deles. Apesar do reconhecimento da crítica e de boa parcela do público do "gênero", ainda os vejo como integrantes do grupo "não tão lembrados assim".
O primeiro faz parte da época da supremacia das big bands e do swing. Louis Prima era de família italiana e trazia todo o calor de um sangue latino para suas músicas. Além de exímio trompetista, cantava e liderava sua orquestra em apresentações memoráveis. Muitos não o conhecem, o que é uma pena.
Confira "Just a gigolo", dele também.
A segunda recomendação é Chet Baker. Um dos ícones do cool jazz, afundou-se em heroína a maior parte de sua carreira, o que prejudicou muito não só alguns de seus trabalhos, mas também sua aparência. Seu trompete é muito profundo e intenso, realmente passa tudo o que o artista sente. Posto aqui um video dele cantando - fato que foi um erro em termos de qualidade - o hit Time After Time.
No youtube não tem tantos videos bons dele, tente outras fontes na hora de procurar coisa dele.
Abraços!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Questão de Cena
O universo das artes em geral é, normalmente, conduzido por uma certa ideologia - barata ou não - e algumas características comuns aos adeptos do movimento que se evidencia na época de cada ser. A união de vários artistas com o mesmo intuito, sendo essa organização voluntária ou não, dá força ao que chamamos de cena. Repare, contudo, que esse objetivo não significa que a forma de abordagem será idêntica, no máximo semelhante (para bons exemplos, obviamente).
Tudo começa com a inquietação por parte de algumas pessoas de querer mudar o que estava em vigor, com ascensão do novo. A talvez primeira grande ruptura tenha ocorrido com Elvis Presley nos anos 50, quando a segregação racial americana se mostrava até nas músicas. Aí me chega um branquelo, com voz de negro, cantando uma mistura de country com o jazz e blues, sem contar as danças super provocantes para o terror dos pais de garotas. E com ele vem uma lista enorme de gente botando os paradigmas de até então abaixo. Trabalho esse que depois os Beatles e os Stones fariam no Reino Unido um pouco mais tarde.
Nesse exemplo a ideologia nem era o forte, apenas o fato de querer se divertir com o que é bom, independente de quem faça ou como. Parece coisa de adolescente revoltado com o mundo, mas foi o início do fim das barreiras inter-sociais - não que ela tenha se extinguido.
No Brasil, também temos bons exemplos, citarei um no qual me identifico mais: o Rock Brasil dos anos 80. Não são bandas com os estilos tão parecidos assim, mas que, apesar de vez ou outra caírem no lirismo, tinham bastante presente nas letras a crítica socio-política - reflexo do fim da ditadura militar. Acontece um pouco depois em Seatle o surgimento do movimento grunge, que tinham muito mais a vontade de resgatar o garage rock e uma certa melancolia do que semelhança sonora entre seus expoentes.
Onde quero chegar com esse todo blábláblá aqui é: hoje em dia, principalmente no Brasil, a falta de uma organização - ou até mesmo companherismo entre as bandas - faz com que o sertanejo continue sendo best seller desde o fim dos anos 80 lá com o Chitãozinho & Xororó, e o axé continue arrastando multidões desde meados dos 90; fatos esses fenomenais, "nunca na história desse mundo contemporâneo" um estilo ficou tanto tempo no topo.
Com toda essa pluralidade de sonoridades, ninguém consegue realmente seguir uma tendência de contra-posição ao velho, e querer mudar não significa odiar o que estava até então, mas reconhecer como bom apenas na sua devida época. Veja como as uniões de pensamento dão certo: emocore é uma explosão, os caras me criam toda uma cena por volta da necessidade do público jovem de falar de amor (por que Raimundos e Mamonas não eram tão românticos assim né?!) e bem ou mal, deram certo, pelo menos ganharam dinheiro. Mesma história desses muleques do Happy Rock, dos punks nos anos 70, e até da atual cena pop sueca - se você quiser ir muito longe.
O que falta hoje é organização, um pouco mais de profissionalismo, ideologia (por mais podre que ela seja) e um pouco de conhecimento histórico também não faria mal. Se o que acontece de novo fica restrito ao público independente/alternativo, algo está de errado. Termino o post de hoje com um pensamento de Chico Science:
"É nos organizando que vamos desorganizar"
Abraços!
PS: como citei bandas suecas, fica aqui duas sugestões ótimas: Jens Lekman e Suburban Kids with Biblical Names
Tudo começa com a inquietação por parte de algumas pessoas de querer mudar o que estava em vigor, com ascensão do novo. A talvez primeira grande ruptura tenha ocorrido com Elvis Presley nos anos 50, quando a segregação racial americana se mostrava até nas músicas. Aí me chega um branquelo, com voz de negro, cantando uma mistura de country com o jazz e blues, sem contar as danças super provocantes para o terror dos pais de garotas. E com ele vem uma lista enorme de gente botando os paradigmas de até então abaixo. Trabalho esse que depois os Beatles e os Stones fariam no Reino Unido um pouco mais tarde.
Nesse exemplo a ideologia nem era o forte, apenas o fato de querer se divertir com o que é bom, independente de quem faça ou como. Parece coisa de adolescente revoltado com o mundo, mas foi o início do fim das barreiras inter-sociais - não que ela tenha se extinguido.
No Brasil, também temos bons exemplos, citarei um no qual me identifico mais: o Rock Brasil dos anos 80. Não são bandas com os estilos tão parecidos assim, mas que, apesar de vez ou outra caírem no lirismo, tinham bastante presente nas letras a crítica socio-política - reflexo do fim da ditadura militar. Acontece um pouco depois em Seatle o surgimento do movimento grunge, que tinham muito mais a vontade de resgatar o garage rock e uma certa melancolia do que semelhança sonora entre seus expoentes.
