A decadência pop musical no Brasil já mostrava as caras em meados dos anos 90 com o advento da música meramente para folia que aparecia como paixão nacional vestida em abadás. Além de decepções como a morte do Mamonas, a desvirtualização do Raimundos, e do apego mais que comercial de uma banda com um potencial maravilhoso, o Jota Quest.
Mesmo assim, hoje, a qualidade está longe de ser inexistente no cenário canarinho. Além de influenciar o âmbito nacional, alguns artistas mostraram grande participação nas novas tendências internacionais. E o melhor dessa história: nem sempre com um apego tropical/amazônico (brasileiro ou é samba ou tem aquele batuque e sonzinhos de passarinho cantando).
Sim, é complicado aceitar que temos grandes artistas quando vemos no nosso mainstream NXZero, Mallu Magalhães e Vanessa da Mata e outras velharias que empacam o aparecimento de novos astros. É tanto revival, tanto dvd de comemoração de 50 anos de estrada e especiais de fim de ano que, para a molecada mostrar "as caras", fica complicado.
Mas nos atemos às nossas coisas boas. No inicio da década a então Cansei de Ser Sexy mostrou ao mundo que o Brasil produz coisas novas, que não fale necessariamente de corrupção, favelas, use do tamborim para dar ritmo. A postura debochada, com um apelo dançante e pesadas distorções conquistaram a Europa. Não ganharam tanto espaço por aqui.
Outra artista que já conquistou os gringos e que tenta novamente os corações e simpatias brasileiros é a cantora Tiê. Com voz delicada, arranjos simples, o atual renascimento do folk ganha uma nova representante. É óbvio que o tropicalismo se mostra de vez em quando, mas num é a primeira intenção de seu projeto. Nessa mesma situação encontra-se Thiago Pethit, um artista que merece vários elogios.
Apontando uma nova visão do rock, os pernambucanos Mombojó se mostram como uma das bandas de maior influência na trupe independente nacional. Um som horas melancólico, horas baladeiro, eles conquistaram os ouvidos mais atentos do público jovem. Eles mostram que pernambuco não é só mangue-beat. Outra dessa terra que veio para abalar é a cantora e compositora Lulina, vale checar.
Isso tudo sem contar com o grande nome da década, em termos de público e crítica: Los Hermanos. Tão odiados quanto idolatrados, eles lançaram tendência de volta da bossa-nova, da poesia e da cultura underground e isso é inegável, por mais desgosto que tenha deles. Tudo bem que muitos digam que se tornaram conhecidos demais e assim o brilho se tornou comum; isso só aumenta o mérito deles.
Enfim, apesar do nosso mainstream estar meio ridículo mesmo, nada exclui o fato que nosso repertório vai muito bem.
Abraços.
é isso ai Kiq,
ResponderExcluirvamos revolucionar a linguagem cultural desse pais atraves de discuções coerentes e de opiniões sinceras e que curtem e querem ouvir música de qualidade, que expressam culturalmente as pessoas, o povo, o regionalismo, não somente aquilo que nos empurram garganta abaixo. Temos de discutir profundamente e buscar sensibilizar o gosto musical dessa nova geração, que tenham opinião própria, que gritem ao ouvir o que não faz mais sentido e que resgatem o belo, o harmonioso, a poesia contida em versos cantados que agradam aos ouvidos e lavam a alma.
revolução se começa assim... 01,02,03 pessoas exalando ao mundo conteudos sinceros influenciando a busca, o resgate e exigindo mudanças culturais e sobretudo sociais nesses alienados jovens.
vamos lá grande abraço.
Rafael
Infelizmente essa questão do mainstream estar dominado por merda e de ter todo esse preconceito mesmo com a música do Brasil realmente dificulta o desenvolvimento nacional dessa galera, quem tem banda sabe como é difícil manter essa equipe e crescer com ela sendo que não tem tanto espaço assim...
ResponderExcluirabração ae