Over and Over é o trabalho mais recente da banda sueca The Legends. Representa a consolidação do som da banda e aponta o que provavelmente a próxima década nos reserva: a volta do shoegaze e do post-punk que vigorou - principalmente no Reino Unido - no final dos anos 70. É o melhor dessa leva de bandas como "The Pains of being pure at heart" e "Enginneers" que seguem o mesmo gênero.
Pete Doherety hoje produz muito pouco e muito mal, devido aos seus abusos de todos os tipos de droga, mas isso não tira sua relevância como líder e compositor de dois projetos muito influentes: The Libertines e Babyshambles. Vale a pena devorar tudo que ele produziu com esse pessoal.
Quentin Tarantino, mesmo sendo diretor de cinema, posiciona a música como peça fundamental de seus filmes. A relevância com que é tratada a música deveria ser exemplo não só para os diretores, mas produtores musicas, ouvintes. Prestem atenção na trilha sonora da série Kill Bill e Bastardos Inglórios.
Return to Cookie Mountain é o segundo álbum do grupo novaiorquino Tv on the Radio e é uma das descobertas mais interessantes que tive na internet. Dançante, psicodélico, rockeiro, inovador: genial.
Sound of Silver é o ápice de James Murphy e sua trupe, LCD Soundsystem. Recomendo à todos que não curtem "música eletrônica", e para os macacos velhos das batidas, esse é tipo do cd que deve estar no automático do seu iPod. Músicas belíssimas como "All my Friends" e "Someone Great" exemplificam o que quero dizer sobre eles; até os clipes ficaram ótimos.
The Rip é o resultado de uma espera de onze anos por material novo que não foi em vão do Portishead. Essa música em especial me encantou desde a primeira vez que a escutei. A progressão, a maneira como cada instrumento é introduzido na canção, a poesia e o clipe.
Ultimo Romance talvez não seja a mais ouvida dos cariocas Los Hermanos (segunda mais executada no site "Last.fm"), mas todos os fãs a sabem de cor. E Rodrigo Amarante é mais um caso de "ame-o ou deixe-o", e qualquer que seja o motivo do desgosto, é inegável que foi o melhor nacional e o mais influente dos últimos dez anos. Essa música mostra muito bem que eles são muito mais que "Anna Júlia".
The Virgins ficou famoso depois de aparecer na série "Gossip Girl", e ainda tinham um álbum inteiro de músicas tão boas quanto para mostrar. Usaram da fama para divulgar o restante do trabalho e não fizeram feio: emplacaram na internet e na crítica com o um som funkeado único.
Whatever People Say I am, that's what I'm not é um ótimo exemplo de como estourar nos dias de hoje, de como usar as redes sociais a seu favor e como um "home-made cd" pode fazer milagres. Ah, é claro que as músicas são tão boas quanto o espírito empreendedor dos meninos de Sheffield.
The xx ainda tem muito o que mostrar. Logo no primeiro lançamento esse pessoal nos proporcionou uma capa extraodinária, uma tendência minimalista muito bacana. Obviamente que com apenas um álbum é difícil dizer muito sobre eles; fica a aposta.
Year Zero, da banda Nine Inch Nails, tem músicas muito boas, acima da média, de fato. O que merece meu apontamento por aqui, entretanto, é a trama que eles causaram para lançá-lo. Inventaram um "jogo", que teria sua história contada atravéz de cartazes, e-mails, MP3 e mais um monte de outras mídias que levariam a uns pen drives que tinham as músicas restantes desse cd para que os fãs circulassem os arquivos via internet. E ainda tem gente insistindo nas gravadoras usuais...
The Zookeeper's Boy é a melhor música do álbum "And the Glass Handed Kite", da banda norueguesa Mew. Quem disse que o rock progressivo morreu nos anos 80 e, o que temos agora é um bando de exibicionistas - o que é verdade na maioria dos caso -, deveria escutar esses caras. Diversas linhas de vocal, uma guitarra bem elaborada e uma bateria virtuosíssima. Essa música é estupenda.
(acho justo colocar os números no final)
19-2000 foi o primeiro hit do Gorillaz, banda de desenho animado encabeçada pelo Damon Albarn. O clipe promocional é épico e a música é simples e, ao mesmo tempo, cheia de detalhes. Parou em video-games, comerciais e teve remixes conhecidos nas pistas de dança.
Ufa, é isso! Faltou um monte de coisa de muito interessante e importante nessa década. Nem falei do Lucy and the Popsonics, do explosão de bandas como The Nationals, Phoenix e Justice só pela internet, do Mombojó e mais um monte de evento. No espaço para comentários, deixe aqui o que te marcou.
Abraços!
E ah, Feliz 2011... e 2012.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Década de A-Z (parte um)
Enquanto caminhamos para o fim da primeira década completa do terceiro milênio do calendário cristão, um bocado de gente elabora listas de "melhores e piores", um monte de desmiolados dizem que pouco aconteceu nesse período e, não rara as vezes, dizem que o que aconteceu foi horrível.
Apontarei, portanto, alguns dos destaques (a maioria positivos) dessa década que está prestes a acabar em ordem alfabética. Pelo sistema que adotarei, algumas injustiças ocorrerão. Peço desculpas desde já se aquele artista que você adora não for citado aqui, nem os meus consiguirão seu espaço neste post.
Isto são lembranças das minhas experiências, algumas mais conhecidas, outras mais underground mesmo; algumas que emocionaram a todos, e outros momentos totalmente particulares. Espero que gostem:
Amy Winehouse foi uma das artistas mais comentadas, mais ouvidas e mais inovadoras desses últimos tempos. Retomou o estilo old school de "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" (ou seria R&B) e trouxe um monte de gente para copiá-la.
Blue Orchid é uma das músicas mais legais da dupla The White Stripes. Assim como a maior parte do trabalho deles, essa música possui uma letra irônica, uma distorção crua, um tempo quebrado. Representa muito bem uma das melhores bandas dessa safra.
Coachella Festival é um dos roteiros obrigatórios para a consagração das bandas de peso internacional. Anual desde 2001, o evento já teve milhões de espectadores, rendeu bilhões e foi palco de quase todo meu iTunes. Sem contar com aquele papo sustentável super importante.
Danger Mouse é o produtor da década. E digo isso sem medo algum. Ele assinou trabalhos importantes, não em termos de venda, mas de qualidade: The Good, The Bad and The Queen, o álbum Dark Side of the Soul, Gnarls Barkley...todos trabalhos excepcionais.
Encore (álbum), do rapper Eminem, é um daqueles casos "Ame-o ou Deixe-o". Estou mais para admirador. Não cai na rotineira gangsta life que se tornou comum no hip-hop, nem se prendeu ao tradicionalismo repetitivo. Para quem conhece apenas o lado polêmico dele, vale a pena conferir.
Fuck You, expressão chula em inglês, foi cantada e poetizada diversas vezes, por novos "porra-loucas" em mensagem nas entrelinhas como Britney Spears, por gente reconhecidamente doidona como Lily Allen, por gente respeitada pela alta crítica como Cee-lo Green, até nos tribunais americanos - vide caso Metallica. Isso só mostra como todos eles conseguiram, atravéz da música, chamar atenção de todo mundo. Que tal não deixar mais isso acontecer na próxima década?
Game Theory é o sétimo trabalho de estúdio da banda de hip-hop The Roots. Apesar de não conhecer tanto do gênero, nunca ouvi algo que me agradasse tanto. Os arranjos são de um cuidado único, as letras abordam dezenas de temas, isso tudo buscando referência do rap do final dos anos 80 e início dos 90. Muito bom!
Hamilton de Holanda já estava nos palcos candangos desde meados dos anos 90, mas foi nessa primeira década dos 2000 que ele se consagrou não só como expoente brasileiro, mas também como ícone internacional, lançou seu melhor álbum, prêmios mais expressivos e ainda criou o bandolim de 10 cordas. Se tem alguém que representou bem a nova música feita por brasileiros, essa pessoa é Hamilton de Holanda.
Is this it é o álbum da década. Lançado em 2001, Strokes foram um dos pioneiros da pegada indie rocker que seria predominante na gênese das bandas de qualidade. A primeira capa também foi sensacional, sucesso de público e primeiro colocado em diversos rankings especializados.
Jools Holland conseguiu chegar ao programa 250 de sua série, sempre revelando novos artistas, trazendo nomes já reconhecidos e artistas de todos os lugares do mundo. Mesmo estando no ar desde 1992, merece um destaque por aqui pela sua persistente renovação e pelo permanecimento na Tv britânica mesmo após vários cortes de gastos.
Keen on Boys é fruto de uma banda sueca incrível e que recomendo uma busca por toda discografia, The Radio Dept., e está em um dos melhores soundtracks de todos os tempos: Marie Antoinette (2006, Sofia Coppola). Quem não conhece nem a banda nem o filme, vale a pena começar por essa música.
Lady Gaga, sim. A mulher explodiu nas pistas de dança, na internet, nos prêmios; criou polêmica para aparecer, cria as próprias músicas, recriou as megaproduções de clipes. Quer você (ou eu) goste ou não, por mais brega que ela seja, é um fenômeno. Há muito não tinhamos alguém tão interessante para comentar.
The Mummers é, na verdade, uma recomendação. Com pouca visibilidade até no público virtual, essa banda busca timbres inusitados, composições variadas e uma vocalista um tanto quanto diferente. Mostra quão plural foi a produção dessa década.
Napster teve sua ideia original interrompida em setembro de 2001, mas as consequências da troca de músicas virtualmente, de graça, mudou para sempre a história do comércio de qualquer propriedade cultural. Ao ponto de bandas lançarem primeiro em seus sites e depois em formato tradicional.
(continua no próximo post)
COMENTEM!!
Apontarei, portanto, alguns dos destaques (a maioria positivos) dessa década que está prestes a acabar em ordem alfabética. Pelo sistema que adotarei, algumas injustiças ocorrerão. Peço desculpas desde já se aquele artista que você adora não for citado aqui, nem os meus consiguirão seu espaço neste post.
Isto são lembranças das minhas experiências, algumas mais conhecidas, outras mais underground mesmo; algumas que emocionaram a todos, e outros momentos totalmente particulares. Espero que gostem:
Amy Winehouse foi uma das artistas mais comentadas, mais ouvidas e mais inovadoras desses últimos tempos. Retomou o estilo old school de "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" (ou seria R&B) e trouxe um monte de gente para copiá-la.
Blue Orchid é uma das músicas mais legais da dupla The White Stripes. Assim como a maior parte do trabalho deles, essa música possui uma letra irônica, uma distorção crua, um tempo quebrado. Representa muito bem uma das melhores bandas dessa safra.
Coachella Festival é um dos roteiros obrigatórios para a consagração das bandas de peso internacional. Anual desde 2001, o evento já teve milhões de espectadores, rendeu bilhões e foi palco de quase todo meu iTunes. Sem contar com aquele papo sustentável super importante.
Danger Mouse é o produtor da década. E digo isso sem medo algum. Ele assinou trabalhos importantes, não em termos de venda, mas de qualidade: The Good, The Bad and The Queen, o álbum Dark Side of the Soul, Gnarls Barkley...todos trabalhos excepcionais.
Encore (álbum), do rapper Eminem, é um daqueles casos "Ame-o ou Deixe-o". Estou mais para admirador. Não cai na rotineira gangsta life que se tornou comum no hip-hop, nem se prendeu ao tradicionalismo repetitivo. Para quem conhece apenas o lado polêmico dele, vale a pena conferir.
Fuck You, expressão chula em inglês, foi cantada e poetizada diversas vezes, por novos "porra-loucas" em mensagem nas entrelinhas como Britney Spears, por gente reconhecidamente doidona como Lily Allen, por gente respeitada pela alta crítica como Cee-lo Green, até nos tribunais americanos - vide caso Metallica. Isso só mostra como todos eles conseguiram, atravéz da música, chamar atenção de todo mundo. Que tal não deixar mais isso acontecer na próxima década?
Game Theory é o sétimo trabalho de estúdio da banda de hip-hop The Roots. Apesar de não conhecer tanto do gênero, nunca ouvi algo que me agradasse tanto. Os arranjos são de um cuidado único, as letras abordam dezenas de temas, isso tudo buscando referência do rap do final dos anos 80 e início dos 90. Muito bom!
Hamilton de Holanda já estava nos palcos candangos desde meados dos anos 90, mas foi nessa primeira década dos 2000 que ele se consagrou não só como expoente brasileiro, mas também como ícone internacional, lançou seu melhor álbum, prêmios mais expressivos e ainda criou o bandolim de 10 cordas. Se tem alguém que representou bem a nova música feita por brasileiros, essa pessoa é Hamilton de Holanda.
Is this it é o álbum da década. Lançado em 2001, Strokes foram um dos pioneiros da pegada indie rocker que seria predominante na gênese das bandas de qualidade. A primeira capa também foi sensacional, sucesso de público e primeiro colocado em diversos rankings especializados.
Jools Holland conseguiu chegar ao programa 250 de sua série, sempre revelando novos artistas, trazendo nomes já reconhecidos e artistas de todos os lugares do mundo. Mesmo estando no ar desde 1992, merece um destaque por aqui pela sua persistente renovação e pelo permanecimento na Tv britânica mesmo após vários cortes de gastos.
Keen on Boys é fruto de uma banda sueca incrível e que recomendo uma busca por toda discografia, The Radio Dept., e está em um dos melhores soundtracks de todos os tempos: Marie Antoinette (2006, Sofia Coppola). Quem não conhece nem a banda nem o filme, vale a pena começar por essa música.