Onde quero chegar com esse todo blábláblá aqui é: hoje em dia, principalmente no Brasil, a falta de uma organização - ou até mesmo companherismo entre as bandas - faz com que o sertanejo continue sendo best seller desde o fim dos anos 80 lá com o Chitãozinho & Xororó, e o axé continue arrastando multidões desde meados dos 90; fatos esses fenomenais, "nunca na história desse mundo contemporâneo" um estilo ficou tanto tempo no topo.
Com toda essa pluralidade de sonoridades, ninguém consegue realmente seguir uma tendência de contra-posição ao velho, e querer mudar não significa odiar o que estava até então, mas reconhecer como bom apenas na sua devida época. Veja como as uniões de pensamento dão certo: emocore é uma explosão, os caras me criam toda uma cena por volta da necessidade do público jovem de falar de amor (por que Raimundos e Mamonas não eram tão românticos assim né?!) e bem ou mal, deram certo, pelo menos ganharam dinheiro. Mesma história desses muleques do Happy Rock, dos punks nos anos 70, e até da atual cena pop sueca - se você quiser ir muito longe.
O que falta hoje é organização, um pouco mais de profissionalismo, ideologia (por mais podre que ela seja) e um pouco de conhecimento histórico também não faria mal. Se o que acontece de novo fica restrito ao público independente/alternativo, algo está de errado. Termino o post de hoje com um pensamento de Chico Science:
"É nos organizando que vamos desorganizar"
Abraços!
PS: como citei bandas suecas, fica aqui duas sugestões ótimas: Jens Lekman e Suburban Kids with Biblical Names
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A Magia dos Clipes
Há quem diga que são feitos apenas para mascarar a péssima qualidade do artista e que isso facilita o trash pop. Ainda culpam emissoras como a MTv por exibirem - pelo menos há um tempo atrás - videoclipes e, com isso, acabando com o gosto jovem. Acho uma visão muito extrema.
Sou daqueles que reconhece como uma poderosa arma de divulgação e, como qualquer merchandise, apela para diversos recursos para conseguir vender um produto, podendo inclusive te prender ao máximo a "historinha" do clipe e te fazer esquecer da música. Mas não vejo isso como via de regra.
Os primeiros a pensarem de forma diferente a relação câmera/música/artistas foram os grandes vanguardistas The Beatles. É bom diferenciar aqui, primeiro, que o mero fato de registrar a banda tocando não significa como um videoclipe mesmo; o que quero dizer aqui é: existem gravações do Bo Didley tocando nos anos 50, mas o primeiros a usarem isso como nova forma de divulgação e começar a pensar nisso como arte também foi o quarteto inglês. Eles começaram de forma tímida, botando Ringo Starr para correr numa bicicleta ergométrica enquanto o restante tocava e, fizeram uma versão alternativa deles comendo o tradicional Fish & Chips ao som de I Feel Fine.
Nos anos 70 os clipes ainda eram muito pouco utilizados e porcamente produzidos. Basicamente gravação da banda tocando em algum lugar esquisito ou com um plano saturado de tão colorido. Só em meados dos anos 80 com uma certa "evolução" tecnológica que veríamos algum progresso.
Era o boom da MTv e dos grandes investimentos nos videoclipes. Apesar de hoje quase todos parecerem muito brega, foram muito importante. Alguns ainda valiam a pena, tipo Take on Me do A-Ha - com aquele desenho em P&B riscado, interagindo o quadrinho (ficção) com a moça (realidade) - e Boys Don't Cry do The Cure - naquela brilhante ideia de botar crianças representando os membros originais, apenas sombras agora - mas era em sua maioria deprimente. O auge dessa época vem obviamente com Thriller do Michael Jackson. Alavancou a carreira dele ainda mais, fez com que os artistas começassem a pensar no que mais tarde também seria chamado de PromoVid - videos promocionais. Trocando em miúdos, um verdadeiro sucesso.
Desde então a qualidade dá um salto incrível e, nos anos 90 as coisas começam a ficar realmente interessante. Tudo bem que aquele frisson que rolava numa estreia do Dire Straits acabou, mas a importância ainda se mantinha. Os produtores viram também que as vezes não era necessário tanto investimento para fazer dar certo um videoclipe e que não era regra os o clipes terem muito a ver com a letra em si. Vimos então R.E.M com produções super bacanas, Radiohead idem. Foi no final nessa década também que vimos um certo declínio do interesse do público, infelizmente.
Em meio esfriamento dos ânimos, o gênio Damon Albarn cria um projeto que apostava muito no poder da imagem e da divulgação de clipes: Gorillaz. E por incrível que pareça, deu certo. Apostou na divulgação virtual, na banda imaginária totalmente bizarra e, obviamente, não deixou o lado musical - o mais importante, no final das contas - de lado. Ainda mais com o aparecimento do Youtube, outras bandas voltaram a investir pesado nessa ferramenta, caso do OK Go, conhecidos por webhits inusitados (como o clipe da esteira).
Ainda mais recentemente, temos o Maroon 5 e a parceria de Lady Gaga com Beyoncé produzindo verdadeiras obras hollywoodianas, bem ao estilo Michael Jackson com os clipes dele, dentro de cada tempo, obviamente. Gosto de ver esse talvez ressurgimento dos videoclipes, nada mais é que uma outra forma de arte e por isso merecem um certo espaço.
