segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ai a democracia...

O conceito é muito velho. Uma escolha de representatividade feita pela maioria de um grupo, seja ele restrito ou na base do sufrágio universal. Não defendendo Estados tiranos ou absolutistas, mas esse sistema se mostra falho de diversas maneiras.

Posso até parecer elitista falando isso, mas a tal sonhada democracia só funciona quando a maior parte dos eleitores têm certo grau de educação, e isso não quer dizer que concordem em tudo, mas possuem o conhecimento necessário para discordar, argumentar e fundamentar onde e como divergem. Coréia do Sul é um exemplo recente de como um país pode sair do fundo do posso através do fortalecimento da base. Isso é fazer valer a vontade do povo.

Mas esse num era um blog para falar de música?

Pois bem, semana passada realizaram o "Prêmio Multishow 2010" e estamos caminhando para mais um VMB. Ambos com propostas altamente democráticas em um país onde o ouvido popular não é tão apurado assim. Não precisa ser um gênio para sacar o resultado disso: catástrofe.

A começar com o prêmio de melhor grupo (o mais importante da noite) ser concedido ao Cine. Se você tem mais de três neurônios e/ou mais de 12 anos de idade sabe que esses caras não são nem dignos de indicação, quiçá vencer. Antes que me acusem de preconceituoso, tentei escutar (mais de uma vez inclusive, e na maior boa vontade) as músicas deles. Já tem muita gente falando mal do tal Happy Rock; não serei mais um a fazer isso. Escute algo deles e saberá do que falo.

Na tentativa de homenagear o sertanejo vimos mais um desastre. Vitor & Léo vencem o prêmio da categoria, até que a dupla ainda resgata UM POUCO da verdadeira essência caipira, mas a produção inclui Luan Santana no mesmo pacote - o que desvaloriza a concorrência, certo?! - e logo depois o agraciam como Revelação.

Melhor Cantor = Samuel Rosa.
Melhor Instrumentista = Rodrigo Tavares (baixista do Fresno).
Candidata ao prêmio 'Experimente' = Preta Gil.
Tiê não vence Revelação
Indicação de melhor música = Me adora (Pitty)
Isso resume o que eu acho disso tudo: http://www.diariodebarrelas.com.br/2010/08/25/frustrado-com-nivel-do-premio-diretor-do-multishow-se-demite/

O VMB se aproxima e já se mostra como iminente desrespeito à música nacional. Teremos Restart como indicado a 'Artista do Ano', Mombojó não ganhará com Pa Pa Pa na 'Melhor Música' (apesar de merecer), Thiago Pethit talvez salve como 'Aposta', ainda veremos Lulu Santos - e toda sua velhice - sendo nem notado na categoria 'Pop' disputando com Mallu Magalhães; em Webstar temos um monte de adolescentes revoltados idolatrados por criarem videologs que falam um monte de palavras chulas para disfarçar a falta de argumentos a fim de criticar pessoas exatamente iguais a eles - entenda isso como PC Siqueira e Felipe Neto.

Pelo menos no VMB ainda temos algumas esperanças em algumas categorias como 'Game', Rap e 'Apostas'.

Termino esse post com algumas citações que encontrei na internet em relação a tais eventos e que sustentam minha afirmação inicial que democracia só é bem-vinda com educação e conhecimento dos eleitores.

"putz meu eu fikey super feliz quando eles ganharam o premio amuuu muito o restart!!!!!!" e "Parabens vcs merecem*_*s2 AAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMUUUUUUUUUULLLLLLLLLLLLLLLLL" - Comentários de dois seres no site do Multishow.

"Somos a salvação do rock! Não sei o porquê de tanta má vontade com a gente! Somos os Beatles do ano 2000! Além de sermos um bando de jovens com fãs histéricas também temos 300.000 seguidores no Twitter!" vocalista do Restart. - Será que ele sabe quem foram os Beatles? Quer comparar o alvoroço beatlemaníaco com seguidores anormais no Twitter? Minha indignação não cabe aqui.

Mesmo eu reconhecendo o papel fundamental da música, política pública ainda é um assunto ainda mais delicado. Quem votou no Cine votará também nas Eleições 2010...Será que estamos preparados para mexer com o destino de um país-potência como o Brasil?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Será semelhança?

O universo musical é gigantesco e isso não é novidade. Desconsiderando os samples de músicas eletrônicas e de rap e, as falcatruas de plágios, vez ou outra encontramos semelhanças nas harmonias, arranjos e letras; muitas vezes nem são propositais, mas aparecem para os ouvidos mais oportunos.