Lady Gaga, sim. A mulher explodiu nas pistas de dança, na internet, nos prêmios; criou polêmica para aparecer, cria as próprias músicas, recriou as megaproduções de clipes. Quer você (ou eu) goste ou não, por mais brega que ela seja, é um fenômeno. Há muito não tinhamos alguém tão interessante para comentar.
The Mummers é, na verdade, uma recomendação. Com pouca visibilidade até no público virtual, essa banda busca timbres inusitados, composições variadas e uma vocalista um tanto quanto diferente. Mostra quão plural foi a produção dessa década.
Napster teve sua ideia original interrompida em setembro de 2001, mas as consequências da troca de músicas virtualmente, de graça, mudou para sempre a história do comércio de qualquer propriedade cultural. Ao ponto de bandas lançarem primeiro em seus sites e depois em formato tradicional.
(continua no próximo post)
COMENTEM!!
sábado, 27 de novembro de 2010
Recomendações 27/11
Eu já expressei minha admiração pelo atual cenário sueco vez ou outra por aqui antes, de maneira um tanto quanto discreta. E a pedidos de um irmão aniversariante e que é tão apaixonado quanto eu nesse pessoal.
O fato é que se você for muito a fundo, descobrir-se-á que há uma certa monotonia, uma semelhança chata com os grandes expoentes. Isso é natural de acontecer em qualquer grande cena, principalmente as de qualidade.
O primeiro estigma que quero tirar é que lá só existe banda de death metal retardado e o ABBA. E não necessariamente o pop é besta ou apenas músicas "pra dançar", este termo está muito mais vinculado com a complexidade harmônica, aceitação do grande público e mais um monte de filosofias que não vale tanto a pena explicar por agora.
Isso tudo para dizer que isso que será apresentado é uma dessas facetas do pop.
Hoje são três recomendações, começando com o mais genial de todos: Jens Lekman.
O cara escreve de maneira simples, sem deixar a veia poética de lado, utiliza hora de um arranjo simples, hora de instrumentação orquestrada. O mais importante é entender a flexibilidade e a amplitude do trabalho dele. O álbum "When I said that I wanted to be your dog" é maravilhoso.
Presta atenção na letra!
Uma dupla que faz um som bem bacana também é o "Suburban Kids with Biblical Names". Sim, o nome da banda é esse mesmo. E já é uma prévia do que está por vir, uma sonoridade descontraída, com letras que remete indiretamente ao mundo geek (em ascendente moda no mundo inteiro, vide o sucesso de "Big Bang Theory") e riffs que te acompanharão durante o dia e na hora de dormir. Eles têm alguns EP's lançados na internet, vale a pena procurar o #3.
Reparem na cara de nerd entediado que eles fazem...
Mudando um pouco de estilo, partindo para um pessoal mais baladeiro, temos dois grandes nomes que valem a pena serem citados. O primeiro fez um sucesso absurdo com single "Young Folks". Se você não se lembra, busque no google que rapidinho se recordará. Uma pena o reconhecimento deles ficar apenas nisso, vale conhecer o álbum "Writer's Block" de 2009.
O segundo vem criando o seu espaço nas melhores pistas de dança do mundo e nas melhores trilhas sonoras de filmes e jogos por aí. Desde o lançamento do álbum epônimo, Miike Snow têm conquistado a crítica de gente muito chata, tipo BBC e The Guardian, este dizendo que é a mistura de "A-Ha com Animal Collective". A grande característica das bandas suecas também aparece aqui, letras e arranjos simples, e algo que ecoe na sua cabeça durante um tempo considerável.
Clipe muito maneiro.
Espero ter instigado você, caro amigo e leitor, a curiosidade por essas bandas.
Abraços, e até o próximo post!
O fato é que se você for muito a fundo, descobrir-se-á que há uma certa monotonia, uma semelhança chata com os grandes expoentes. Isso é natural de acontecer em qualquer grande cena, principalmente as de qualidade.
O primeiro estigma que quero tirar é que lá só existe banda de death metal retardado e o ABBA. E não necessariamente o pop é besta ou apenas músicas "pra dançar", este termo está muito mais vinculado com a complexidade harmônica, aceitação do grande público e mais um monte de filosofias que não vale tanto a pena explicar por agora.
Isso tudo para dizer que isso que será apresentado é uma dessas facetas do pop.
Hoje são três recomendações, começando com o mais genial de todos: Jens Lekman.
O cara escreve de maneira simples, sem deixar a veia poética de lado, utiliza hora de um arranjo simples, hora de instrumentação orquestrada. O mais importante é entender a flexibilidade e a amplitude do trabalho dele. O álbum "When I said that I wanted to be your dog" é maravilhoso.
Presta atenção na letra!
Uma dupla que faz um som bem bacana também é o "Suburban Kids with Biblical Names". Sim, o nome da banda é esse mesmo. E já é uma prévia do que está por vir, uma sonoridade descontraída, com letras que remete indiretamente ao mundo geek (em ascendente moda no mundo inteiro, vide o sucesso de "Big Bang Theory") e riffs que te acompanharão durante o dia e na hora de dormir. Eles têm alguns EP's lançados na internet, vale a pena procurar o #3.
Reparem na cara de nerd entediado que eles fazem...
Mudando um pouco de estilo, partindo para um pessoal mais baladeiro, temos dois grandes nomes que valem a pena serem citados. O primeiro fez um sucesso absurdo com single "Young Folks". Se você não se lembra, busque no google que rapidinho se recordará. Uma pena o reconhecimento deles ficar apenas nisso, vale conhecer o álbum "Writer's Block" de 2009.
O segundo vem criando o seu espaço nas melhores pistas de dança do mundo e nas melhores trilhas sonoras de filmes e jogos por aí. Desde o lançamento do álbum epônimo, Miike Snow têm conquistado a crítica de gente muito chata, tipo BBC e The Guardian, este dizendo que é a mistura de "A-Ha com Animal Collective". A grande característica das bandas suecas também aparece aqui, letras e arranjos simples, e algo que ecoe na sua cabeça durante um tempo considerável.
Clipe muito maneiro.
Espero ter instigado você, caro amigo e leitor, a curiosidade por essas bandas.
Abraços, e até o próximo post!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Ontem eu vi um mito

Não, não é exagero o título. Dentre vários shows, dos mais variados estilos e formas, inclusive de artistas internacionais de renome em que já tive o prazer de presenciar, no dia 18 de novembro eu vi, de fato, um mito. E não é mero fanatismo escrevendo aqui, conheço relativamente muito pouco do trabalho de Pepeu Gomes, apesar da minha admiração já existir.
Considerado um dos melhores guitarristas do mundo pela revista Guitar World, Pepeu me mostrou (e mais cerca de 300 ou 400 pessoas) o por que de tal posto.
Logo no início da apresentação, o rock domina as duas primeiras músicas. Essa introdução já te alertava o que ainda estava por vir, uma técnica incontestável, passeando pelo braço inteiro da guitarra, usando da velocidade na hora certa, de pausas, harmônicos e efeitos de pedais de forma tão natural que arrancava urros de reverência.
Mas isso, como ele mesmo diz, qualquer gringo faz. Eles (a banda era simplesmente fenomenal) estavam apenas aquecendo nesse começo rockeiro. Aí começa a genialidade:
Um choro com guitarra distorcida toma conta do Clube do Choro. As feições das pessoas ali presentes eram de não estarem acreditando no que estavam vendo, inclusive a minha. Era inacreditável a sonoridade que se passava, os timbres tão únicos - devido, entre outros fatores, àquela guitarra feita por um luthier que desconheço, mas que com certeza é muito bom no que faz - tornavam cada nota mais intensa e mais profunda que a anterior.
Logo antes do break, Pepeu e sua trupe puxam um pout-pourri do chorinho, um tributo à música brasileira; e nessa hora o show chega ao ápice. Carregando uma guitarra baiana, o cara conduz a platéia a reviver clássicos como "Lamentos", "Carinhoso", "Noites Cariocas", "Brasileirinho". Ok, o que tão genial tem nisso? Afinal, muitos já fizeram isso, certo? Errado, mudou-se o "como".
Partindo da maneira tradicional do chorinho, em uma progressão perfeita, ele mantém a estrutura principal e transforma num rock pautado numa cozinha (baixo e bateria) de baião! Vale salientar que se eu - e talvez todos os outros guitarristas do mundo - tentasse fazer isso o resultado seria desastroso. E isso tudo sem ficar com aquele gosto horrível de muitos artistas metidos a "brazucas" demais, caindo no clichè de um Brasil amazônico e somente possuidor de zambumba e samba.
Os aplausos duraram minutos, era o mínimo que poderíamos devolver a alguém que deixou em nossas memórias um dos sentimentos mais incríveis já sentidos, sentimento esse que apenas a música de alta qualidade pode proporcionar, e que só tendo presenciado alguma vez na vida para entender o que escrevo aqui - admito ainda estar um pouco atordoado com o que me aconteceu.
Então ele volta da pausa com duas bossas e um bolero em versão semi-acústica, reafirmando a diversidade brasileira e como saber explora-la. Organiza um coro improvisado do público em "Menino do Rio" antes de voltar para a guitarra. E quando volta, mostra uma nova faceta à apresentação, tocando duas salsas tão alegres e dançantes que foi dificílimo ficar parado, sentado num cadeira. A vontade de todos era de levantar e correr, dançar...tamanha sinceridade que estava sendo passada naqueles momentos.
O show termina com um rock funkeado, e uma sensação de "quero mais" eterno.
Não é ufanismo dizer que esse sujeito está entre os melhores guitarristas da história. O grande diferencial se encontra na versatilidade do repertório e da sabedoria de como usar o virtuosismo no momento certo e quando deixar uma nota soar, qualidades quase que esquecidas na maioria dos grandes nomes usuais.
Viva o rock! Viva o chorinho! Viva o Brasil! Viva o nosso mito: Pepeu Gomes!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Post Extraodinário
Bom, admito minha admiração pela voz e pelas canções da única grande "rockeira" da atualidade (no conceito do Slash de Sexo, Drogas e Música): Amy Winehouse. Por isso o post extraodinário de hoje.
E é deprimente ver o estado em que ela chegou, mas como não estou aqui para expressar juízo de valor, somente apresento uma música nova dela. Provavelmente estará em seu próximo álbum, com data prevista para 2011 apenas.
Eu gostei bastante...
Abraços!
E é deprimente ver o estado em que ela chegou, mas como não estou aqui para expressar juízo de valor, somente apresento uma música nova dela. Provavelmente estará em seu próximo álbum, com data prevista para 2011 apenas.
Eu gostei bastante...
Abraços!
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
PS: Halloween
Desde já peço desculpas por um lapso de atenção no último post: nada falei dos mortos-vivos! Criaturas mais que presentes no Halloween, presentes no limiar entre o nosso mundo e a pós-vida, e que a história já dá sua importância a eles.
A primeira a ser lembrada aqui é a Joni Mitchell. De volta ao movimento hippie, com uma voz suave e ao mesmo tempo poderosa, de lirismo simples e arranjos idem, a canadense encantava a todos que a dessem ouvidos por alguns segundos. É com certeza a precursora dessa leva - um tanto quanto enjoativa - de compositoras como Florence and The Machine, She & Him, Fiona Apple, Kate Nash e afins. Mesmo gostando da maioria delas, admito que a originalidade não é o forte desse pessoal. Hoje em dia ela não tem grandes projetos ou aparições (zumbi). Para quem não conhece, vale a pena começar com Blue (1971). O vídeo é auto-explicativo:
Muito bonito.
Há quem diga que ele não é de fato um zumbi, mas um imortal. Não entrando no mérito da dúvida de como ele ainda respira, Iggy Pop é uma figura memorável não só para o rock, mas também para a cultura pop (se é que a diferença é tanta assim). E por ele ser uma figura muito conhecida, pouca gente o conhece de fato.
Pode parecer um pensamento confuso, mas faz sentido. Muitas coisas caem no senso comum; e por mais óbvio que isso possa ser, começamos a conhecer cada vez menos desse objeto. Exemplo dessa "teoria" é Iggy Pop. São poucos que nunca ouviram falar dele, sabem uma ou outra música dele, mas seus trabalhos mesmo não são tão explorados quanto merecem - pelo menos hoje em dia. É impossível falar de punk e tudo o que veio com isso sem citá-lo. Na internet é fácil de achar os melhores álbuns do Iggy, tanto com os Stooges quanto solo (fujam do mais recente dele, fica a dica).
Excêntrico, perfomático, doido, drogado...chame do que quiser:
Já viram "Trainspotting"?
Agora que já vimos os zumbis, acho justo terminar esses posts de Dia das Bruxas.
Até a próxima!
A primeira a ser lembrada aqui é a Joni Mitchell. De volta ao movimento hippie, com uma voz suave e ao mesmo tempo poderosa, de lirismo simples e arranjos idem, a canadense encantava a todos que a dessem ouvidos por alguns segundos. É com certeza a precursora dessa leva - um tanto quanto enjoativa - de compositoras como Florence and The Machine, She & Him, Fiona Apple, Kate Nash e afins. Mesmo gostando da maioria delas, admito que a originalidade não é o forte desse pessoal. Hoje em dia ela não tem grandes projetos ou aparições (zumbi). Para quem não conhece, vale a pena começar com Blue (1971). O vídeo é auto-explicativo:
Muito bonito.