Colocarei aqui alguns clipes que eu curto bastante, talvez nem sejam os melhores de todos os tempos segundo especialistas de algum site ou revista importante, mas valem conferir.
Abraços!
Estilo comercial do VH1, hehe. Você consegue reconhecer todos os artistas?
Um nacional para entrar no post.
Sou daqueles que reconhece como uma poderosa arma de divulgação e, como qualquer merchandise, apela para diversos recursos para conseguir vender um produto, podendo inclusive te prender ao máximo a "historinha" do clipe e te fazer esquecer da música. Mas não vejo isso como via de regra.
Os primeiros a pensarem de forma diferente a relação câmera/música/artistas foram os grandes vanguardistas The Beatles. É bom diferenciar aqui, primeiro, que o mero fato de registrar a banda tocando não significa como um videoclipe mesmo; o que quero dizer aqui é: existem gravações do Bo Didley tocando nos anos 50, mas o primeiros a usarem isso como nova forma de divulgação e começar a pensar nisso como arte também foi o quarteto inglês. Eles começaram de forma tímida, botando Ringo Starr para correr numa bicicleta ergométrica enquanto o restante tocava e, fizeram uma versão alternativa deles comendo o tradicional Fish & Chips ao som de I Feel Fine.
Nos anos 70 os clipes ainda eram muito pouco utilizados e porcamente produzidos. Basicamente gravação da banda tocando em algum lugar esquisito ou com um plano saturado de tão colorido. Só em meados dos anos 80 com uma certa "evolução" tecnológica que veríamos algum progresso.
Era o boom da MTv e dos grandes investimentos nos videoclipes. Apesar de hoje quase todos parecerem muito brega, foram muito importante. Alguns ainda valiam a pena, tipo Take on Me do A-Ha - com aquele desenho em P&B riscado, interagindo o quadrinho (ficção) com a moça (realidade) - e Boys Don't Cry do The Cure - naquela brilhante ideia de botar crianças representando os membros originais, apenas sombras agora - mas era em sua maioria deprimente. O auge dessa época vem obviamente com Thriller do Michael Jackson. Alavancou a carreira dele ainda mais, fez com que os artistas começassem a pensar no que mais tarde também seria chamado de PromoVid - videos promocionais. Trocando em miúdos, um verdadeiro sucesso.
Desde então a qualidade dá um salto incrível e, nos anos 90 as coisas começam a ficar realmente interessante. Tudo bem que aquele frisson que rolava numa estreia do Dire Straits acabou, mas a importância ainda se mantinha. Os produtores viram também que as vezes não era necessário tanto investimento para fazer dar certo um videoclipe e que não era regra os o clipes terem muito a ver com a letra em si. Vimos então R.E.M com produções super bacanas, Radiohead idem. Foi no final nessa década também que vimos um certo declínio do interesse do público, infelizmente.
Em meio esfriamento dos ânimos, o gênio Damon Albarn cria um projeto que apostava muito no poder da imagem e da divulgação de clipes: Gorillaz. E por incrível que pareça, deu certo. Apostou na divulgação virtual, na banda imaginária totalmente bizarra e, obviamente, não deixou o lado musical - o mais importante, no final das contas - de lado. Ainda mais com o aparecimento do Youtube, outras bandas voltaram a investir pesado nessa ferramenta, caso do OK Go, conhecidos por webhits inusitados (como o clipe da esteira).
Ainda mais recentemente, temos o Maroon 5 e a parceria de Lady Gaga com Beyoncé produzindo verdadeiras obras hollywoodianas, bem ao estilo Michael Jackson com os clipes dele, dentro de cada tempo, obviamente. Gosto de ver esse talvez ressurgimento dos videoclipes, nada mais é que uma outra forma de arte e por isso merecem um certo espaço.
Colocarei aqui alguns clipes que eu curto bastante, talvez nem sejam os melhores de todos os tempos segundo especialistas de algum site ou revista importante, mas valem conferir.
Abraços!
Estilo comercial do VH1, hehe. Você consegue reconhecer todos os artistas?
Um nacional para entrar no post.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Ai a democracia...Parte 2
O VMB foi ontem e, como prevíamos, vários absurdos ocorrendo. Não vou me prolongar nesse post, passarei a escrever mais sobre assuntos de qualidade no universo musical, evitarei falar mal apenas - um post longo falando sobre o VMB estaria fadado à queimação de vários "artistas".
Apesar das inacreditáveis 5 estatuetas para o Restart nessa edição, comento dois pontos aqui:
A falta de respeito para com tal banda vencedora. Por pior que eles sejam, ser vaiado em rede nacional e ao vivo é uma coisa que não desejo nem para as piores pessoas. Isso, na verdade, faz com que nós - incluo-me neste grupo - da "oposição" dessa modinha Happy Rock percamos a razão. Não é sendo de um grupo de adoradores do Felipe Neto, outro premiado da noite, que mudaremos a cena pop brasileira. Odeio com todas as minhas forças toda essa molecada, mas ninguém tem o direito de fazer o que fizeram com eles na noite de ontem - da-lhe Voltaire, hehe. O importante é saber do que não gosta neles.
Agora coisas boas:
Assim como eu disse no post número 1, minha única esperança pousava no prêmio de apostas. Dito e feito! Tanto na categoria nacional quanto na internacional dois artistas merecidíssimos, apesar de não serem os mais indicados para a proposta de tentar prever quem vai estourar nas rádios nos próximos anos, vale para recompensá-los. Thiago Pethit era meu favorito entre os indicados, assim como School of Seven Bells na galera gringa. Quem não conhece nenhum dos trabalhos, fica aqui uma recomendação extraodinária.