Logo pela manha de hoje, assistindo ao MTv Matinal, deparei-me com a seguinte canção antiga de Marvin Gaye com a participação da Tammi Terrell e logo me veio a mente um hit da belíssima e deprimente Amy Winehouse. Não direi mais muita coisa:



e depois escute isso:



Não é plágio (nem perto disso), mas que as vezes o lance da "influência" extrapola...

Até a próxima!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A volta do pouco




Muitas vezes um artista espera anos para ter o real significado da sua mensagem assimilada pelo público, uns até morrem antes disso acontecer. No caso do White Stripes, o grande público já os reconhecem e a crítica idem, mas o impressionante da trajetória dessa banda é como eles minimizaram antes de todos.

Aparece como tendência nas artes como um todo; a exclusão do extra, do alegórico. Tendência já feita por essa dupla desde um pouco antes do início da década. Repare, por exemplo, a nova embalagem do refrigerante Aquarius. A garrafa era torta, cheia de entranhas e desenhos de gotículas; agora ela apresenta algumas linhas retas, garrafa lisa, apenas as informações necessárias são impressas. Repare nas latinhas da Coca-Cola e da Pepsi, no design dos produtos da Apple, e até mesmo nas logos dos video-games como XBOX e PS3. Tudo muito clean.

No mundo da música esse estilo se apresenta de diversas maneiras, desde a capa do último álbum da banda irlandesa U2 "No line on the horizon" (uma imagem que deixaria Mark Rothko orgulhoso), do First Impressions of Earth dos Strokes, e tanto o som quanto a capa do primeiro lançamento do tão conceituado The xx. Estes utilizam de arranjos simplificados, batida lenta e shows sem muita pirotecnia e, assim, conquistam a simpatia de praticamente todos que os escutam. Não tem como falar de nova música sem ao menos citá-los.

Jack e Meg White já apostavam nesse escopo há tempos, quando tiraram toda a parafernália de baixos e teclados e duas guitarras para fazer o som do rock'n'roll. Chamaram escolas de vanguarda e botaram a bicoloridade como símbolo da banda e previram o que estava por vir. Essa busca têm origem muito antes deles, com um trompetista americano chamado Miles Davis, que já fazia o jazz modal no final da década de 50, estilo que se baseia em solos com poucas notas, poucos instrumentos e levada suave: o que a maioria conhece hoje apenas como jazz.

Outra forma disso aparecer na música é com um revival que surge em torno da música de violão/voz/piano. É só lembrar da Cat Power, da Feist, do Bon Iver, do Beck e de suas músicas e capas mais recentes. No Brasil todas essas cantoras que aparecem também com esse tipo de trabalho: Nina Becker essa semana lançou seu cd. Reparem nisso quando derem uma olhada.

Até essa última pintura dos ônibus de Brasília estão assim, branco com apenas o rascunho da ponte JK desenhada, e tem banda que continua apostando no visual colorido. Coitados.

domingo, 15 de agosto de 2010

E o Brasil com isso?

A decadência pop musical no Brasil já mostrava as caras em meados dos anos 90 com o advento da música meramente para folia que aparecia como paixão nacional vestida em abadás. Além de decepções como a morte do Mamonas, a desvirtualização do Raimundos, e do apego mais que comercial de uma banda com um potencial maravilhoso, o Jota Quest.

Mesmo assim, hoje, a qualidade está longe de ser inexistente no cenário canarinho. Além de influenciar o âmbito nacional, alguns artistas mostraram grande participação nas novas tendências internacionais. E o melhor dessa história: nem sempre com um apego tropical/amazônico (brasileiro ou é samba ou tem aquele batuque e sonzinhos de passarinho cantando).

Sim, é complicado aceitar que temos grandes artistas quando vemos no nosso mainstream NXZero, Mallu Magalhães e Vanessa da Mata e outras velharias que empacam o aparecimento de novos astros. É tanto revival, tanto dvd de comemoração de 50 anos de estrada e especiais de fim de ano que, para a molecada mostrar "as caras", fica complicado.

Mas nos atemos às nossas coisas boas. No inicio da década a então Cansei de Ser Sexy mostrou ao mundo que o Brasil produz coisas novas, que não fale necessariamente de corrupção, favelas, use do tamborim para dar ritmo. A postura debochada, com um apelo dançante e pesadas distorções conquistaram a Europa. Não ganharam tanto espaço por aqui.