Há quem diga que ele não é de fato um zumbi, mas um imortal. Não entrando no mérito da dúvida de como ele ainda respira, Iggy Pop é uma figura memorável não só para o rock, mas também para a cultura pop (se é que a diferença é tanta assim). E por ele ser uma figura muito conhecida, pouca gente o conhece de fato.
Pode parecer um pensamento confuso, mas faz sentido. Muitas coisas caem no senso comum; e por mais óbvio que isso possa ser, começamos a conhecer cada vez menos desse objeto. Exemplo dessa "teoria" é Iggy Pop. São poucos que nunca ouviram falar dele, sabem uma ou outra música dele, mas seus trabalhos mesmo não são tão explorados quanto merecem - pelo menos hoje em dia. É impossível falar de punk e tudo o que veio com isso sem citá-lo. Na internet é fácil de achar os melhores álbuns do Iggy, tanto com os Stooges quanto solo (fujam do mais recente dele, fica a dica).
Excêntrico, perfomático, doido, drogado...chame do que quiser:
Já viram "Trainspotting"?
Agora que já vimos os zumbis, acho justo terminar esses posts de Dia das Bruxas.
Até a próxima!
domingo, 31 de outubro de 2010
Recomendações 31/10
Feliz Dia das Bruxas!
As recomendações de hoje seguirão o clima de Halloween, com dois artistas que já morreram mas que a presença deles está mais viva que nunca - digo musicalmente, ok?!
Muitas das bandas veneradas dos dias de hoje puxam inspiração de Ian Curtis, líder do Joy Division. Não se assuste se descobrir por aqui que Interpol não é tão original assim, que "Shadowplay" não é do Killers, e essa voz desleixada e grave já era usada nos anos 70. Principalmente nas bandas inglesas, os ouvidos mais atentos percebem a bateria marcial aqui, o baixo retilínio acolá e os riffs grudentos de teclado e guitarra em quase todas as bandas mais pedidas. Quem não conhece está atrasado. Mas não se preocupe caso a carapuça tenha servido, antes tarde do que nunca e fico feliz em te apresentar. Para os que conhecem, se já não perceberam, tente reconhecer as semelhanças com Editors, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, The Nationals, The Strokes...
o audio está meio ruim...
Agora assita isso:
Reciclagem, a gente se vê por aqui.
Outra perda para a música, essa mais recente, é Elliot Smith. O americano fazia com brilhantismo esse folk rock que tenta se reerguer no grande público, sem cair na melancolia barata ou no experimentalismo típico de gente que quer ser artista demais. A influência dele ainda não aparece com tanta força - numa análise macro do que acontece-, mas não demorará e teremos artistas se consagrando com um arranjo disfarçado de Smith. Para quem não conhece, inicie com o álbum "Either/Or" de 1997.
So, Trick or Treat? Tem gente que gosta mesmo é de se fantasiar.
As recomendações de hoje seguirão o clima de Halloween, com dois artistas que já morreram mas que a presença deles está mais viva que nunca - digo musicalmente, ok?!
Muitas das bandas veneradas dos dias de hoje puxam inspiração de Ian Curtis, líder do Joy Division. Não se assuste se descobrir por aqui que Interpol não é tão original assim, que "Shadowplay" não é do Killers, e essa voz desleixada e grave já era usada nos anos 70. Principalmente nas bandas inglesas, os ouvidos mais atentos percebem a bateria marcial aqui, o baixo retilínio acolá e os riffs grudentos de teclado e guitarra em quase todas as bandas mais pedidas. Quem não conhece está atrasado. Mas não se preocupe caso a carapuça tenha servido, antes tarde do que nunca e fico feliz em te apresentar. Para os que conhecem, se já não perceberam, tente reconhecer as semelhanças com Editors, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, The Nationals, The Strokes...
o audio está meio ruim...
Agora assita isso:
Reciclagem, a gente se vê por aqui.
Outra perda para a música, essa mais recente, é Elliot Smith. O americano fazia com brilhantismo esse folk rock que tenta se reerguer no grande público, sem cair na melancolia barata ou no experimentalismo típico de gente que quer ser artista demais. A influência dele ainda não aparece com tanta força - numa análise macro do que acontece-, mas não demorará e teremos artistas se consagrando com um arranjo disfarçado de Smith. Para quem não conhece, inicie com o álbum "Either/Or" de 1997.
So, Trick or Treat? Tem gente que gosta mesmo é de se fantasiar.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Silêncio!!
(Peço desculpas pela frequência de postagens ter abaixado. O ano letivo começou com certo vigor e meu empenho por aqui acabou sendo prejudicado. Mas como quem é vivo sempre aparece...cá estou!)
Hoje eu me apoiarei na filosofia, mais especificamente na cartesiana. Pode parecer meio abstrato, mas vale a pena a reflexão.
Renè Descartes, de volta à 1600 e alguma coisa, em cartas para a rainha Elizabeth, disserta sobre os níveis de conhecimento, racionalidade e como atingir tais patamares intelectuais. Trocando em miúdos, diz que é benéfico ao bom "pensador" que passe um tempo sem pensar, vez ou outra. Isso mesmo, o descanso faz parte do crescimento, segundo ele.
Esse pensamento já é utilizado em manuais para pré-vestibulandos, para atletas, tanto de ponta, quanto de finais de semana e agora proponho aqui para apreciadores de música. Morando numa cidade grande, é usual nos acostumarmos como um monte de ruídos - ar condicionado, o seu PC com o cooler sujo, o carro passando lá fora, a TV ligada em outro cômodo, etc - até chegar num ponto que pouco interferem no nosso campo auditivo. Adicionado a isso, vem o nosso iTunes para encrementar a farra sonora.
O resultado disso é quase a equivalência do que escutamos com ruídos usuais. Está ali tocando, contudo, é como se fizesse parte da poluição que te cerca. Isso acontece sempre? Não. O importante aqui é termos consciência desse fenômeno e simplesmente tentar minimizar a ocorrência desse efeito - que é mais fácil de acontecer do que imaginamos. Não abrir seu iTunes por um dia, ou não ligar o rádio do carro ou até mesmo não falar podem mudar o valor atribuído a cada acorde depois.
Um exemplo dos resultados desse "break" está na história do artista americano Bob McFerrin. A fim de aprimorar seu ouvido e das habilidades com os sons corporais, o cara se isolou num quarto e passou um ano sem escutar mais nada. Não apoio atitudes extremistas, mas essa foi genial. E se passássemos 10 minutos por dia tentando escutar os sons que nos rondam? O importante é dar mais valor àquilo que escutamos.
Outro exemplo extremista da relação silêncio/música seria as "loucuras" - se é que podemos assim chamar - de John Cage e seu recital 4'33'' . Ele simplesmente fez uma peça do silêncio. Fica mais abstrato do que já é se eu continuar falando. Fica aqui uma mostra muito bem representada:
Genial? Não é música? O silêncio te incomodou?
Eita Descartes...
Abraços!
Hoje eu me apoiarei na filosofia, mais especificamente na cartesiana. Pode parecer meio abstrato, mas vale a pena a reflexão.
Renè Descartes, de volta à 1600 e alguma coisa, em cartas para a rainha Elizabeth, disserta sobre os níveis de conhecimento, racionalidade e como atingir tais patamares intelectuais. Trocando em miúdos, diz que é benéfico ao bom "pensador" que passe um tempo sem pensar, vez ou outra. Isso mesmo, o descanso faz parte do crescimento, segundo ele.
Esse pensamento já é utilizado em manuais para pré-vestibulandos, para atletas, tanto de ponta, quanto de finais de semana e agora proponho aqui para apreciadores de música. Morando numa cidade grande, é usual nos acostumarmos como um monte de ruídos - ar condicionado, o seu PC com o cooler sujo, o carro passando lá fora, a TV ligada em outro cômodo, etc - até chegar num ponto que pouco interferem no nosso campo auditivo. Adicionado a isso, vem o nosso iTunes para encrementar a farra sonora.
O resultado disso é quase a equivalência do que escutamos com ruídos usuais. Está ali tocando, contudo, é como se fizesse parte da poluição que te cerca. Isso acontece sempre? Não. O importante aqui é termos consciência desse fenômeno e simplesmente tentar minimizar a ocorrência desse efeito - que é mais fácil de acontecer do que imaginamos. Não abrir seu iTunes por um dia, ou não ligar o rádio do carro ou até mesmo não falar podem mudar o valor atribuído a cada acorde depois.
Um exemplo dos resultados desse "break" está na história do artista americano Bob McFerrin. A fim de aprimorar seu ouvido e das habilidades com os sons corporais, o cara se isolou num quarto e passou um ano sem escutar mais nada. Não apoio atitudes extremistas, mas essa foi genial. E se passássemos 10 minutos por dia tentando escutar os sons que nos rondam? O importante é dar mais valor àquilo que escutamos.
Outro exemplo extremista da relação silêncio/música seria as "loucuras" - se é que podemos assim chamar - de John Cage e seu recital 4'33'' . Ele simplesmente fez uma peça do silêncio. Fica mais abstrato do que já é se eu continuar falando. Fica aqui uma mostra muito bem representada:
Genial? Não é música? O silêncio te incomodou?
Eita Descartes...
Abraços!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Músicas que marcam
A música talvez seja a arte que marque mais facilmente e mais rapidamente os momentos da vida de uma pessoa. Inclusive abrangendo em outras artes, como no cinema. Muitas cenas não seriam tão empolgantes assim sem aquela brilhante trilha sonora; só para exemplificar: cena do esfaqueamento de Psicose, cena das escadas em Rocky "algum número" ou até mesmo a falta de fundo musical.
O mais impressionante dessa conversa é que as vezes o motivo para registrar na sua memória são os mais banais, não necessariamente gostando da música, querer escutar tal faixa naquele momento e até mesmo tanto fazer o que estar a tocar, mas o artista a interpretá-la.
Outro aspecto muito curioso deste tópico é o fato das barreiras do preconceito ou da discriminação não influenciarem tanto. Digo isso porque se não for de agrado do ouvinte, a situação fica ainda mais memorável (experiência própria). Nesse caso esdrúxulo, lembro-me claramente o meu primeiro contato com a Lacraia. Sim, querido leitor, isso marcou minha vida. Era minha chegada numa pacata praia no Espírito Santo, Meaípe, após algumas horas de viagem e me deparo com aquele apanhado de sons (recuso-me a chamar de música), e aquela visão de praia lotada, na hora foi deprimente, hoje é cômico. Inclusive me faz lembrar com riqueza de detalhes tal experiência.
Minha mãe é um dos exemplos mais incríveis desse fenômeno. No final do delicado parto de meu irmão, "Canção da América" do Milton Nascimento preenche a sala de parto, dando um monte de significação para a trilha e mais beleza ao início de mais uma vida.
Um último caso que gostaria de narrar aqui teve começo na minha reprovação no vestibular 1º/2010 da UnB. No exato instante que vi o resultado, tocava "Smells Like a Teen Spirit". E aquilo acompanhou o meu choro e a depressão que tomou minha casa. Após um semestre de pré-vestibular, muito esforço, um blog (http://51diasparaunb.blogspot.com), a recompensa veio. Com a aprovação, veio também trote. O mais impressionante acontece agora: enquanto voltava para casa depois de terem me sujado todo, o shuffle do iPod decide tocar "Smells Like a Teen Spirit" novamente, como se desse fim a um ciclo.
Todos nós temos diversas histórias para contar, e reparem, muitas delas tem música como parte significante. Vale até primeiro beijo, entrada no casamento, aquela de todo mundo reunido em alguma formatura...
Abraços!
PS: meu número de posts realmente reduziram, as férias acabaram né?!
O mais impressionante dessa conversa é que as vezes o motivo para registrar na sua memória são os mais banais, não necessariamente gostando da música, querer escutar tal faixa naquele momento e até mesmo tanto fazer o que estar a tocar, mas o artista a interpretá-la.
Outro aspecto muito curioso deste tópico é o fato das barreiras do preconceito ou da discriminação não influenciarem tanto. Digo isso porque se não for de agrado do ouvinte, a situação fica ainda mais memorável (experiência própria). Nesse caso esdrúxulo, lembro-me claramente o meu primeiro contato com a Lacraia. Sim, querido leitor, isso marcou minha vida. Era minha chegada numa pacata praia no Espírito Santo, Meaípe, após algumas horas de viagem e me deparo com aquele apanhado de sons (recuso-me a chamar de música), e aquela visão de praia lotada, na hora foi deprimente, hoje é cômico. Inclusive me faz lembrar com riqueza de detalhes tal experiência.
Minha mãe é um dos exemplos mais incríveis desse fenômeno. No final do delicado parto de meu irmão, "Canção da América" do Milton Nascimento preenche a sala de parto, dando um monte de significação para a trilha e mais beleza ao início de mais uma vida.
Um último caso que gostaria de narrar aqui teve começo na minha reprovação no vestibular 1º/2010 da UnB. No exato instante que vi o resultado, tocava "Smells Like a Teen Spirit". E aquilo acompanhou o meu choro e a depressão que tomou minha casa. Após um semestre de pré-vestibular, muito esforço, um blog (http://51diasparaunb.blogspot.com), a recompensa veio. Com a aprovação, veio também trote. O mais impressionante acontece agora: enquanto voltava para casa depois de terem me sujado todo, o shuffle do iPod decide tocar "Smells Like a Teen Spirit" novamente, como se desse fim a um ciclo.