É talvez a música de mais fácil compreensão deles.
Reparem como não é necessário muito para fazer música.
Abração!
Apesar das inacreditáveis 5 estatuetas para o Restart nessa edição, comento dois pontos aqui:
A falta de respeito para com tal banda vencedora. Por pior que eles sejam, ser vaiado em rede nacional e ao vivo é uma coisa que não desejo nem para as piores pessoas. Isso, na verdade, faz com que nós - incluo-me neste grupo - da "oposição" dessa modinha Happy Rock percamos a razão. Não é sendo de um grupo de adoradores do Felipe Neto, outro premiado da noite, que mudaremos a cena pop brasileira. Odeio com todas as minhas forças toda essa molecada, mas ninguém tem o direito de fazer o que fizeram com eles na noite de ontem - da-lhe Voltaire, hehe. O importante é saber do que não gosta neles.
Agora coisas boas:
Assim como eu disse no post número 1, minha única esperança pousava no prêmio de apostas. Dito e feito! Tanto na categoria nacional quanto na internacional dois artistas merecidíssimos, apesar de não serem os mais indicados para a proposta de tentar prever quem vai estourar nas rádios nos próximos anos, vale para recompensá-los. Thiago Pethit era meu favorito entre os indicados, assim como School of Seven Bells na galera gringa. Quem não conhece nenhum dos trabalhos, fica aqui uma recomendação extraodinária.
É talvez a música de mais fácil compreensão deles.
Reparem como não é necessário muito para fazer música.
Abração!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Recomendações 15/09
No post de hoje recomendarei dois álbuns de artistas que durante o hiato de seus projetos principais visaram novos horizontes e novas abordagens. Para a maioria dos fãs dessas bandas foi uma certa surpresa ver um resultado tão diferente das suas propostas anteriores. O que quero mostrar aqui é, nem sempre nossa expectativa por um álbum é a mais correta, não sabemos, na maior parte das vezes, quais as facetas que nossos ídolos podem tomar e, esperar sempre a "mesmice" não é tão promissor assim.
O primeiro é o cd solo - Brand New by Tomorrow - de um dos maiores contribuintes na produção e tecladista da banda Beastie Boys. Conhecidos pelo som pesado, rápido, com uma mistura de rap e punk e letras de protesto, Money Mark traz em seu projeto paralelo um clima totalmente diferente. Um harmonia sempre suave, com um arranjo de teclado muito bem estruturado e uma certa poética nas composições, sem contar a pegada bem mais pop. A diferença das abordagens é gritante - ainda mais se comparado ao III Communication.
O segundo caso é o recente cd do vocalista da banda indie Bloc Party. Apesar do clima horas dançante e de artifícios eletrônicos da banda, eles são mais lembrados pela levada rockeira das músicas. Pois bem, Kele lançou agora em 2010 sua estréia "The Boxer". Podemos colocar essas novas músicas em uma festa, sem remix nem nada, e realmente botar todos para dançar, fugindo logo de cara das eternas repetições tão criticadas do "gênero" eletrônico. O clima festeiro toma conta de quase todas as faixas, e mostra que talvez aquela atmosfera baladeira do Bloc Party tivesse um mentor em Kele. Para quem não curte esse tipo de música, esse é um bom começo. Para os mais habituados, sim, é normal dançar na cadeira enquanto o ouvimos.
Não é melhor faixa, mas mostra bem o que falei aqui.
Abraços!
O primeiro é o cd solo - Brand New by Tomorrow - de um dos maiores contribuintes na produção e tecladista da banda Beastie Boys. Conhecidos pelo som pesado, rápido, com uma mistura de rap e punk e letras de protesto, Money Mark traz em seu projeto paralelo um clima totalmente diferente. Um harmonia sempre suave, com um arranjo de teclado muito bem estruturado e uma certa poética nas composições, sem contar a pegada bem mais pop. A diferença das abordagens é gritante - ainda mais se comparado ao III Communication.
O segundo caso é o recente cd do vocalista da banda indie Bloc Party. Apesar do clima horas dançante e de artifícios eletrônicos da banda, eles são mais lembrados pela levada rockeira das músicas. Pois bem, Kele lançou agora em 2010 sua estréia "The Boxer". Podemos colocar essas novas músicas em uma festa, sem remix nem nada, e realmente botar todos para dançar, fugindo logo de cara das eternas repetições tão criticadas do "gênero" eletrônico. O clima festeiro toma conta de quase todas as faixas, e mostra que talvez aquela atmosfera baladeira do Bloc Party tivesse um mentor em Kele. Para quem não curte esse tipo de música, esse é um bom começo. Para os mais habituados, sim, é normal dançar na cadeira enquanto o ouvimos.
Não é melhor faixa, mas mostra bem o que falei aqui.
Abraços!
domingo, 12 de setembro de 2010
Definindo gênero
Muito daquilo que escrevo por aqui é resultado de reflexões feitas após algumas conversas no meu cotidiano. Uma das mais corriqueiras é a classificação de gêneros, ação essa quase que instintiva de um ser humano racional a procura de uma organização. Na música, esse tipo de tentativa pode ser frustrante.
Tudo começa com casos aparentemente óbvios, artistas que caracterizam um gênero. Por exemplo The Beatles ser reconhecido como rock'n'roll ou Miles Davis ser jazzista. Digo aparentemente pois quando se conhece a fundo tais exemplos, observa-se outras perspectivas na carreira como um todo.