Outra artista que já conquistou os gringos e que tenta novamente os corações e simpatias brasileiros é a cantora Tiê. Com voz delicada, arranjos simples, o atual renascimento do folk ganha uma nova representante. É óbvio que o tropicalismo se mostra de vez em quando, mas num é a primeira intenção de seu projeto. Nessa mesma situação encontra-se Thiago Pethit, um artista que merece vários elogios.

Apontando uma nova visão do rock, os pernambucanos Mombojó se mostram como uma das bandas de maior influência na trupe independente nacional. Um som horas melancólico, horas baladeiro, eles conquistaram os ouvidos mais atentos do público jovem. Eles mostram que pernambuco não é só mangue-beat. Outra dessa terra que veio para abalar é a cantora e compositora Lulina, vale checar.

Isso tudo sem contar com o grande nome da década, em termos de público e crítica: Los Hermanos. Tão odiados quanto idolatrados, eles lançaram tendência de volta da bossa-nova, da poesia e da cultura underground e isso é inegável, por mais desgosto que tenha deles. Tudo bem que muitos digam que se tornaram conhecidos demais e assim o brilho se tornou comum; isso só aumenta o mérito deles.

Enfim, apesar do nosso mainstream estar meio ridículo mesmo, nada exclui o fato que nosso repertório vai muito bem.

Abraços.

sábado, 14 de agosto de 2010

Os anos 2000 e sua pluralidade

O que aconteceu de inovador, de grandioso nos início desse século? O que a sua geração vai levar como referência para próxima geração? Se você tem entre 16 a 25 anos de idade já escutou esse tipo de provocação.

Mal sabem tais provocadores que talvez a maior revolução musical da história tenha se concretizado agora. As grandes novidades em termos de estilo não aparecem mais como hits nas rádios, a venda de "discos" não alcança mais números astronômicos, o rock está infiltrado em várias vertentes musicais e, lidar com essa mudança pode ser extremamente doloroso para uma galera mais tradicional.

Para entender como se dá as novas tendências musicais (adultas, ok?! Restart, Cine e músicos de playground afins fazem músicas infantis e não são, portanto, objeto de análise desse blog) faço uma lista com os artistas mais influentes dessa década que está para acabar.

Esses artistas inovaram em termos sonoros, visuais e no âmbito do empreendimento cultural. A música eletrônica, iniciada com roupagem pop nos anos 60, ganha agora, através dos atuais avanços tecnológicos, maior utilização em gêneros musicais considerados ultra-conservadores, como o folk e, por incrível que pareça, no rock. Sim, o rock é, apesar de sua fama contestadora, um criador de extremistas fervorosos.

Para aqueles que não conhecem tanto a atual conjectura da boa música, comece com essa lista: com certeza sua visão mudará um pouco. Para os que já tem certa intimidade, posts futuros mostrarão outros artistas, injustamente, menos valorizados.

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Os bons sommeliers degustam diversos vinhos, apontam suas qualidades, defeitos, indicam uma possível harmonização. Para tanto, o empirismo é essencial, experimentar para ter melhores referências e poder, então, fundamentar seu gosto. Não fazer isso, nada mais é que um preconceito, julgar sem ter relativo conhecimento do assunto.

Claro que nem todos têm todo o tempo, paciência e grana do mundo para estudar tão afundo as coisas assim. Aí que entra a relação sommelier/leigo. Este deve apontar caminhos, harmonizações para que esse saboreie mais facilmente, para que não "gaste" uma garrafa de vinho.

Esse é, de fato, a função da crítica musical proposta aqui. Nada de apontar tendência, zuar artista por um álbum ruim ou babar ovo da moda, mas mostrar uma interpretação, alguns detalhes importantes para que na hora do leitor escutar uma música possa degusta-la da melhor forma possível.

Não excluo a impossível unanimidade. A pessoa que te indicou um vinho pode ter bebido 30000 uvas diferentes, ser reconhecido como o melhor dos cosmos no assunto e você não gostar (vai entender o por que não gostam de Beatles). O importante, no fundo, é saber saborear.

Nosso julgamento de bom e ruim é feito através de nossas experiências e uma razão pessoal. Portanto, chame toda sua memória musical, seu senso crítico, abra sua cabeça ao novo e: Degustemos a Música!

Abraços.