Todos nós temos diversas histórias para contar, e reparem, muitas delas tem música como parte significante. Vale até primeiro beijo, entrada no casamento, aquela de todo mundo reunido em alguma formatura...
Abraços!
PS: meu número de posts realmente reduziram, as férias acabaram né?!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Recomendações 28/09
Na recomendação dessa semana falarei de uma mistura implacável: Jazz + Trompete. Sei que soarei tendencioso agora, mas não vejo instrumento de sopro tão expressivo quanto o trompete, principalmente para o jazz. Talvez por causa de minha criação onde Dizzy Gillespie e Miles Davis eram ouvidos incessavelmente.
Recomendarei dois artistas sensacionais e não tão óbvios assim, mais por inconveniência da história do que por incompetência deles. Apesar do reconhecimento da crítica e de boa parcela do público do "gênero", ainda os vejo como integrantes do grupo "não tão lembrados assim".
O primeiro faz parte da época da supremacia das big bands e do swing. Louis Prima era de família italiana e trazia todo o calor de um sangue latino para suas músicas. Além de exímio trompetista, cantava e liderava sua orquestra em apresentações memoráveis. Muitos não o conhecem, o que é uma pena.
Confira "Just a gigolo", dele também.
A segunda recomendação é Chet Baker. Um dos ícones do cool jazz, afundou-se em heroína a maior parte de sua carreira, o que prejudicou muito não só alguns de seus trabalhos, mas também sua aparência. Seu trompete é muito profundo e intenso, realmente passa tudo o que o artista sente. Posto aqui um video dele cantando - fato que foi um erro em termos de qualidade - o hit Time After Time.
No youtube não tem tantos videos bons dele, tente outras fontes na hora de procurar coisa dele.
Abraços!
Recomendarei dois artistas sensacionais e não tão óbvios assim, mais por inconveniência da história do que por incompetência deles. Apesar do reconhecimento da crítica e de boa parcela do público do "gênero", ainda os vejo como integrantes do grupo "não tão lembrados assim".
O primeiro faz parte da época da supremacia das big bands e do swing. Louis Prima era de família italiana e trazia todo o calor de um sangue latino para suas músicas. Além de exímio trompetista, cantava e liderava sua orquestra em apresentações memoráveis. Muitos não o conhecem, o que é uma pena.
Confira "Just a gigolo", dele também.
A segunda recomendação é Chet Baker. Um dos ícones do cool jazz, afundou-se em heroína a maior parte de sua carreira, o que prejudicou muito não só alguns de seus trabalhos, mas também sua aparência. Seu trompete é muito profundo e intenso, realmente passa tudo o que o artista sente. Posto aqui um video dele cantando - fato que foi um erro em termos de qualidade - o hit Time After Time.
No youtube não tem tantos videos bons dele, tente outras fontes na hora de procurar coisa dele.
Abraços!
domingo, 26 de setembro de 2010
Questão de Cena
O universo das artes em geral é, normalmente, conduzido por uma certa ideologia - barata ou não - e algumas características comuns aos adeptos do movimento que se evidencia na época de cada ser. A união de vários artistas com o mesmo intuito, sendo essa organização voluntária ou não, dá força ao que chamamos de cena. Repare, contudo, que esse objetivo não significa que a forma de abordagem será idêntica, no máximo semelhante (para bons exemplos, obviamente).
Tudo começa com a inquietação por parte de algumas pessoas de querer mudar o que estava em vigor, com ascensão do novo. A talvez primeira grande ruptura tenha ocorrido com Elvis Presley nos anos 50, quando a segregação racial americana se mostrava até nas músicas. Aí me chega um branquelo, com voz de negro, cantando uma mistura de country com o jazz e blues, sem contar as danças super provocantes para o terror dos pais de garotas. E com ele vem uma lista enorme de gente botando os paradigmas de até então abaixo. Trabalho esse que depois os Beatles e os Stones fariam no Reino Unido um pouco mais tarde.
Nesse exemplo a ideologia nem era o forte, apenas o fato de querer se divertir com o que é bom, independente de quem faça ou como. Parece coisa de adolescente revoltado com o mundo, mas foi o início do fim das barreiras inter-sociais - não que ela tenha se extinguido.
No Brasil, também temos bons exemplos, citarei um no qual me identifico mais: o Rock Brasil dos anos 80. Não são bandas com os estilos tão parecidos assim, mas que, apesar de vez ou outra caírem no lirismo, tinham bastante presente nas letras a crítica socio-política - reflexo do fim da ditadura militar. Acontece um pouco depois em Seatle o surgimento do movimento grunge, que tinham muito mais a vontade de resgatar o garage rock e uma certa melancolia do que semelhança sonora entre seus expoentes.
Onde quero chegar com esse todo blábláblá aqui é: hoje em dia, principalmente no Brasil, a falta de uma organização - ou até mesmo companherismo entre as bandas - faz com que o sertanejo continue sendo best seller desde o fim dos anos 80 lá com o Chitãozinho & Xororó, e o axé continue arrastando multidões desde meados dos 90; fatos esses fenomenais, "nunca na história desse mundo contemporâneo" um estilo ficou tanto tempo no topo.
Com toda essa pluralidade de sonoridades, ninguém consegue realmente seguir uma tendência de contra-posição ao velho, e querer mudar não significa odiar o que estava até então, mas reconhecer como bom apenas na sua devida época. Veja como as uniões de pensamento dão certo: emocore é uma explosão, os caras me criam toda uma cena por volta da necessidade do público jovem de falar de amor (por que Raimundos e Mamonas não eram tão românticos assim né?!) e bem ou mal, deram certo, pelo menos ganharam dinheiro. Mesma história desses muleques do Happy Rock, dos punks nos anos 70, e até da atual cena pop sueca - se você quiser ir muito longe.
O que falta hoje é organização, um pouco mais de profissionalismo, ideologia (por mais podre que ela seja) e um pouco de conhecimento histórico também não faria mal. Se o que acontece de novo fica restrito ao público independente/alternativo, algo está de errado. Termino o post de hoje com um pensamento de Chico Science:
"É nos organizando que vamos desorganizar"
Abraços!
PS: como citei bandas suecas, fica aqui duas sugestões ótimas: Jens Lekman e Suburban Kids with Biblical Names
Tudo começa com a inquietação por parte de algumas pessoas de querer mudar o que estava em vigor, com ascensão do novo. A talvez primeira grande ruptura tenha ocorrido com Elvis Presley nos anos 50, quando a segregação racial americana se mostrava até nas músicas. Aí me chega um branquelo, com voz de negro, cantando uma mistura de country com o jazz e blues, sem contar as danças super provocantes para o terror dos pais de garotas. E com ele vem uma lista enorme de gente botando os paradigmas de até então abaixo. Trabalho esse que depois os Beatles e os Stones fariam no Reino Unido um pouco mais tarde.
Nesse exemplo a ideologia nem era o forte, apenas o fato de querer se divertir com o que é bom, independente de quem faça ou como. Parece coisa de adolescente revoltado com o mundo, mas foi o início do fim das barreiras inter-sociais - não que ela tenha se extinguido.
No Brasil, também temos bons exemplos, citarei um no qual me identifico mais: o Rock Brasil dos anos 80. Não são bandas com os estilos tão parecidos assim, mas que, apesar de vez ou outra caírem no lirismo, tinham bastante presente nas letras a crítica socio-política - reflexo do fim da ditadura militar. Acontece um pouco depois em Seatle o surgimento do movimento grunge, que tinham muito mais a vontade de resgatar o garage rock e uma certa melancolia do que semelhança sonora entre seus expoentes.
Onde quero chegar com esse todo blábláblá aqui é: hoje em dia, principalmente no Brasil, a falta de uma organização - ou até mesmo companherismo entre as bandas - faz com que o sertanejo continue sendo best seller desde o fim dos anos 80 lá com o Chitãozinho & Xororó, e o axé continue arrastando multidões desde meados dos 90; fatos esses fenomenais, "nunca na história desse mundo contemporâneo" um estilo ficou tanto tempo no topo.
Com toda essa pluralidade de sonoridades, ninguém consegue realmente seguir uma tendência de contra-posição ao velho, e querer mudar não significa odiar o que estava até então, mas reconhecer como bom apenas na sua devida época. Veja como as uniões de pensamento dão certo: emocore é uma explosão, os caras me criam toda uma cena por volta da necessidade do público jovem de falar de amor (por que Raimundos e Mamonas não eram tão românticos assim né?!) e bem ou mal, deram certo, pelo menos ganharam dinheiro. Mesma história desses muleques do Happy Rock, dos punks nos anos 70, e até da atual cena pop sueca - se você quiser ir muito longe.
O que falta hoje é organização, um pouco mais de profissionalismo, ideologia (por mais podre que ela seja) e um pouco de conhecimento histórico também não faria mal. Se o que acontece de novo fica restrito ao público independente/alternativo, algo está de errado. Termino o post de hoje com um pensamento de Chico Science:
"É nos organizando que vamos desorganizar"
Abraços!
PS: como citei bandas suecas, fica aqui duas sugestões ótimas: Jens Lekman e Suburban Kids with Biblical Names
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A Magia dos Clipes
Há quem diga que são feitos apenas para mascarar a péssima qualidade do artista e que isso facilita o trash pop. Ainda culpam emissoras como a MTv por exibirem - pelo menos há um tempo atrás - videoclipes e, com isso, acabando com o gosto jovem. Acho uma visão muito extrema.
Sou daqueles que reconhece como uma poderosa arma de divulgação e, como qualquer merchandise, apela para diversos recursos para conseguir vender um produto, podendo inclusive te prender ao máximo a "historinha" do clipe e te fazer esquecer da música. Mas não vejo isso como via de regra.
Os primeiros a pensarem de forma diferente a relação câmera/música/artistas foram os grandes vanguardistas The Beatles. É bom diferenciar aqui, primeiro, que o mero fato de registrar a banda tocando não significa como um videoclipe mesmo; o que quero dizer aqui é: existem gravações do Bo Didley tocando nos anos 50, mas o primeiros a usarem isso como nova forma de divulgação e começar a pensar nisso como arte também foi o quarteto inglês. Eles começaram de forma tímida, botando Ringo Starr para correr numa bicicleta ergométrica enquanto o restante tocava e, fizeram uma versão alternativa deles comendo o tradicional Fish & Chips ao som de I Feel Fine.
Nos anos 70 os clipes ainda eram muito pouco utilizados e porcamente produzidos. Basicamente gravação da banda tocando em algum lugar esquisito ou com um plano saturado de tão colorido. Só em meados dos anos 80 com uma certa "evolução" tecnológica que veríamos algum progresso.
Era o boom da MTv e dos grandes investimentos nos videoclipes. Apesar de hoje quase todos parecerem muito brega, foram muito importante. Alguns ainda valiam a pena, tipo Take on Me do A-Ha - com aquele desenho em P&B riscado, interagindo o quadrinho (ficção) com a moça (realidade) - e Boys Don't Cry do The Cure - naquela brilhante ideia de botar crianças representando os membros originais, apenas sombras agora - mas era em sua maioria deprimente. O auge dessa época vem obviamente com Thriller do Michael Jackson. Alavancou a carreira dele ainda mais, fez com que os artistas começassem a pensar no que mais tarde também seria chamado de PromoVid - videos promocionais. Trocando em miúdos, um verdadeiro sucesso.
Desde então a qualidade dá um salto incrível e, nos anos 90 as coisas começam a ficar realmente interessante. Tudo bem que aquele frisson que rolava numa estreia do Dire Straits acabou, mas a importância ainda se mantinha. Os produtores viram também que as vezes não era necessário tanto investimento para fazer dar certo um videoclipe e que não era regra os o clipes terem muito a ver com a letra em si. Vimos então R.E.M com produções super bacanas, Radiohead idem. Foi no final nessa década também que vimos um certo declínio do interesse do público, infelizmente.
Em meio esfriamento dos ânimos, o gênio Damon Albarn cria um projeto que apostava muito no poder da imagem e da divulgação de clipes: Gorillaz. E por incrível que pareça, deu certo. Apostou na divulgação virtual, na banda imaginária totalmente bizarra e, obviamente, não deixou o lado musical - o mais importante, no final das contas - de lado. Ainda mais com o aparecimento do Youtube, outras bandas voltaram a investir pesado nessa ferramenta, caso do OK Go, conhecidos por webhits inusitados (como o clipe da esteira).
Ainda mais recentemente, temos o Maroon 5 e a parceria de Lady Gaga com Beyoncé produzindo verdadeiras obras hollywoodianas, bem ao estilo Michael Jackson com os clipes dele, dentro de cada tempo, obviamente. Gosto de ver esse talvez ressurgimento dos videoclipes, nada mais é que uma outra forma de arte e por isso merecem um certo espaço.
Colocarei aqui alguns clipes que eu curto bastante, talvez nem sejam os melhores de todos os tempos segundo especialistas de algum site ou revista importante, mas valem conferir.
Abraços!
Estilo comercial do VH1, hehe. Você consegue reconhecer todos os artistas?
Um nacional para entrar no post.
Sou daqueles que reconhece como uma poderosa arma de divulgação e, como qualquer merchandise, apela para diversos recursos para conseguir vender um produto, podendo inclusive te prender ao máximo a "historinha" do clipe e te fazer esquecer da música. Mas não vejo isso como via de regra.