Levando inclusive em consideração a mutabilidade dos artistas, fica um tanto quanto impossível catalogar assim. Para alguns, rock'n'roll é utilizado para designar a primeira geração rockeira, de volta aos anos 50. Hoje se tornou simplesmente a denominação genérica para qualquer rock mais tradicional. Utilizando a primeira definição, vemos o primeiro tropeço: os últimos álbuns do Fab Four talvez não os enquadrassem como o que lhes foram atribuídos na época do Please Please Me. Veja a fragilidade da rotulação. Na verdade, tento analisar muito mais um conjunto de obras do que um artista em si.
Dando embase para essa teoria, temos Miles Davis. Um dos precursores do cool jazz, após o contato com a guitarra e o estilo de Jimi Hendrix e mais tarde da música eletrônica - principalmente o hip-hop - ele traz tais texturas para seus trabalhos. Se você escutar somente a última gravação dele (Doo-Bop), não o classificaria como jazzista de jeito maneira!
Já ouvi algumas dezenas de vezes que punk é música de protesto. No Brasil, ouvi de pessoas reconhecidas como Clemente, líder do Inocentes, que aquela juventude candanga eram filhinho-de-papai demais para fazer punk rock, e que por ele e a trupe dele ser do súburbio paulista tinham, de fato, inventado o estilo no Brasil. Quer dizer que Ramones por ter um repertório de 98% das músicas falando de amor não são punk? Ainda acreditar que Sex Pistols eram realmente anarquistas é ser muito ingênuo. Isso só mostra como as pessoas dentro dos próprios "gêneros" batem cabeça na hora de tentar definir algo.
Se com artistas expoentes de seus "gêneros" já fica complicadíssimo achar uma descrição fiel, imagina falar de um Iron Maiden que não é tão pesado o bastante para ser Heavy Metal e nem tão leve para entrar num grupo Hard Rock. Led Zeppelin tinha um intuito de fazer blues e não passaram de influenciados, salve músicas isoladas - são reconhecidos muito mais pelo rock do que a pegada bluezeira.
Isso tudo me traz outra dúvida que me deixa intrigado: o que caracteriza música? Digo, "Quem se atreve a me dizer, de que é feito samba, quem se atreve a me dizer?" Será que só a combinação de harmonia, melodia e instrumentação são suficientes para generalizar? Essas perguntas vêm a tona quando grupos como o Stomp e o Bob McFerrin me são apresentados. Não temos uma linha melódica definida, mas sabemos que existe uma lógica nos temas, reconhecemos faixas distintas e sincronia entre os integrantes; no caso do McFerrin, ele é um instrumento que canta e produz sons inacreditáveis, pitadas de jazz e música clássica são perceptíveis, apesar de pouco poder enquadrá-lo em algum desses.
Sem mais delongas, não podemos, ao escutar algo, tentar achar um estilo para aquilo (em especial coisas novas). Isso pode ser até uma barreira - imposta às vezes de forma sutil - do seu meio social. Se nos preocupássemos mais com a qualidade e com os sentimentos que nos trás cada nova experiência musical, os preconceitos não apareceriam tanto quando o assunto é cultura. Ainda mais com o advento desse mundo globalizado e cada vez mais híbrido, as tendências são cada vez mais diversas.
Abraços!
Tudo começa com casos aparentemente óbvios, artistas que caracterizam um gênero. Por exemplo The Beatles ser reconhecido como rock'n'roll ou Miles Davis ser jazzista. Digo aparentemente pois quando se conhece a fundo tais exemplos, observa-se outras perspectivas na carreira como um todo.
Levando inclusive em consideração a mutabilidade dos artistas, fica um tanto quanto impossível catalogar assim. Para alguns, rock'n'roll é utilizado para designar a primeira geração rockeira, de volta aos anos 50. Hoje se tornou simplesmente a denominação genérica para qualquer rock mais tradicional. Utilizando a primeira definição, vemos o primeiro tropeço: os últimos álbuns do Fab Four talvez não os enquadrassem como o que lhes foram atribuídos na época do Please Please Me. Veja a fragilidade da rotulação. Na verdade, tento analisar muito mais um conjunto de obras do que um artista em si.
Dando embase para essa teoria, temos Miles Davis. Um dos precursores do cool jazz, após o contato com a guitarra e o estilo de Jimi Hendrix e mais tarde da música eletrônica - principalmente o hip-hop - ele traz tais texturas para seus trabalhos. Se você escutar somente a última gravação dele (Doo-Bop), não o classificaria como jazzista de jeito maneira!
Já ouvi algumas dezenas de vezes que punk é música de protesto. No Brasil, ouvi de pessoas reconhecidas como Clemente, líder do Inocentes, que aquela juventude candanga eram filhinho-de-papai demais para fazer punk rock, e que por ele e a trupe dele ser do súburbio paulista tinham, de fato, inventado o estilo no Brasil. Quer dizer que Ramones por ter um repertório de 98% das músicas falando de amor não são punk? Ainda acreditar que Sex Pistols eram realmente anarquistas é ser muito ingênuo. Isso só mostra como as pessoas dentro dos próprios "gêneros" batem cabeça na hora de tentar definir algo.
Se com artistas expoentes de seus "gêneros" já fica complicadíssimo achar uma descrição fiel, imagina falar de um Iron Maiden que não é tão pesado o bastante para ser Heavy Metal e nem tão leve para entrar num grupo Hard Rock. Led Zeppelin tinha um intuito de fazer blues e não passaram de influenciados, salve músicas isoladas - são reconhecidos muito mais pelo rock do que a pegada bluezeira.
