
Muitas vezes um artista espera anos para ter o real significado da sua mensagem assimilada pelo público, uns até morrem antes disso acontecer. No caso do White Stripes, o grande público já os reconhecem e a crítica idem, mas o impressionante da trajetória dessa banda é como eles minimizaram antes de todos.
Aparece como tendência nas artes como um todo; a exclusão do extra, do alegórico. Tendência já feita por essa dupla desde um pouco antes do início da década. Repare, por exemplo, a nova embalagem do refrigerante Aquarius. A garrafa era torta, cheia de entranhas e desenhos de gotículas; agora ela apresenta algumas linhas retas, garrafa lisa, apenas as informações necessárias são impressas. Repare nas latinhas da Coca-Cola e da Pepsi, no design dos produtos da Apple, e até mesmo nas logos dos
video-games como XBOX e PS3. Tudo muito clean.No mundo da música esse estilo se apresenta de diversas maneiras, desde a capa do último álbum da banda irlandesa U2 "No line on the horizon" (uma imagem que deixaria Mark Rothko orgulhoso), do First Impressions of Earth dos Strokes, e tanto o som quanto a capa do primeiro lançamento do tão conceituado The xx. Estes utilizam de arranjos simplificados, batida lenta e shows sem muita pirotecnia e, assim, conquistam a simpatia de praticamente todos que os escutam. Não tem como falar de nova música sem ao menos citá-los.
Jack e Meg White já apostavam nesse escopo há tempos, quando tiraram toda a parafernália de baixos e teclados e duas guitarras para fazer o som do rock'n'roll. Chamaram escolas de vanguarda e botaram a bicoloridade como símbolo da banda e previram o que estava por vir. Essa busca têm origem muito antes deles, com um trompetista americano chamado Miles Davis, que já fazia o jazz modal no final da década de 50, estilo que se baseia em solos com poucas notas, poucos instrumentos e levada suave: o que a maioria conhece hoje apenas como jazz.

Outra forma disso aparecer na música é com um revival que surge em torno da música de violão/voz/piano. É só lembrar da Cat Power, da Feist, do Bon Iver, do Beck e de suas músicas e capas mais recentes. No Brasil todas essas cantoras que aparecem também com esse tipo de trabalho: Nina Becker essa semana lançou seu cd. Reparem nisso quando derem uma olhada.
Até essa última pintura dos ônibus de Brasília estão assim, branco com apenas o rascunho da ponte JK desenhada, e tem banda que continua apostando no visual colorido. Coitados.
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