Os primeiros a pensarem de forma diferente a relação câmera/música/artistas foram os grandes vanguardistas The Beatles. É bom diferenciar aqui, primeiro, que o mero fato de registrar a banda tocando não significa como um videoclipe mesmo; o que quero dizer aqui é: existem gravações do Bo Didley tocando nos anos 50, mas o primeiros a usarem isso como nova forma de divulgação e começar a pensar nisso como arte também foi o quarteto inglês. Eles começaram de forma tímida, botando Ringo Starr para correr numa bicicleta ergométrica enquanto o restante tocava e, fizeram uma versão alternativa deles comendo o tradicional Fish & Chips ao som de I Feel Fine.
Nos anos 70 os clipes ainda eram muito pouco utilizados e porcamente produzidos. Basicamente gravação da banda tocando em algum lugar esquisito ou com um plano saturado de tão colorido. Só em meados dos anos 80 com uma certa "evolução" tecnológica que veríamos algum progresso.
Era o boom da MTv e dos grandes investimentos nos videoclipes. Apesar de hoje quase todos parecerem muito brega, foram muito importante. Alguns ainda valiam a pena, tipo Take on Me do A-Ha - com aquele desenho em P&B riscado, interagindo o quadrinho (ficção) com a moça (realidade) - e Boys Don't Cry do The Cure - naquela brilhante ideia de botar crianças representando os membros originais, apenas sombras agora - mas era em sua maioria deprimente. O auge dessa época vem obviamente com Thriller do Michael Jackson. Alavancou a carreira dele ainda mais, fez com que os artistas começassem a pensar no que mais tarde também seria chamado de PromoVid - videos promocionais. Trocando em miúdos, um verdadeiro sucesso.
Desde então a qualidade dá um salto incrível e, nos anos 90 as coisas começam a ficar realmente interessante. Tudo bem que aquele frisson que rolava numa estreia do Dire Straits acabou, mas a importância ainda se mantinha. Os produtores viram também que as vezes não era necessário tanto investimento para fazer dar certo um videoclipe e que não era regra os o clipes terem muito a ver com a letra em si. Vimos então R.E.M com produções super bacanas, Radiohead idem. Foi no final nessa década também que vimos um certo declínio do interesse do público, infelizmente.
Em meio esfriamento dos ânimos, o gênio Damon Albarn cria um projeto que apostava muito no poder da imagem e da divulgação de clipes: Gorillaz. E por incrível que pareça, deu certo. Apostou na divulgação virtual, na banda imaginária totalmente bizarra e, obviamente, não deixou o lado musical - o mais importante, no final das contas - de lado. Ainda mais com o aparecimento do Youtube, outras bandas voltaram a investir pesado nessa ferramenta, caso do OK Go, conhecidos por webhits inusitados (como o clipe da esteira).
Ainda mais recentemente, temos o Maroon 5 e a parceria de Lady Gaga com Beyoncé produzindo verdadeiras obras hollywoodianas, bem ao estilo Michael Jackson com os clipes dele, dentro de cada tempo, obviamente. Gosto de ver esse talvez ressurgimento dos videoclipes, nada mais é que uma outra forma de arte e por isso merecem um certo espaço.
Colocarei aqui alguns clipes que eu curto bastante, talvez nem sejam os melhores de todos os tempos segundo especialistas de algum site ou revista importante, mas valem conferir.
Abraços!
Estilo comercial do VH1, hehe. Você consegue reconhecer todos os artistas?
Um nacional para entrar no post.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Ai a democracia...Parte 2
O VMB foi ontem e, como prevíamos, vários absurdos ocorrendo. Não vou me prolongar nesse post, passarei a escrever mais sobre assuntos de qualidade no universo musical, evitarei falar mal apenas - um post longo falando sobre o VMB estaria fadado à queimação de vários "artistas".
Apesar das inacreditáveis 5 estatuetas para o Restart nessa edição, comento dois pontos aqui:
A falta de respeito para com tal banda vencedora. Por pior que eles sejam, ser vaiado em rede nacional e ao vivo é uma coisa que não desejo nem para as piores pessoas. Isso, na verdade, faz com que nós - incluo-me neste grupo - da "oposição" dessa modinha Happy Rock percamos a razão. Não é sendo de um grupo de adoradores do Felipe Neto, outro premiado da noite, que mudaremos a cena pop brasileira. Odeio com todas as minhas forças toda essa molecada, mas ninguém tem o direito de fazer o que fizeram com eles na noite de ontem - da-lhe Voltaire, hehe. O importante é saber do que não gosta neles.
Agora coisas boas:
Assim como eu disse no post número 1, minha única esperança pousava no prêmio de apostas. Dito e feito! Tanto na categoria nacional quanto na internacional dois artistas merecidíssimos, apesar de não serem os mais indicados para a proposta de tentar prever quem vai estourar nas rádios nos próximos anos, vale para recompensá-los. Thiago Pethit era meu favorito entre os indicados, assim como School of Seven Bells na galera gringa. Quem não conhece nenhum dos trabalhos, fica aqui uma recomendação extraodinária.
É talvez a música de mais fácil compreensão deles.
Reparem como não é necessário muito para fazer música.
Abração!
Apesar das inacreditáveis 5 estatuetas para o Restart nessa edição, comento dois pontos aqui:
A falta de respeito para com tal banda vencedora. Por pior que eles sejam, ser vaiado em rede nacional e ao vivo é uma coisa que não desejo nem para as piores pessoas. Isso, na verdade, faz com que nós - incluo-me neste grupo - da "oposição" dessa modinha Happy Rock percamos a razão. Não é sendo de um grupo de adoradores do Felipe Neto, outro premiado da noite, que mudaremos a cena pop brasileira. Odeio com todas as minhas forças toda essa molecada, mas ninguém tem o direito de fazer o que fizeram com eles na noite de ontem - da-lhe Voltaire, hehe. O importante é saber do que não gosta neles.
Agora coisas boas:
Assim como eu disse no post número 1, minha única esperança pousava no prêmio de apostas. Dito e feito! Tanto na categoria nacional quanto na internacional dois artistas merecidíssimos, apesar de não serem os mais indicados para a proposta de tentar prever quem vai estourar nas rádios nos próximos anos, vale para recompensá-los. Thiago Pethit era meu favorito entre os indicados, assim como School of Seven Bells na galera gringa. Quem não conhece nenhum dos trabalhos, fica aqui uma recomendação extraodinária.
É talvez a música de mais fácil compreensão deles.
Reparem como não é necessário muito para fazer música.
Abração!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Recomendações 15/09
No post de hoje recomendarei dois álbuns de artistas que durante o hiato de seus projetos principais visaram novos horizontes e novas abordagens. Para a maioria dos fãs dessas bandas foi uma certa surpresa ver um resultado tão diferente das suas propostas anteriores. O que quero mostrar aqui é, nem sempre nossa expectativa por um álbum é a mais correta, não sabemos, na maior parte das vezes, quais as facetas que nossos ídolos podem tomar e, esperar sempre a "mesmice" não é tão promissor assim.
O primeiro é o cd solo - Brand New by Tomorrow - de um dos maiores contribuintes na produção e tecladista da banda Beastie Boys. Conhecidos pelo som pesado, rápido, com uma mistura de rap e punk e letras de protesto, Money Mark traz em seu projeto paralelo um clima totalmente diferente. Um harmonia sempre suave, com um arranjo de teclado muito bem estruturado e uma certa poética nas composições, sem contar a pegada bem mais pop. A diferença das abordagens é gritante - ainda mais se comparado ao III Communication.
O segundo caso é o recente cd do vocalista da banda indie Bloc Party. Apesar do clima horas dançante e de artifícios eletrônicos da banda, eles são mais lembrados pela levada rockeira das músicas. Pois bem, Kele lançou agora em 2010 sua estréia "The Boxer". Podemos colocar essas novas músicas em uma festa, sem remix nem nada, e realmente botar todos para dançar, fugindo logo de cara das eternas repetições tão criticadas do "gênero" eletrônico. O clima festeiro toma conta de quase todas as faixas, e mostra que talvez aquela atmosfera baladeira do Bloc Party tivesse um mentor em Kele. Para quem não curte esse tipo de música, esse é um bom começo. Para os mais habituados, sim, é normal dançar na cadeira enquanto o ouvimos.
Não é melhor faixa, mas mostra bem o que falei aqui.
Abraços!
O primeiro é o cd solo - Brand New by Tomorrow - de um dos maiores contribuintes na produção e tecladista da banda Beastie Boys. Conhecidos pelo som pesado, rápido, com uma mistura de rap e punk e letras de protesto, Money Mark traz em seu projeto paralelo um clima totalmente diferente. Um harmonia sempre suave, com um arranjo de teclado muito bem estruturado e uma certa poética nas composições, sem contar a pegada bem mais pop. A diferença das abordagens é gritante - ainda mais se comparado ao III Communication.
O segundo caso é o recente cd do vocalista da banda indie Bloc Party. Apesar do clima horas dançante e de artifícios eletrônicos da banda, eles são mais lembrados pela levada rockeira das músicas. Pois bem, Kele lançou agora em 2010 sua estréia "The Boxer". Podemos colocar essas novas músicas em uma festa, sem remix nem nada, e realmente botar todos para dançar, fugindo logo de cara das eternas repetições tão criticadas do "gênero" eletrônico. O clima festeiro toma conta de quase todas as faixas, e mostra que talvez aquela atmosfera baladeira do Bloc Party tivesse um mentor em Kele. Para quem não curte esse tipo de música, esse é um bom começo. Para os mais habituados, sim, é normal dançar na cadeira enquanto o ouvimos.
Não é melhor faixa, mas mostra bem o que falei aqui.
Abraços!
domingo, 12 de setembro de 2010
Definindo gênero
Muito daquilo que escrevo por aqui é resultado de reflexões feitas após algumas conversas no meu cotidiano. Uma das mais corriqueiras é a classificação de gêneros, ação essa quase que instintiva de um ser humano racional a procura de uma organização. Na música, esse tipo de tentativa pode ser frustrante.
Tudo começa com casos aparentemente óbvios, artistas que caracterizam um gênero. Por exemplo The Beatles ser reconhecido como rock'n'roll ou Miles Davis ser jazzista. Digo aparentemente pois quando se conhece a fundo tais exemplos, observa-se outras perspectivas na carreira como um todo.
Levando inclusive em consideração a mutabilidade dos artistas, fica um tanto quanto impossível catalogar assim. Para alguns, rock'n'roll é utilizado para designar a primeira geração rockeira, de volta aos anos 50. Hoje se tornou simplesmente a denominação genérica para qualquer rock mais tradicional. Utilizando a primeira definição, vemos o primeiro tropeço: os últimos álbuns do Fab Four talvez não os enquadrassem como o que lhes foram atribuídos na época do Please Please Me. Veja a fragilidade da rotulação. Na verdade, tento analisar muito mais um conjunto de obras do que um artista em si.
Dando embase para essa teoria, temos Miles Davis. Um dos precursores do cool jazz, após o contato com a guitarra e o estilo de Jimi Hendrix e mais tarde da música eletrônica - principalmente o hip-hop - ele traz tais texturas para seus trabalhos. Se você escutar somente a última gravação dele (Doo-Bop), não o classificaria como jazzista de jeito maneira!
Já ouvi algumas dezenas de vezes que punk é música de protesto. No Brasil, ouvi de pessoas reconhecidas como Clemente, líder do Inocentes, que aquela juventude candanga eram filhinho-de-papai demais para fazer punk rock, e que por ele e a trupe dele ser do súburbio paulista tinham, de fato, inventado o estilo no Brasil. Quer dizer que Ramones por ter um repertório de 98% das músicas falando de amor não são punk? Ainda acreditar que Sex Pistols eram realmente anarquistas é ser muito ingênuo. Isso só mostra como as pessoas dentro dos próprios "gêneros" batem cabeça na hora de tentar definir algo.
Se com artistas expoentes de seus "gêneros" já fica complicadíssimo achar uma descrição fiel, imagina falar de um Iron Maiden que não é tão pesado o bastante para ser Heavy Metal e nem tão leve para entrar num grupo Hard Rock. Led Zeppelin tinha um intuito de fazer blues e não passaram de influenciados, salve músicas isoladas - são reconhecidos muito mais pelo rock do que a pegada bluezeira.
Isso tudo me traz outra dúvida que me deixa intrigado: o que caracteriza música? Digo, "Quem se atreve a me dizer, de que é feito samba, quem se atreve a me dizer?" Será que só a combinação de harmonia, melodia e instrumentação são suficientes para generalizar? Essas perguntas vêm a tona quando grupos como o Stomp e o Bob McFerrin me são apresentados. Não temos uma linha melódica definida, mas sabemos que existe uma lógica nos temas, reconhecemos faixas distintas e sincronia entre os integrantes; no caso do McFerrin, ele é um instrumento que canta e produz sons inacreditáveis, pitadas de jazz e música clássica são perceptíveis, apesar de pouco poder enquadrá-lo em algum desses.
Sem mais delongas, não podemos, ao escutar algo, tentar achar um estilo para aquilo (em especial coisas novas). Isso pode ser até uma barreira - imposta às vezes de forma sutil - do seu meio social. Se nos preocupássemos mais com a qualidade e com os sentimentos que nos trás cada nova experiência musical, os preconceitos não apareceriam tanto quando o assunto é cultura. Ainda mais com o advento desse mundo globalizado e cada vez mais híbrido, as tendências são cada vez mais diversas.
Abraços!