Isso tudo me traz outra dúvida que me deixa intrigado: o que caracteriza música? Digo, "Quem se atreve a me dizer, de que é feito samba, quem se atreve a me dizer?" Será que só a combinação de harmonia, melodia e instrumentação são suficientes para generalizar? Essas perguntas vêm a tona quando grupos como o Stomp e o Bob McFerrin me são apresentados. Não temos uma linha melódica definida, mas sabemos que existe uma lógica nos temas, reconhecemos faixas distintas e sincronia entre os integrantes; no caso do McFerrin, ele é um instrumento que canta e produz sons inacreditáveis, pitadas de jazz e música clássica são perceptíveis, apesar de pouco poder enquadrá-lo em algum desses.
Sem mais delongas, não podemos, ao escutar algo, tentar achar um estilo para aquilo (em especial coisas novas). Isso pode ser até uma barreira - imposta às vezes de forma sutil - do seu meio social. Se nos preocupássemos mais com a qualidade e com os sentimentos que nos trás cada nova experiência musical, os preconceitos não apareceriam tanto quando o assunto é cultura. Ainda mais com o advento desse mundo globalizado e cada vez mais híbrido, as tendências são cada vez mais diversas.
Abraços!
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Recomendações 6/09
Assim como prometido, recomendarei pelo menos um álbum no início de cada semana para ser degustado.
Começo hoje logo com dois espetaculares: Plastic Beach do Gorillaz e Brothers da dupla The Black Keys.
Lembro-me quando um amigo me passou um cd com as músicas novas dessa dupla de Ohio "Caique, já curtiu esse novo do Black Keys?". Eu nem sabia que eles estavam para lançar novidades e, que surpresa agradável! Disputam, sem dúvida, o melhor de 2010. Não tente avalia-lo, não tente catalogá-lo como blues-rock ou indie rock ou lo-fi psicodélico, apenas se entregue às músicas. Eles prender-te-ão como em um filme do Hitchcock, seus ouvidos esperarão ansiosos para cada trecho. Não falarei muito mais, apenas: "abra seus ouvidos".
Clipe divertidíssimo!
Outro forte concorrente ao troféu do ano é Plastic Beach. Esse grupo volta com força e talento totais, mostrando um álbum tão trabalhado quanto as gravações anteriores e, dessa vez, acertam na acessibilidade pop - quase inexistente em D-Sides e Demon Days - sem deixar o brilhantismo de lado. Diferente da dupla antes citada, Gorillaz traz com este um sentimento muito mais libertador (sabe aquele sentimento de querer correr escutando aquela música? Ou simplesmente ficar olhando para o céu e esquecer da vida por um instante?), um espírito de leveza mesclada com uma pegada bem dançante. Parece maluquice falando assim, mas só ouvindo para crer. Prepare-se para ser transportado para uma outra atmosfera.
A pedidos de um irmão louco com esse clipe.
Degustem com moderação.
Começo hoje logo com dois espetaculares: Plastic Beach do Gorillaz e Brothers da dupla The Black Keys.
Lembro-me quando um amigo me passou um cd com as músicas novas dessa dupla de Ohio "Caique, já curtiu esse novo do Black Keys?". Eu nem sabia que eles estavam para lançar novidades e, que surpresa agradável! Disputam, sem dúvida, o melhor de 2010. Não tente avalia-lo, não tente catalogá-lo como blues-rock ou indie rock ou lo-fi psicodélico, apenas se entregue às músicas. Eles prender-te-ão como em um filme do Hitchcock, seus ouvidos esperarão ansiosos para cada trecho. Não falarei muito mais, apenas: "abra seus ouvidos".
Clipe divertidíssimo!
Outro forte concorrente ao troféu do ano é Plastic Beach. Esse grupo volta com força e talento totais, mostrando um álbum tão trabalhado quanto as gravações anteriores e, dessa vez, acertam na acessibilidade pop - quase inexistente em D-Sides e Demon Days - sem deixar o brilhantismo de lado. Diferente da dupla antes citada, Gorillaz traz com este um sentimento muito mais libertador (sabe aquele sentimento de querer correr escutando aquela música? Ou simplesmente ficar olhando para o céu e esquecer da vida por um instante?), um espírito de leveza mesclada com uma pegada bem dançante. Parece maluquice falando assim, mas só ouvindo para crer. Prepare-se para ser transportado para uma outra atmosfera.
A pedidos de um irmão louco com esse clipe.
Degustem com moderação.
domingo, 5 de setembro de 2010
Saber parar
Os seres humanos são, por essência, apegados demais com tudo aquilo que é bom e tendem a não admitir que tudo o que começa um dia acaba (Renato Russo ainda tinha pena de 'vocês'). A diferença de grandes projetos é saber quando e como terminar. Isso abrange também para o quesito drogas, comum no meio artístico como um todo.
Bandas que não aceitam que envelheceram além de se tornar enjoativas, tornam-se também pedra no caminho da molecada que têm muito a mostrar ainda. A questão não é terminar mero e simplesmente por que chegaram aos 30 anos de carreira, mas sacar que não há mais progresso. Pessoal que esqueceu de fazer isso mesmo com com a saída/morte de uma pancada de integrantes foi o Titãs. A carreira dos caras é brilhante, mas num dá mais! Arnaldo, Nando, Charles deram no pé, Marcelo morreu...e eles continuam rastejando por palcos e estúdios, fazendo trabalhos apenas de comemoração de 500² anos de estrada e músicas novas sem tempero algum.
Outros que já deveriam ter aposentado são os candangos do Capital Inicial. Os dois principais compositores deles não os acompanham mais, Kiko e Renato, Loro Jones pulou fora quando viu que o fim trágico era inevitável. Sei que é politicamente errado brincar com isso, mas aquele acidente com o Dinho Ouro-Preto no início do ano foi um pedido de Deus para parar. Virou apenas mais uma história de superação. Da mesma cidade temos Plebe Rude, que só conseguiu gravar um disco meia-boca e nunca mais, e ainda continuam ensebando o cenário regional.
Esse apego não é só nacional, vimos recentemente com outra banda que adoro, os Stones Temple Pilots, tentando continuar e pagando vexame. O temperamento bipolar devido às imensas quantidades de drogas do vocalista Scott Weiland tornam as apresentações um lixo. Semana passada ele despenca do palco e sua voz continua cantando perfeitamente, corroborando com uma suspeita de playback. Outro que também se afunda em drogas e não larga de torrar nossa paciência é o ex-líder do The Libertines, Pete Doherty.
Esse segundo exemplo agora se apresenta sozinho com seu violão (por ninguém mais tolera-lo), em aparições raras e toscas. Clínicas de reabilitação do mundo inteiro já tiveram entrada dele, mas não adianta. Não querendo fazer um discurso moralista, mas drogas misturadas com profissionalismo não dão certo. As pessoas não conhecem seus limites e acabam arruinando carreiras (com perdão do trocadilho) não só delas próprias, mas às vezes de amigos e companheiros idem. São vários exemplos que após esse envolvimento fatal destruíram ótimos trabalhos, não necessariamente com overdose e morte:
Amy Winehouse - seus últimos shows foram horríveis, atualmente tenta produzir um novo álbum que, de tanta complicação, está fadado ao fracasso;
Os Mutantes - com tanto ácido na cabeça, era inevitável uma briga que renderia na saída da Rita Lee, na mudança de sonoridade e em um final de gravações péssimas;
Aerosmith - Steven Tyler e Joe Perry estão velhos, não aguentam mais meia dose de whiskey, mas continuam no maior clichè "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" e estão para se matar. Coisa nova deles nem pensar...turnê com pontapés e trocas de gentilezas no palco.
New Order - implacaram ainda na áurea do Ian Curtis, gravaram um segundo álbum excelente, depois se perderam nos egos e drogas. Não foram tão mais brilhantes desde então.
Barão Vermelho - sustentaram-se por um tempo ainda nos ventos de Cazuza (outro que não soube parar no final) e hoje estão no clube dos DVD's 'especiais'. Qual música deles é no mínimo perto das músicas do disco 'Maior Abandonado'?
Green Day - apenas escute as músicas novas e comparem com as da época do 'Dookie'. A diferença é absurda. A tentativa de falar de política e sociedade falhou para eles. Ou voltam para o que era antes ou podiam aposentar também.
Isso sem contar com os fins trágicos de John Bonham, Keith Moon, Jimi Hendrix, Cássia Eller, Kurt Cobain...
Contra-exemplos para confirmar como o fim pode não ser tão ruim assim, e mais, pode ser o bom início de belos projetos:
Beatles - o fim era inevitável, mas daí gravar 'Abbey Road' e 'Let it be', com direito a gig surpresa é saber acabar. Todos os integrantes fizeram trabalhos ótimos depois da implosão;
Damon Albarn - toda vez que sentia que era melhor parar, ele começava algo novo. Nunca vi um projeto dele ruim;
The Strokes - a situação estava meio complicada com Julian Casablancas e seu alcoolismo. Separaram por um tempo...cada um gravou seus 'solos', diminuíram, assim, o ego usual de bandas muito boas...trataram de suas patologias...e estão de volta firme e forte;
Radiohead - mesmo com vinte e tantos anos de chão continuam a produzir coisas inovadoras. Cada um tem seu projeto solo para maiores pretensões, os fãs ficam felizes e os integrantes também.
Poderia citar bilhões de outros artistas nas duas categorias, mas o que realmente quero passar aqui é: Você ainda vai continuar dando grana para artistas antiquados? Vai continuar aplaudindo canções de trinta anos? A situação só está desse jeito porque tem alguém sustentando. Ou vamos clamar por inovações? Que tal conhecer também o que está acontecendo na juventude? Ou até mesmo produzir algo novo? Pense nisso na hora de consumir música.
Artistas do mundo, saibam o quanto seus corpos aguentam! E saibam quando o som não está legal e parem. Pelo menos mudem de nome, endereço, parceiros, profissão...
Abraços!
Bandas que não aceitam que envelheceram além de se tornar enjoativas, tornam-se também pedra no caminho da molecada que têm muito a mostrar ainda. A questão não é terminar mero e simplesmente por que chegaram aos 30 anos de carreira, mas sacar que não há mais progresso. Pessoal que esqueceu de fazer isso mesmo com com a saída/morte de uma pancada de integrantes foi o Titãs. A carreira dos caras é brilhante, mas num dá mais! Arnaldo, Nando, Charles deram no pé, Marcelo morreu...e eles continuam rastejando por palcos e estúdios, fazendo trabalhos apenas de comemoração de 500² anos de estrada e músicas novas sem tempero algum.