Tudo começa com casos aparentemente óbvios, artistas que caracterizam um gênero. Por exemplo The Beatles ser reconhecido como rock'n'roll ou Miles Davis ser jazzista. Digo aparentemente pois quando se conhece a fundo tais exemplos, observa-se outras perspectivas na carreira como um todo.
Levando inclusive em consideração a mutabilidade dos artistas, fica um tanto quanto impossível catalogar assim. Para alguns, rock'n'roll é utilizado para designar a primeira geração rockeira, de volta aos anos 50. Hoje se tornou simplesmente a denominação genérica para qualquer rock mais tradicional. Utilizando a primeira definição, vemos o primeiro tropeço: os últimos álbuns do Fab Four talvez não os enquadrassem como o que lhes foram atribuídos na época do Please Please Me. Veja a fragilidade da rotulação. Na verdade, tento analisar muito mais um conjunto de obras do que um artista em si.
Dando embase para essa teoria, temos Miles Davis. Um dos precursores do cool jazz, após o contato com a guitarra e o estilo de Jimi Hendrix e mais tarde da música eletrônica - principalmente o hip-hop - ele traz tais texturas para seus trabalhos. Se você escutar somente a última gravação dele (Doo-Bop), não o classificaria como jazzista de jeito maneira!
Já ouvi algumas dezenas de vezes que punk é música de protesto. No Brasil, ouvi de pessoas reconhecidas como Clemente, líder do Inocentes, que aquela juventude candanga eram filhinho-de-papai demais para fazer punk rock, e que por ele e a trupe dele ser do súburbio paulista tinham, de fato, inventado o estilo no Brasil. Quer dizer que Ramones por ter um repertório de 98% das músicas falando de amor não são punk? Ainda acreditar que Sex Pistols eram realmente anarquistas é ser muito ingênuo. Isso só mostra como as pessoas dentro dos próprios "gêneros" batem cabeça na hora de tentar definir algo.
Se com artistas expoentes de seus "gêneros" já fica complicadíssimo achar uma descrição fiel, imagina falar de um Iron Maiden que não é tão pesado o bastante para ser Heavy Metal e nem tão leve para entrar num grupo Hard Rock. Led Zeppelin tinha um intuito de fazer blues e não passaram de influenciados, salve músicas isoladas - são reconhecidos muito mais pelo rock do que a pegada bluezeira.
Isso tudo me traz outra dúvida que me deixa intrigado: o que caracteriza música? Digo, "Quem se atreve a me dizer, de que é feito samba, quem se atreve a me dizer?" Será que só a combinação de harmonia, melodia e instrumentação são suficientes para generalizar? Essas perguntas vêm a tona quando grupos como o Stomp e o Bob McFerrin me são apresentados. Não temos uma linha melódica definida, mas sabemos que existe uma lógica nos temas, reconhecemos faixas distintas e sincronia entre os integrantes; no caso do McFerrin, ele é um instrumento que canta e produz sons inacreditáveis, pitadas de jazz e música clássica são perceptíveis, apesar de pouco poder enquadrá-lo em algum desses.
Sem mais delongas, não podemos, ao escutar algo, tentar achar um estilo para aquilo (em especial coisas novas). Isso pode ser até uma barreira - imposta às vezes de forma sutil - do seu meio social. Se nos preocupássemos mais com a qualidade e com os sentimentos que nos trás cada nova experiência musical, os preconceitos não apareceriam tanto quando o assunto é cultura. Ainda mais com o advento desse mundo globalizado e cada vez mais híbrido, as tendências são cada vez mais diversas.
Abraços!
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Recomendações 6/09
Assim como prometido, recomendarei pelo menos um álbum no início de cada semana para ser degustado.
Começo hoje logo com dois espetaculares: Plastic Beach do Gorillaz e Brothers da dupla The Black Keys.
Lembro-me quando um amigo me passou um cd com as músicas novas dessa dupla de Ohio "Caique, já curtiu esse novo do Black Keys?". Eu nem sabia que eles estavam para lançar novidades e, que surpresa agradável! Disputam, sem dúvida, o melhor de 2010. Não tente avalia-lo, não tente catalogá-lo como blues-rock ou indie rock ou lo-fi psicodélico, apenas se entregue às músicas. Eles prender-te-ão como em um filme do Hitchcock, seus ouvidos esperarão ansiosos para cada trecho. Não falarei muito mais, apenas: "abra seus ouvidos".
Clipe divertidíssimo!
Outro forte concorrente ao troféu do ano é Plastic Beach. Esse grupo volta com força e talento totais, mostrando um álbum tão trabalhado quanto as gravações anteriores e, dessa vez, acertam na acessibilidade pop - quase inexistente em D-Sides e Demon Days - sem deixar o brilhantismo de lado. Diferente da dupla antes citada, Gorillaz traz com este um sentimento muito mais libertador (sabe aquele sentimento de querer correr escutando aquela música? Ou simplesmente ficar olhando para o céu e esquecer da vida por um instante?), um espírito de leveza mesclada com uma pegada bem dançante. Parece maluquice falando assim, mas só ouvindo para crer. Prepare-se para ser transportado para uma outra atmosfera.
A pedidos de um irmão louco com esse clipe.
Degustem com moderação.
Começo hoje logo com dois espetaculares: Plastic Beach do Gorillaz e Brothers da dupla The Black Keys.
Lembro-me quando um amigo me passou um cd com as músicas novas dessa dupla de Ohio "Caique, já curtiu esse novo do Black Keys?". Eu nem sabia que eles estavam para lançar novidades e, que surpresa agradável! Disputam, sem dúvida, o melhor de 2010. Não tente avalia-lo, não tente catalogá-lo como blues-rock ou indie rock ou lo-fi psicodélico, apenas se entregue às músicas. Eles prender-te-ão como em um filme do Hitchcock, seus ouvidos esperarão ansiosos para cada trecho. Não falarei muito mais, apenas: "abra seus ouvidos".
Clipe divertidíssimo!
Outro forte concorrente ao troféu do ano é Plastic Beach. Esse grupo volta com força e talento totais, mostrando um álbum tão trabalhado quanto as gravações anteriores e, dessa vez, acertam na acessibilidade pop - quase inexistente em D-Sides e Demon Days - sem deixar o brilhantismo de lado. Diferente da dupla antes citada, Gorillaz traz com este um sentimento muito mais libertador (sabe aquele sentimento de querer correr escutando aquela música? Ou simplesmente ficar olhando para o céu e esquecer da vida por um instante?), um espírito de leveza mesclada com uma pegada bem dançante. Parece maluquice falando assim, mas só ouvindo para crer. Prepare-se para ser transportado para uma outra atmosfera.
A pedidos de um irmão louco com esse clipe.
Degustem com moderação.
domingo, 5 de setembro de 2010
Saber parar
Os seres humanos são, por essência, apegados demais com tudo aquilo que é bom e tendem a não admitir que tudo o que começa um dia acaba (Renato Russo ainda tinha pena de 'vocês'). A diferença de grandes projetos é saber quando e como terminar. Isso abrange também para o quesito drogas, comum no meio artístico como um todo.
Bandas que não aceitam que envelheceram além de se tornar enjoativas, tornam-se também pedra no caminho da molecada que têm muito a mostrar ainda. A questão não é terminar mero e simplesmente por que chegaram aos 30 anos de carreira, mas sacar que não há mais progresso. Pessoal que esqueceu de fazer isso mesmo com com a saída/morte de uma pancada de integrantes foi o Titãs. A carreira dos caras é brilhante, mas num dá mais! Arnaldo, Nando, Charles deram no pé, Marcelo morreu...e eles continuam rastejando por palcos e estúdios, fazendo trabalhos apenas de comemoração de 500² anos de estrada e músicas novas sem tempero algum.
Outros que já deveriam ter aposentado são os candangos do Capital Inicial. Os dois principais compositores deles não os acompanham mais, Kiko e Renato, Loro Jones pulou fora quando viu que o fim trágico era inevitável. Sei que é politicamente errado brincar com isso, mas aquele acidente com o Dinho Ouro-Preto no início do ano foi um pedido de Deus para parar. Virou apenas mais uma história de superação. Da mesma cidade temos Plebe Rude, que só conseguiu gravar um disco meia-boca e nunca mais, e ainda continuam ensebando o cenário regional.
Esse apego não é só nacional, vimos recentemente com outra banda que adoro, os Stones Temple Pilots, tentando continuar e pagando vexame. O temperamento bipolar devido às imensas quantidades de drogas do vocalista Scott Weiland tornam as apresentações um lixo. Semana passada ele despenca do palco e sua voz continua cantando perfeitamente, corroborando com uma suspeita de playback. Outro que também se afunda em drogas e não larga de torrar nossa paciência é o ex-líder do The Libertines, Pete Doherty.
Esse segundo exemplo agora se apresenta sozinho com seu violão (por ninguém mais tolera-lo), em aparições raras e toscas. Clínicas de reabilitação do mundo inteiro já tiveram entrada dele, mas não adianta. Não querendo fazer um discurso moralista, mas drogas misturadas com profissionalismo não dão certo. As pessoas não conhecem seus limites e acabam arruinando carreiras (com perdão do trocadilho) não só delas próprias, mas às vezes de amigos e companheiros idem. São vários exemplos que após esse envolvimento fatal destruíram ótimos trabalhos, não necessariamente com overdose e morte:
Amy Winehouse - seus últimos shows foram horríveis, atualmente tenta produzir um novo álbum que, de tanta complicação, está fadado ao fracasso;
Os Mutantes - com tanto ácido na cabeça, era inevitável uma briga que renderia na saída da Rita Lee, na mudança de sonoridade e em um final de gravações péssimas;
Aerosmith - Steven Tyler e Joe Perry estão velhos, não aguentam mais meia dose de whiskey, mas continuam no maior clichè "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" e estão para se matar. Coisa nova deles nem pensar...turnê com pontapés e trocas de gentilezas no palco.
New Order - implacaram ainda na áurea do Ian Curtis, gravaram um segundo álbum excelente, depois se perderam nos egos e drogas. Não foram tão mais brilhantes desde então.
Barão Vermelho - sustentaram-se por um tempo ainda nos ventos de Cazuza (outro que não soube parar no final) e hoje estão no clube dos DVD's 'especiais'. Qual música deles é no mínimo perto das músicas do disco 'Maior Abandonado'?
Green Day - apenas escute as músicas novas e comparem com as da época do 'Dookie'. A diferença é absurda. A tentativa de falar de política e sociedade falhou para eles. Ou voltam para o que era antes ou podiam aposentar também.
Isso sem contar com os fins trágicos de John Bonham, Keith Moon, Jimi Hendrix, Cássia Eller, Kurt Cobain...
Contra-exemplos para confirmar como o fim pode não ser tão ruim assim, e mais, pode ser o bom início de belos projetos:
Beatles - o fim era inevitável, mas daí gravar 'Abbey Road' e 'Let it be', com direito a gig surpresa é saber acabar. Todos os integrantes fizeram trabalhos ótimos depois da implosão;
Damon Albarn - toda vez que sentia que era melhor parar, ele começava algo novo. Nunca vi um projeto dele ruim;
The Strokes - a situação estava meio complicada com Julian Casablancas e seu alcoolismo. Separaram por um tempo...cada um gravou seus 'solos', diminuíram, assim, o ego usual de bandas muito boas...trataram de suas patologias...e estão de volta firme e forte;
Radiohead - mesmo com vinte e tantos anos de chão continuam a produzir coisas inovadoras. Cada um tem seu projeto solo para maiores pretensões, os fãs ficam felizes e os integrantes também.
Poderia citar bilhões de outros artistas nas duas categorias, mas o que realmente quero passar aqui é: Você ainda vai continuar dando grana para artistas antiquados? Vai continuar aplaudindo canções de trinta anos? A situação só está desse jeito porque tem alguém sustentando. Ou vamos clamar por inovações? Que tal conhecer também o que está acontecendo na juventude? Ou até mesmo produzir algo novo? Pense nisso na hora de consumir música.
Artistas do mundo, saibam o quanto seus corpos aguentam! E saibam quando o som não está legal e parem. Pelo menos mudem de nome, endereço, parceiros, profissão...
Abraços!
Bandas que não aceitam que envelheceram além de se tornar enjoativas, tornam-se também pedra no caminho da molecada que têm muito a mostrar ainda. A questão não é terminar mero e simplesmente por que chegaram aos 30 anos de carreira, mas sacar que não há mais progresso. Pessoal que esqueceu de fazer isso mesmo com com a saída/morte de uma pancada de integrantes foi o Titãs. A carreira dos caras é brilhante, mas num dá mais! Arnaldo, Nando, Charles deram no pé, Marcelo morreu...e eles continuam rastejando por palcos e estúdios, fazendo trabalhos apenas de comemoração de 500² anos de estrada e músicas novas sem tempero algum.
Outros que já deveriam ter aposentado são os candangos do Capital Inicial. Os dois principais compositores deles não os acompanham mais, Kiko e Renato, Loro Jones pulou fora quando viu que o fim trágico era inevitável. Sei que é politicamente errado brincar com isso, mas aquele acidente com o Dinho Ouro-Preto no início do ano foi um pedido de Deus para parar. Virou apenas mais uma história de superação. Da mesma cidade temos Plebe Rude, que só conseguiu gravar um disco meia-boca e nunca mais, e ainda continuam ensebando o cenário regional.
Esse apego não é só nacional, vimos recentemente com outra banda que adoro, os Stones Temple Pilots, tentando continuar e pagando vexame. O temperamento bipolar devido às imensas quantidades de drogas do vocalista Scott Weiland tornam as apresentações um lixo. Semana passada ele despenca do palco e sua voz continua cantando perfeitamente, corroborando com uma suspeita de playback. Outro que também se afunda em drogas e não larga de torrar nossa paciência é o ex-líder do The Libertines, Pete Doherty.
Esse segundo exemplo agora se apresenta sozinho com seu violão (por ninguém mais tolera-lo), em aparições raras e toscas. Clínicas de reabilitação do mundo inteiro já tiveram entrada dele, mas não adianta. Não querendo fazer um discurso moralista, mas drogas misturadas com profissionalismo não dão certo. As pessoas não conhecem seus limites e acabam arruinando carreiras (com perdão do trocadilho) não só delas próprias, mas às vezes de amigos e companheiros idem. São vários exemplos que após esse envolvimento fatal destruíram ótimos trabalhos, não necessariamente com overdose e morte:
Amy Winehouse - seus últimos shows foram horríveis, atualmente tenta produzir um novo álbum que, de tanta complicação, está fadado ao fracasso;
Os Mutantes - com tanto ácido na cabeça, era inevitável uma briga que renderia na saída da Rita Lee, na mudança de sonoridade e em um final de gravações péssimas;
Aerosmith - Steven Tyler e Joe Perry estão velhos, não aguentam mais meia dose de whiskey, mas continuam no maior clichè "Sexo, Drogas e Rock'n'roll" e estão para se matar. Coisa nova deles nem pensar...turnê com pontapés e trocas de gentilezas no palco.
New Order - implacaram ainda na áurea do Ian Curtis, gravaram um segundo álbum excelente, depois se perderam nos egos e drogas. Não foram tão mais brilhantes desde então.
Barão Vermelho - sustentaram-se por um tempo ainda nos ventos de Cazuza (outro que não soube parar no final) e hoje estão no clube dos DVD's 'especiais'. Qual música deles é no mínimo perto das músicas do disco 'Maior Abandonado'?
Green Day - apenas escute as músicas novas e comparem com as da época do 'Dookie'. A diferença é absurda. A tentativa de falar de política e sociedade falhou para eles. Ou voltam para o que era antes ou podiam aposentar também.
Isso sem contar com os fins trágicos de John Bonham, Keith Moon, Jimi Hendrix, Cássia Eller, Kurt Cobain...
Contra-exemplos para confirmar como o fim pode não ser tão ruim assim, e mais, pode ser o bom início de belos projetos:
Beatles - o fim era inevitável, mas daí gravar 'Abbey Road' e 'Let it be', com direito a gig surpresa é saber acabar. Todos os integrantes fizeram trabalhos ótimos depois da implosão;
Damon Albarn - toda vez que sentia que era melhor parar, ele começava algo novo. Nunca vi um projeto dele ruim;
The Strokes - a situação estava meio complicada com Julian Casablancas e seu alcoolismo. Separaram por um tempo...cada um gravou seus 'solos', diminuíram, assim, o ego usual de bandas muito boas...trataram de suas patologias...e estão de volta firme e forte;
Radiohead - mesmo com vinte e tantos anos de chão continuam a produzir coisas inovadoras. Cada um tem seu projeto solo para maiores pretensões, os fãs ficam felizes e os integrantes também.
Poderia citar bilhões de outros artistas nas duas categorias, mas o que realmente quero passar aqui é: Você ainda vai continuar dando grana para artistas antiquados? Vai continuar aplaudindo canções de trinta anos? A situação só está desse jeito porque tem alguém sustentando. Ou vamos clamar por inovações? Que tal conhecer também o que está acontecendo na juventude? Ou até mesmo produzir algo novo? Pense nisso na hora de consumir música.
Artistas do mundo, saibam o quanto seus corpos aguentam! E saibam quando o som não está legal e parem. Pelo menos mudem de nome, endereço, parceiros, profissão...
Abraços!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Considerações
Olá pessoal,
Talvez não tenha ficado muito claro no post "A volta do pouco", mas o que descrevo ali é apenas uma vertente do que está acontecendo hoje, não necessariamente a mais forte ou a única. Adoro quando não concordam comigo, ou vêem de outra forma o que sugiro aqui, então comentem!! Essa é a melhor forma de discutirmos música, através do papo.
Boas novas, como é freqüente me pedirem sugestões de bandas, álbuns, músicas, clipes e afins...Iniciarei em breve um post de sugestões semanais, além, é óbvio, das minhas considerações usuais por aqui. Espero que gostem =)
Abração!
Talvez não tenha ficado muito claro no post "A volta do pouco", mas o que descrevo ali é apenas uma vertente do que está acontecendo hoje, não necessariamente a mais forte ou a única. Adoro quando não concordam comigo, ou vêem de outra forma o que sugiro aqui, então comentem!! Essa é a melhor forma de discutirmos música, através do papo.
Boas novas, como é freqüente me pedirem sugestões de bandas, álbuns, músicas, clipes e afins...Iniciarei em breve um post de sugestões semanais, além, é óbvio, das minhas considerações usuais por aqui. Espero que gostem =)
Abração!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Ai a democracia...
O conceito é muito velho. Uma escolha de representatividade feita pela maioria de um grupo, seja ele restrito ou na base do sufrágio universal. Não defendendo Estados tiranos ou absolutistas, mas esse sistema se mostra falho de diversas maneiras.
Posso até parecer elitista falando isso, mas a tal sonhada democracia só funciona quando a maior parte dos eleitores têm certo grau de educação, e isso não quer dizer que concordem em tudo, mas possuem o conhecimento necessário para discordar, argumentar e fundamentar onde e como divergem. Coréia do Sul é um exemplo recente de como um país pode sair do fundo do posso através do fortalecimento da base. Isso é fazer valer a vontade do povo.
Mas esse num era um blog para falar de música?
Pois bem, semana passada realizaram o "Prêmio Multishow 2010" e estamos caminhando para mais um VMB. Ambos com propostas altamente democráticas em um país onde o ouvido popular não é tão apurado assim. Não precisa ser um gênio para sacar o resultado disso: catástrofe.
A começar com o prêmio de melhor grupo (o mais importante da noite) ser concedido ao Cine. Se você tem mais de três neurônios e/ou mais de 12 anos de idade sabe que esses caras não são nem dignos de indicação, quiçá vencer. Antes que me acusem de preconceituoso, tentei escutar (mais de uma vez inclusive, e na maior boa vontade) as músicas deles. Já tem muita gente falando mal do tal Happy Rock; não serei mais um a fazer isso. Escute algo deles e saberá do que falo.
Na tentativa de homenagear o sertanejo vimos mais um desastre. Vitor & Léo vencem o prêmio da categoria, até que a dupla ainda resgata UM POUCO da verdadeira essência caipira, mas a produção inclui Luan Santana no mesmo pacote - o que desvaloriza a concorrência, certo?! - e logo depois o agraciam como Revelação.
Melhor Cantor = Samuel Rosa.
Melhor Instrumentista = Rodrigo Tavares (baixista do Fresno).
Candidata ao prêmio 'Experimente' = Preta Gil.
Tiê não vence Revelação
Indicação de melhor música = Me adora (Pitty)
Isso resume o que eu acho disso tudo: http://www.diariodebarrelas.com.br/2010/08/25/frustrado-com-nivel-do-premio-diretor-do-multishow-se-demite/
O VMB se aproxima e já se mostra como iminente desrespeito à música nacional. Teremos Restart como indicado a 'Artista do Ano', Mombojó não ganhará com Pa Pa Pa na 'Melhor Música' (apesar de merecer), Thiago Pethit talvez salve como 'Aposta', ainda veremos Lulu Santos - e toda sua velhice - sendo nem notado na categoria 'Pop' disputando com Mallu Magalhães; em Webstar temos um monte de adolescentes revoltados idolatrados por criarem videologs que falam um monte de palavras chulas para disfarçar a falta de argumentos a fim de criticar pessoas exatamente iguais a eles - entenda isso como PC Siqueira e Felipe Neto.
Pelo menos no VMB ainda temos algumas esperanças em algumas categorias como 'Game', Rap e 'Apostas'.
Termino esse post com algumas citações que encontrei na internet em relação a tais eventos e que sustentam minha afirmação inicial que democracia só é bem-vinda com educação e conhecimento dos eleitores.
"putz meu eu fikey super feliz quando eles ganharam o premio amuuu muito o restart!!!!!!" e "Parabens vcs merecem*_*s2 AAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMUUUUUUUUUULLLLLLLLLLLLLLLLL" - Comentários de dois seres no site do Multishow.
"Somos a salvação do rock! Não sei o porquê de tanta má vontade com a gente! Somos os Beatles do ano 2000! Além de sermos um bando de jovens com fãs histéricas também temos 300.000 seguidores no Twitter!" vocalista do Restart. - Será que ele sabe quem foram os Beatles? Quer comparar o alvoroço beatlemaníaco com seguidores anormais no Twitter? Minha indignação não cabe aqui.
Mesmo eu reconhecendo o papel fundamental da música, política pública ainda é um assunto ainda mais delicado. Quem votou no Cine votará também nas Eleições 2010...Será que estamos preparados para mexer com o destino de um país-potência como o Brasil?
Posso até parecer elitista falando isso, mas a tal sonhada democracia só funciona quando a maior parte dos eleitores têm certo grau de educação, e isso não quer dizer que concordem em tudo, mas possuem o conhecimento necessário para discordar, argumentar e fundamentar onde e como divergem. Coréia do Sul é um exemplo recente de como um país pode sair do fundo do posso através do fortalecimento da base. Isso é fazer valer a vontade do povo.
Mas esse num era um blog para falar de música?
Pois bem, semana passada realizaram o "Prêmio Multishow 2010" e estamos caminhando para mais um VMB. Ambos com propostas altamente democráticas em um país onde o ouvido popular não é tão apurado assim. Não precisa ser um gênio para sacar o resultado disso: catástrofe.
A começar com o prêmio de melhor grupo (o mais importante da noite) ser concedido ao Cine. Se você tem mais de três neurônios e/ou mais de 12 anos de idade sabe que esses caras não são nem dignos de indicação, quiçá vencer. Antes que me acusem de preconceituoso, tentei escutar (mais de uma vez inclusive, e na maior boa vontade) as músicas deles. Já tem muita gente falando mal do tal Happy Rock; não serei mais um a fazer isso. Escute algo deles e saberá do que falo.
Na tentativa de homenagear o sertanejo vimos mais um desastre. Vitor & Léo vencem o prêmio da categoria, até que a dupla ainda resgata UM POUCO da verdadeira essência caipira, mas a produção inclui Luan Santana no mesmo pacote - o que desvaloriza a concorrência, certo?! - e logo depois o agraciam como Revelação.
Melhor Cantor = Samuel Rosa.
Melhor Instrumentista = Rodrigo Tavares (baixista do Fresno).
Candidata ao prêmio 'Experimente' = Preta Gil.
Tiê não vence Revelação
Indicação de melhor música = Me adora (Pitty)
Isso resume o que eu acho disso tudo: http://www.diariodebarrelas.com.br/2010/08/25/frustrado-com-nivel-do-premio-diretor-do-multishow-se-demite/
O VMB se aproxima e já se mostra como iminente desrespeito à música nacional. Teremos Restart como indicado a 'Artista do Ano', Mombojó não ganhará com Pa Pa Pa na 'Melhor Música' (apesar de merecer), Thiago Pethit talvez salve como 'Aposta', ainda veremos Lulu Santos - e toda sua velhice - sendo nem notado na categoria 'Pop' disputando com Mallu Magalhães; em Webstar temos um monte de adolescentes revoltados idolatrados por criarem videologs que falam um monte de palavras chulas para disfarçar a falta de argumentos a fim de criticar pessoas exatamente iguais a eles - entenda isso como PC Siqueira e Felipe Neto.
Pelo menos no VMB ainda temos algumas esperanças em algumas categorias como 'Game', Rap e 'Apostas'.
Termino esse post com algumas citações que encontrei na internet em relação a tais eventos e que sustentam minha afirmação inicial que democracia só é bem-vinda com educação e conhecimento dos eleitores.
"putz meu eu fikey super feliz quando eles ganharam o premio amuuu muito o restart!!!!!!" e "Parabens vcs merecem*_*s2 AAAAAAAAAAAMMMMMMMMMMUUUUUUUUUULLLLLLLLLLLLLLLLL" - Comentários de dois seres no site do Multishow.
"Somos a salvação do rock! Não sei o porquê de tanta má vontade com a gente! Somos os Beatles do ano 2000! Além de sermos um bando de jovens com fãs histéricas também temos 300.000 seguidores no Twitter!" vocalista do Restart. - Será que ele sabe quem foram os Beatles? Quer comparar o alvoroço beatlemaníaco com seguidores anormais no Twitter? Minha indignação não cabe aqui.
Mesmo eu reconhecendo o papel fundamental da música, política pública ainda é um assunto ainda mais delicado. Quem votou no Cine votará também nas Eleições 2010...Será que estamos preparados para mexer com o destino de um país-potência como o Brasil?
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Será semelhança?
O universo musical é gigantesco e isso não é novidade. Desconsiderando os samples de músicas eletrônicas e de rap e, as falcatruas de plágios, vez ou outra encontramos semelhanças nas harmonias, arranjos e letras; muitas vezes nem são propositais, mas aparecem para os ouvidos mais oportunos.