Outros que já deveriam ter aposentado são os candangos do Capital Inicial. Os dois principais compositores deles não os acompanham mais, Kiko e Renato, Loro Jones pulou fora quando viu que o fim trágico era inevitável. Sei que é politicamente errado brincar com isso, mas aquele acidente com o Dinho Ouro-Preto no início do ano foi um pedido de Deus para parar. Virou apenas mais uma história de superação. Da mesma cidade temos Plebe Rude, que só conseguiu gravar um disco meia-boca e nunca mais, e ainda continuam ensebando o cenário regional.
Esse apego não é só nacional, vimos recentemente com outra banda que adoro, os Stones Temple Pilots, tentando continuar e pagando vexame. O temperamento bipolar devido às imensas quantidades de drogas do vocalista Scott Weiland tornam as apresentações um lixo. Semana passada ele despenca do palco e sua voz continua cantando perfeitamente, corroborando com uma suspeita de playback. Outro que também se afunda em drogas e não larga de torrar nossa paciência é o ex-líder do The Libertines, Pete Doherty.
Esse segundo exemplo agora se apresenta sozinho com seu violão (por ninguém mais tolera-lo), em aparições raras e toscas. Clínicas de reabilitação do mundo inteiro já tiveram entrada dele, mas não adianta. Não querendo fazer um discurso moralista, mas drogas misturadas com profissionalismo não dão certo. As pessoas não conhecem seus limites e acabam arruinando carreiras (com perdão do trocadilho) não só delas próprias, mas às vezes de amigos e companheiros idem. São vários exemplos que após esse envolvimento fatal destruíram ótimos trabalhos, não necessariamente com overdose e morte:
Amy Winehouse - seus últimos shows foram horríveis, atualmente tenta produzir um novo álbum que, de tanta complicação, está fadado ao fracasso;
Os Mutantes - com tanto ácido na cabeça, era inevitável uma briga que renderia na saída da Rita Lee, na mudança de sonoridade e em um final de gravações péssimas;
Aerosmith - Steven Tyler e Joe Perry estão velhos, não aguentam mais meia dose de whiskey, mas continuam no maior clichè "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" e estão para se matar. Coisa nova deles nem pensar...turnê com pontapés e trocas de gentilezas no palco.
New Order - implacaram ainda na áurea do Ian Curtis, gravaram um segundo álbum excelente, depois se perderam nos egos e drogas. Não foram tão mais brilhantes desde então.
Barão Vermelho - sustentaram-se por um tempo ainda nos ventos de Cazuza (outro que não soube parar no final) e hoje estão no clube dos DVD's 'especiais'. Qual música deles é no mínimo perto das músicas do disco 'Maior Abandonado'?
Green Day - apenas escute as músicas novas e comparem com as da época do 'Dookie'. A diferença é absurda. A tentativa de falar de política e sociedade falhou para eles. Ou voltam para o que era antes ou podiam aposentar também.
Isso sem contar com os fins trágicos de John Bonham, Keith Moon, Jimi Hendrix, Cássia Eller, Kurt Cobain...
Contra-exemplos para confirmar como o fim pode não ser tão ruim assim, e mais, pode ser o bom início de belos projetos:
Beatles - o fim era inevitável, mas daí gravar 'Abbey Road' e 'Let it be', com direito a gig surpresa é saber acabar. Todos os integrantes fizeram trabalhos ótimos depois da implosão;
Damon Albarn - toda vez que sentia que era melhor parar, ele começava algo novo. Nunca vi um projeto dele ruim;
The Strokes - a situação estava meio complicada com Julian Casablancas e seu alcoolismo. Separaram por um tempo...cada um gravou seus 'solos', diminuíram, assim, o ego usual de bandas muito boas...trataram de suas patologias...e estão de volta firme e forte;
Radiohead - mesmo com vinte e tantos anos de chão continuam a produzir coisas inovadoras. Cada um tem seu projeto solo para maiores pretensões, os fãs ficam felizes e os integrantes também.
Poderia citar bilhões de outros artistas nas duas categorias, mas o que realmente quero passar aqui é: Você ainda vai continuar dando grana para artistas antiquados? Vai continuar aplaudindo canções de trinta anos? A situação só está desse jeito porque tem alguém sustentando. Ou vamos clamar por inovações? Que tal conhecer também o que está acontecendo na juventude? Ou até mesmo produzir algo novo? Pense nisso na hora de consumir música.
Artistas do mundo, saibam o quanto seus corpos aguentam! E saibam quando o som não está legal e parem. Pelo menos mudem de nome, endereço, parceiros, profissão...
Abraços!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Considerações
Olá pessoal,
Talvez não tenha ficado muito claro no post "A volta do pouco", mas o que descrevo ali é apenas uma vertente do que está acontecendo hoje, não necessariamente a mais forte ou a única. Adoro quando não concordam comigo, ou vêem de outra forma o que sugiro aqui, então comentem!! Essa é a melhor forma de discutirmos música, através do papo.
Boas novas, como é freqüente me pedirem sugestões de bandas, álbuns, músicas, clipes e afins...Iniciarei em breve um post de sugestões semanais, além, é óbvio, das minhas considerações usuais por aqui. Espero que gostem =)
Abração!
Talvez não tenha ficado muito claro no post "A volta do pouco", mas o que descrevo ali é apenas uma vertente do que está acontecendo hoje, não necessariamente a mais forte ou a única. Adoro quando não concordam comigo, ou vêem de outra forma o que sugiro aqui, então comentem!! Essa é a melhor forma de discutirmos música, através do papo.
Boas novas, como é freqüente me pedirem sugestões de bandas, álbuns, músicas, clipes e afins...Iniciarei em breve um post de sugestões semanais, além, é óbvio, das minhas considerações usuais por aqui. Espero que gostem =)
Abração!
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