Logo pela manha de hoje, assistindo ao MTv Matinal, deparei-me com a seguinte canção antiga de Marvin Gaye com a participação da Tammi Terrell e logo me veio a mente um hit da belíssima e deprimente Amy Winehouse. Não direi mais muita coisa:
e depois escute isso:
Não é plágio (nem perto disso), mas que as vezes o lance da "influência" extrapola...
Até a próxima!
Logo pela manha de hoje, assistindo ao MTv Matinal, deparei-me com a seguinte canção antiga de Marvin Gaye com a participação da Tammi Terrell e logo me veio a mente um hit da belíssima e deprimente Amy Winehouse. Não direi mais muita coisa:
e depois escute isso:
Não é plágio (nem perto disso), mas que as vezes o lance da "influência" extrapola...
Até a próxima!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
A volta do pouco

Muitas vezes um artista espera anos para ter o real significado da sua mensagem assimilada pelo público, uns até morrem antes disso acontecer. No caso do White Stripes, o grande público já os reconhecem e a crítica idem, mas o impressionante da trajetória dessa banda é como eles minimizaram antes de todos.
Aparece como tendência nas artes como um todo; a exclusão do extra, do alegórico. Tendência já feita por essa dupla desde um pouco antes do início da década. Repare, por exemplo, a nova embalagem do refrigerante Aquarius. A garrafa era torta, cheia de entranhas e desenhos de gotículas; agora ela apresenta algumas linhas retas, garrafa lisa, apenas as informações necessárias são impressas. Repare nas latinhas da Coca-Cola e da Pepsi, no design dos produtos da Apple, e até mesmo nas logos dos
video-games como XBOX e PS3. Tudo muito clean.No mundo da música esse estilo se apresenta de diversas maneiras, desde a capa do último álbum da banda irlandesa U2 "No line on the horizon" (uma imagem que deixaria Mark Rothko orgulhoso), do First Impressions of Earth dos Strokes, e tanto o som quanto a capa do primeiro lançamento do tão conceituado The xx. Estes utilizam de arranjos simplificados, batida lenta e shows sem muita pirotecnia e, assim, conquistam a simpatia de praticamente todos que os escutam. Não tem como falar de nova música sem ao menos citá-los.
Jack e Meg White já apostavam nesse escopo há tempos, quando tiraram toda a parafernália de baixos e teclados e duas guitarras para fazer o som do rock'n'roll. Chamaram escolas de vanguarda e botaram a bicoloridade como símbolo da banda e previram o que estava por vir. Essa busca têm origem muito antes deles, com um trompetista americano chamado Miles Davis, que já fazia o jazz modal no final da década de 50, estilo que se baseia em solos com poucas notas, poucos instrumentos e levada suave: o que a maioria conhece hoje apenas como jazz.

Outra forma disso aparecer na música é com um revival que surge em torno da música de violão/voz/piano. É só lembrar da Cat Power, da Feist, do Bon Iver, do Beck e de suas músicas e capas mais recentes. No Brasil todas essas cantoras que aparecem também com esse tipo de trabalho: Nina Becker essa semana lançou seu cd. Reparem nisso quando derem uma olhada.
Até essa última pintura dos ônibus de Brasília estão assim, branco com apenas o rascunho da ponte JK desenhada, e tem banda que continua apostando no visual colorido. Coitados.
domingo, 15 de agosto de 2010
E o Brasil com isso?
A decadência pop musical no Brasil já mostrava as caras em meados dos anos 90 com o advento da música meramente para folia que aparecia como paixão nacional vestida em abadás. Além de decepções como a morte do Mamonas, a desvirtualização do Raimundos, e do apego mais que comercial de uma banda com um potencial maravilhoso, o Jota Quest.
Mesmo assim, hoje, a qualidade está longe de ser inexistente no cenário canarinho. Além de influenciar o âmbito nacional, alguns artistas mostraram grande participação nas novas tendências internacionais. E o melhor dessa história: nem sempre com um apego tropical/amazônico (brasileiro ou é samba ou tem aquele batuque e sonzinhos de passarinho cantando).
Sim, é complicado aceitar que temos grandes artistas quando vemos no nosso mainstream NXZero, Mallu Magalhães e Vanessa da Mata e outras velharias que empacam o aparecimento de novos astros. É tanto revival, tanto dvd de comemoração de 50 anos de estrada e especiais de fim de ano que, para a molecada mostrar "as caras", fica complicado.
Mas nos atemos às nossas coisas boas. No inicio da década a então Cansei de Ser Sexy mostrou ao mundo que o Brasil produz coisas novas, que não fale necessariamente de corrupção, favelas, use do tamborim para dar ritmo. A postura debochada, com um apelo dançante e pesadas distorções conquistaram a Europa. Não ganharam tanto espaço por aqui.
Outra artista que já conquistou os gringos e que tenta novamente os corações e simpatias brasileiros é a cantora Tiê. Com voz delicada, arranjos simples, o atual renascimento do folk ganha uma nova representante. É óbvio que o tropicalismo se mostra de vez em quando, mas num é a primeira intenção de seu projeto. Nessa mesma situação encontra-se Thiago Pethit, um artista que merece vários elogios.
Apontando uma nova visão do rock, os pernambucanos Mombojó se mostram como uma das bandas de maior influência na trupe independente nacional. Um som horas melancólico, horas baladeiro, eles conquistaram os ouvidos mais atentos do público jovem. Eles mostram que pernambuco não é só mangue-beat. Outra dessa terra que veio para abalar é a cantora e compositora Lulina, vale checar.
Isso tudo sem contar com o grande nome da década, em termos de público e crítica: Los Hermanos. Tão odiados quanto idolatrados, eles lançaram tendência de volta da bossa-nova, da poesia e da cultura underground e isso é inegável, por mais desgosto que tenha deles. Tudo bem que muitos digam que se tornaram conhecidos demais e assim o brilho se tornou comum; isso só aumenta o mérito deles.
Enfim, apesar do nosso mainstream estar meio ridículo mesmo, nada exclui o fato que nosso repertório vai muito bem.
Abraços.
Mesmo assim, hoje, a qualidade está longe de ser inexistente no cenário canarinho. Além de influenciar o âmbito nacional, alguns artistas mostraram grande participação nas novas tendências internacionais. E o melhor dessa história: nem sempre com um apego tropical/amazônico (brasileiro ou é samba ou tem aquele batuque e sonzinhos de passarinho cantando).
Sim, é complicado aceitar que temos grandes artistas quando vemos no nosso mainstream NXZero, Mallu Magalhães e Vanessa da Mata e outras velharias que empacam o aparecimento de novos astros. É tanto revival, tanto dvd de comemoração de 50 anos de estrada e especiais de fim de ano que, para a molecada mostrar "as caras", fica complicado.
Mas nos atemos às nossas coisas boas. No inicio da década a então Cansei de Ser Sexy mostrou ao mundo que o Brasil produz coisas novas, que não fale necessariamente de corrupção, favelas, use do tamborim para dar ritmo. A postura debochada, com um apelo dançante e pesadas distorções conquistaram a Europa. Não ganharam tanto espaço por aqui.
Outra artista que já conquistou os gringos e que tenta novamente os corações e simpatias brasileiros é a cantora Tiê. Com voz delicada, arranjos simples, o atual renascimento do folk ganha uma nova representante. É óbvio que o tropicalismo se mostra de vez em quando, mas num é a primeira intenção de seu projeto. Nessa mesma situação encontra-se Thiago Pethit, um artista que merece vários elogios.
Apontando uma nova visão do rock, os pernambucanos Mombojó se mostram como uma das bandas de maior influência na trupe independente nacional. Um som horas melancólico, horas baladeiro, eles conquistaram os ouvidos mais atentos do público jovem. Eles mostram que pernambuco não é só mangue-beat. Outra dessa terra que veio para abalar é a cantora e compositora Lulina, vale checar.
Isso tudo sem contar com o grande nome da década, em termos de público e crítica: Los Hermanos. Tão odiados quanto idolatrados, eles lançaram tendência de volta da bossa-nova, da poesia e da cultura underground e isso é inegável, por mais desgosto que tenha deles. Tudo bem que muitos digam que se tornaram conhecidos demais e assim o brilho se tornou comum; isso só aumenta o mérito deles.
Enfim, apesar do nosso mainstream estar meio ridículo mesmo, nada exclui o fato que nosso repertório vai muito bem.
Abraços.
sábado, 14 de agosto de 2010
Os anos 2000 e sua pluralidade
O que aconteceu de inovador, de grandioso nos início desse século? O que a sua geração vai levar como referência para próxima geração? Se você tem entre 16 a 25 anos de idade já escutou esse tipo de provocação.
Mal sabem tais provocadores que talvez a maior revolução musical da história tenha se concretizado agora. As grandes novidades em termos de estilo não aparecem mais como hits nas rádios, a venda de "discos" não alcança mais números astronômicos, o rock está infiltrado em várias vertentes musicais e, lidar com essa mudança pode ser extremamente doloroso para uma galera mais tradicional.
Para entender como se dá as novas tendências musicais (adultas, ok?! Restart, Cine e músicos de playground afins fazem músicas infantis e não são, portanto, objeto de análise desse blog) faço uma lista com os artistas mais influentes dessa década que está para acabar.
Esses artistas inovaram em termos sonoros, visuais e no âmbito do empreendimento cultural. A música eletrônica, iniciada com roupagem pop nos anos 60, ganha agora, através dos atuais avanços tecnológicos, maior utilização em gêneros musicais considerados ultra-conservadores, como o folk e, por incrível que pareça, no rock. Sim, o rock é, apesar de sua fama contestadora, um criador de extremistas fervorosos.
Para aqueles que não conhecem tanto a atual conjectura da boa música, comece com essa lista: com certeza sua visão mudará um pouco. Para os que já tem certa intimidade, posts futuros mostrarão outros artistas, injustamente, menos valorizados.
COMENTEM!
Mal sabem tais provocadores que talvez a maior revolução musical da história tenha se concretizado agora. As grandes novidades em termos de estilo não aparecem mais como hits nas rádios, a venda de "discos" não alcança mais números astronômicos, o rock está infiltrado em várias vertentes musicais e, lidar com essa mudança pode ser extremamente doloroso para uma galera mais tradicional.
Para entender como se dá as novas tendências musicais (adultas, ok?! Restart, Cine e músicos de playground afins fazem músicas infantis e não são, portanto, objeto de análise desse blog) faço uma lista com os artistas mais influentes dessa década que está para acabar.
Esses artistas inovaram em termos sonoros, visuais e no âmbito do empreendimento cultural. A música eletrônica, iniciada com roupagem pop nos anos 60, ganha agora, através dos atuais avanços tecnológicos, maior utilização em gêneros musicais considerados ultra-conservadores, como o folk e, por incrível que pareça, no rock. Sim, o rock é, apesar de sua fama contestadora, um criador de extremistas fervorosos.
Para aqueles que não conhecem tanto a atual conjectura da boa música, comece com essa lista: com certeza sua visão mudará um pouco. Para os que já tem certa intimidade, posts futuros mostrarão outros artistas, injustamente, menos valorizados.
COMENTEM!
Início
Os bons sommeliers degustam diversos vinhos, apontam suas qualidades, defeitos, indicam uma possível harmonização. Para tanto, o empirismo é essencial, experimentar para ter melhores referências e poder, então, fundamentar seu gosto. Não fazer isso, nada mais é que um preconceito, julgar sem ter relativo conhecimento do assunto.
Claro que nem todos têm todo o tempo, paciência e grana do mundo para estudar tão afundo as coisas assim. Aí que entra a relação sommelier/leigo. Este deve apontar caminhos, harmonizações para que esse saboreie mais facilmente, para que não "gaste" uma garrafa de vinho.
Esse é, de fato, a função da crítica musical proposta aqui. Nada de apontar tendência, zuar artista por um álbum ruim ou babar ovo da moda, mas mostrar uma interpretação, alguns detalhes importantes para que na hora do leitor escutar uma música possa degusta-la da melhor forma possível.
Não excluo a impossível unanimidade. A pessoa que te indicou um vinho pode ter bebido 30000 uvas diferentes, ser reconhecido como o melhor dos cosmos no assunto e você não gostar (vai entender o por que não gostam de Beatles). O importante, no fundo, é saber saborear.
Nosso julgamento de bom e ruim é feito através de nossas experiências e uma razão pessoal. Portanto, chame toda sua memória musical, seu senso crítico, abra sua cabeça ao novo e: Degustemos a Música!
Abraços.
Claro que nem todos têm todo o tempo, paciência e grana do mundo para estudar tão afundo as coisas assim. Aí que entra a relação sommelier/leigo. Este deve apontar caminhos, harmonizações para que esse saboreie mais facilmente, para que não "gaste" uma garrafa de vinho.
Esse é, de fato, a função da crítica musical proposta aqui. Nada de apontar tendência, zuar artista por um álbum ruim ou babar ovo da moda, mas mostrar uma interpretação, alguns detalhes importantes para que na hora do leitor escutar uma música possa degusta-la da melhor forma possível.
Não excluo a impossível unanimidade. A pessoa que te indicou um vinho pode ter bebido 30000 uvas diferentes, ser reconhecido como o melhor dos cosmos no assunto e você não gostar (vai entender o por que não gostam de Beatles). O importante, no fundo, é saber saborear.
Nosso julgamento de bom e ruim é feito através de nossas experiências e uma razão pessoal. Portanto, chame toda sua memória musical, seu senso crítico, abra sua cabeça ao novo e: Degustemos a Música!
Abraços.
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